Caderneta de poupança registra maior ganho real em seis anos no primeiro semestre de 2023

Levantamento aponta que acumulado da inflação medida pelo IPCA nos últimos seis meses é de 2,95% diante de 4,2% da caderneta de poupança

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R7 São Paulo

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A caderneta de poupança registrou no primeiro semestre de 2023 o maior ganho real em seis anos. De acordo com levantamento da Economatica, empresa de investimentos, a poupança teve variação positiva em todos os seis primeiros meses do ano.

O acumulado da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) nos últimos seis meses é de 2,95% diante de 4,2% da caderneta de poupança, segundo o levantamento. Dessa forma, quem investiu na modalidade conseguiu uma rentabilidade real no período. As informações são do R7.

Quem investiu na poupança nos últimos seis meses conseguiu uma rentabilidade real no períodoQuem investiu na modalidade nos últimos seis meses conseguiu uma rentabilidade real no período – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

Entre outubro de 2020 e julho de 2022, a modalidade teve uma sequência de resultados negativos para os poupadores, ao mesmo tempo em que o país registrava alta dos índices de preços, provocada pela retomada das atividades após a pandemia de Covid-19.

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O cenário começou a mudar em agosto de 2022, quando a modalidade iniciou uma nova série de alta acima da inflação, uma boa notícia para os investidores da aplicação financeira mais tradicional do país.

Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo de estudos e pesquisas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), explica que o longo período em que a modalidade vinha perdendo rendimento frente a todos os outros investimentos tinha a ver com a taxa básica de juros, a Selic, que até março de 2021 estava em 2% ao ano.

Com isso, a poupança rende 0,5% mais a variação da TR. Depois, com a alta da Selic, quando a taxa fica acima de 8,5% ao ano, a poupança passa a render acima do 0,5% ao mês definido por lei. Atualmente, a taxa Selic está há dez meses consecutivos a 13,75% ao ano, mas o Banco Central já sinalizou redução para o segundo semestre.

“Nesse caso específico, a poupança vai continuar se destacando. Apesar de ela perder para a maioria dos fundos de investimentos, é uma boa alternativa, porque é uma aplicação fácil, e a maioria dos brasileiros conhece”, diz o diretor-executivo da Anefac.

Atualmente, a modalidade ganha de muitas aplicações de risco maior e está tendo rendimento real acima da inflação, porque o IPCA vem caindo e a Selic se mantém elevada, o que permite que a modalidade também mantenha rendimento em alta.

“De modo geral, a poupança se destaca, mas ela perde rentabilidade frente aos fundos de renda fixa, mesmo os fundos pagando Imposto de Renda e taxa administrativa. Mas a Selic a 13,75% ao ano faz com que os fundos tenham ganho superior ao da poupança. À medida que há uma tendência do Banco Central em reduzir a Selic, claro que esse processo gradativo não vai cair de uma hora para outra, cada vez que a taxa de juros cair, a poupança passa a ter uma rentabilidade maior frente aos fundos”, explica Oliveira.

Neste momento a poupança é um bom investimento, ganha da inflação, mas perde para os fundos de renda fixa. Mas a Selic, à medida que for reduzida pelo Banco Central, vai começar a aproximar o ganho da poupança aos ganhos dos fundos de investimentos.

Nos últimos meses, a retirada líquida da poupança tem registrado recordes. Segundo Oliveira, isso ocorre, em parte, porque as pessoas estão trocando a modalidade por fundos de renda fixa que têm rendimento maior.

“Mas também o momento econômico atual, com as famílias muito endividadas e o desemprego ainda elevado, faz com que as pessoas tenham que resgatar recursos acumulados na poupança para fazer frente aos seus compromissos. Por outro lado, na medida em que a situação fica difícil no bolso das famílias, elas acabam não tendo recurso para poupar, para depositar mensalmente como vinham fazendo.”

Opções de aplicação financeira

A poupança é uma das principais opções de aplicação financeira no Brasil. De acordo com relatório sobre o perfil do investidor brasileiro feito pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha, 23% dos investidores aplicam seus recursos na poupança, mesmo diante de alternativas de investimento mais rentáveis.

Histórico

A caderneta de poupança tem registrado recordes de retirada nos últimos meses. O movimento ocorre em meio a um cenário de juros elevados, que reduz a competitividade frente a outros investimentos.

Com a alta da taxa básica de juros, a Selic, a aplicação tem perdido recursos. Em 2023, ainda não foi registrado resultado positivo, e a poupança acumula perda de R$ 69,2 bilhões.

A aplicação encerrou o ano passado no vermelho, com mais saques que depósitos, e saldo devedor recorde de R$ 103,23 bilhões, no segundo ano seguido de perdas. Foi a pior captação negativa da série histórica; antes disso, a maior perda anual de R$ 53,6 bilhões, havia ocorrido em 2015.

Atualmente, com a taxa Selic a 13,75% ao ano, a poupança é remunerada pela taxa referencial (TR), hoje em 0,0828% ao mês (1% ao ano), mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês (6,17%). Quando a Selic está abaixo de 8,5%, a atualização é feita com TR mais 70% da taxa básica de juros.

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