A situação do Porto de Itajaí, no Litoral Norte do Estado, tem causado preocupação por parte da comunidade e das lideranças da região. Nesta semana, a APM Terminals, empresa arrendatária dos berços 1 e 2 anunciou que deve começar o ano com uma perda de cerca de 16 a 18 mil contêineres por mês, além de prováveis demissões.
Situação do Porto de Itajaí tem causado preocupação – Foto: Marcos Porto/SECOM Itajaí/Divulgação/NDA situação foi abordada durante coletiva de imprensa no início desta semana. A APM alega que a demora para assinatura do contrato de arrendamento com a Superintendência do Porto de Itajaí fez com que a empresa perdesse armadores para o ano de 2023.
“Infelizmente a gente acabou perdendo o ‘timing’ nas negociações e isso acabou se estendendo até a última semana agora, então nós tivemos um espaço muito curto para poder retomar com os armadores. A gente vai ter uma perda de quatro armadores, de quatro serviços, o que representa algo entre 16 a 18 mil contêineres por mês para Itajaí”, afirma Aristides Russi Júnior, diretor superintendente da APM Terminals Itajaí.
SeguirA assessoria da APM Terminals informou que a empresa começará 2023 com serviços acessórios, como por exemplo LCL e Carga Aérea, além de linha de RoRo (carros), mas sem linhas de contêineres.
“Já estamos trabalhando arduamente para recuperar carga e reposicionar Itajaí na rota comercial. Sabemos que será um período extremamente desafiador, mas já passamos por outros momentos como este e superamos. Vamos precisar contar com o apoio de todos nessa jornada”, completou Aristides.
A previsão é de queda de 30% a 40% na empregabilidade dos 200 trabalhadores diretos da APM Terminals no município.
A redução da movimentação em 2023 também deve impactar o trabalho de transportadores autônomos, já que sem navios chegando também não há serviço para eles.
Prefeito se posiciona
O prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni (MDB), publicou um vídeo nas redes sociais na noite desta quarta-feira (14) em que se pronuncia sobre a repercussão do tema nos veículos de imprensa.
“A preocupação com a perda de linhas de navios é compreensível, e é minha também. Mas não concordo comparar a atual situação provocada pela demora e não cumprimento dos prazos do leilão realizado pelo Governo Federal com a tragédia da enchente de 2008. Lá, tivemos berços destruídos e perdemos movimentação de contêineres por questões estruturais, que perduraram anos. Hoje vivemos uma situação de mercado, que pode e vai ser revertida”, afirma o prefeito no vídeo.
Volnei ainda menciona que a situação não dependia apenas da prefeitura, e que foi afetada pelo atraso do Governo Federal em realizar o leilão para definição da nova arrendatária.
O prefeito alega também que era do interesse do município continuar com a APM Terminals neste processo de arrendamento provisório, mas que por questões legais precisava realizar o processo seletivo, do qual a APM não participou.
Com o aumento da proposta da APM, e ouvindo os apelos da classe política e dos trabalhadores portuários, decidiram por formalizar a continuidade da empresa.