Os Estados Unidos iniciaram nesta segunda-feira (29) uma nova série de sanções à Venezuela. A primeira medida adotada foi a proibição de negociações entre empresas americanas e a estatal venezuelana Compañía General de Minería de Venezuela C.A.
Uma segunda sanção foi anunciada na terça-feira (30) pelo Departamento de Estado americano, indicando que os EUA não renovarão uma licença geral para o setor de petróleo e gás da Venezuela, que expira em abril, a menos que haja avanços políticos entre o governo Maduro e a oposição.
Por que EUA impuseram novas sanções à Venezuela
As sanções à Venezuela foram uma resposta direta à decisão do Supremo Tribunal da Venezuela, nesta sexta-feira (26), de desqualificar a candidata presidencial da oposição, María Corina Machado, e seu substituto, Henrique Capriles, das eleições presidenciais.
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María Corina Machado, candidata as eleições presidenciais da Venezuela – Foto: Federico Parra/AFPO porta-voz do Pentágono, John Kirby, destacou nesta segunda-feira (30) que o regime de Maduro havia se comprometido a permitir eleições justas em 2024 e que o Acordo de Barbados seria revertido caso não permitissem a candidatura de políticos da oposição.
Acordo de Barbados e Reações
O Acordo de Barbados foi assinado em outubro de 2023 e estabelecia, dentre as medidas, que EUA aliviaria as sanções contra Venezuela, e Maduro iria liberar presos políticos e permitir eleições presidenciais livres e justas em 2024.
No entanto, a recente desqualificação dos candidatos da oposição levou Washington a reconsiderar o afrouxamento das sanções à Venezuela.
EUA impuseram novas sanções à Venezuela, governada por Nicolás Maduro – Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil/Divulgação/NDSituação Política na Venezuela
A situação política na Venezuela está tensa devido a prisão de três líderes regionais da campanha de Machado e diversos civis por suposta conspiração contra Maduro.
Por outro lado, María Corina Machado, prometeu derrotar Maduro nas eleições de 2024, apesar das adversidades.
Pelo que María Corina Machado é acusada?
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, enfrenta acusações de participar de uma “trama de corrupção” encabeçada pelo ex-autoproclamado presidente interino da Venezuela Juan Guaidó.
De acordo com a Suprema Corte do país, María Corina solicitou sanções e bloqueio econômico contra a Venezuela, que teriam causar danos significativos ao país, incluindo a dificuldade de aquisição de vacinas infantis e medicamentos essenciais.
Além disso, alega que o bloqueio econômico resultou no desvio de cerca de US$ 4 bilhões do país, prejudicando gravemente a capacidade da Venezuela de atender às necessidades de sua população.
María Corina Machado negou todas as acusações. Eis o documento do processo na íntegra.
Reação Internacional
A União Europeia expressou preocupação com as ações contra os opositores de Maduro, destacando que tais medidas minam a democracia e o Estado de direito.
Joe Biden, presidente dos EUA – Foto: Reprodução /InstagramOutros países da América do Sul, como a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e o Equador, condenaram a inelegibilidade da ex-deputada. Já governos de esquerda na Colômbia e no México optaram pelo silêncio.
O Brasil, sob a liderança do presidente Lula, ainda não se pronunciou sobre as recentes sanções, embora tenha defendido anteriormente o levantamento das sanções unilaterais impostas pelos EUA.