A falta de investimentos é o principal fator que impede que a população negra alcance seus sonhos empreendendo. Foi o que constatou uma pesquisa feita pela PretaHub e o Instituto Locomotiva Brasil.
Identificada essa lacuna, em novembro de 2021 foi lançado o programa Aceleração de Negócios de Empreendedoras Negras, da PretaHub. Foram mais de 900 inscrições vindas das cinco regiões do Brasil, com sete negócios de Santa Catarina contemplados (de um total de 50 selecionados).
Ganhadoras de SC do programa Aceleração de Negócios de Empreendedoras Negras – Foto: Divulgação/NDA iniciativa nasceu dessa ausência de recursos com base nos números. Empreendedoras negras representam hoje 4,6 milhões de brasileiras. São responsáveis pela movimentação de R$ 73 bilhões por ano, segundo o Sebrae.
SeguirO perfil delas: 49% iniciam o potencial de empreendimento por necessidade. Para efeito de comparação, em relação às mulheres brancas, esse número cai para 35%. E é por isso, que esses negócios merecem atenção e investimento.
O projeto Aceleração de Negócios de Empreendedoras Negras
Agora em maio, essas 50 empresárias selecionadas receberam um aporte financeiro de R$ 32 mil para alavancar suas vendas. A iniciativa do Projeto Aceleração de Negócios de Empreendedoras Negras é comandada pela PretaHub, do Instituto Feira Preta, liderado por Adriana Barbosa com a colaboração de uma rede de mulheres embaixadoras líderes das cinco macro regiões do país.
A PretaHub opera há 20 anos na América Latina. A coordenadora Adriana sempre reforça em suas entrevistas que não é possível falar de empreendedorismo feminino sem destacar a importância do aporte financeiro. Nosso ganho no Estado está em ver essas pretas (que já estão andando com seus negócios) receberem o auxílio para amplificar suas iniciativas.
Além do valor financeiro também se abrem portas para o desenvolvimento dos negócios. As ganhadoras recebem ciclos de mentorias e terão participação em comunidades de mulheres negras empreendedoras de todo o Brasil.
Uma porta aberta sem precedentes que, com certeza, deve impulsionar os negócios de nossas pretas catarinenses assim como a das outras 43 espalhadas pelo nosso país. Foi um prazer escrever essa notícia!
Sobre as ganhadoras de SC
A dentista Renata da Rosa, da Clínic Dental Black, em Florianópolis, está entre as ganhadoras do recurso oferecido pelo projeto. A clínica existe há quatro anos, mas faltava investimentos. Com o dinheiro, Renata vai se especializar. “Estou fazendo capacitação em periodontia e implantodontia para não precisar terceirizar os serviços na clínica”, conta.
Dentista Renata da Rosa, da Clínic Dental Black – Foto: Divulgação/NDJamile de Souza Lima também é contemplada de Florianópolis. A empresa dela é a Interpres, primeira focada na tradução e interpretação de libras em Santa Catarina administrada por mulheres negras. Jamile tem hoje 50 funcionários. Com o dinheiro, pretende contratar novos colaboradores e investir em equipamentos. Segundo ela, ter a empresa é muito mais do que dinheiro, é ter vidas transformadas através do que se gosta de fazer.
Jamile de Souza Lima, da Interpres – Foto: Divulgação/NDA Zkaya é uma empresa de moda afro natural de Criciúma. Laís Zkaya está à frente do negócio, que hoje encontra-se em Salvador lutando para levar a empresa para outros estados. Com a verba, Laís vai investir em equipamentos e mídia, ampliando os canais de divulgação.
Laís Zkaya, da Zkaya – Foto: Divulgação/NDDiovanna de Souza Alves, dona da Diovanna Acessórios, também vai focar nos equipamentos com o prêmio. “Vou investir em maquinários para não precisar terceirizar serviços e também vou mudar a identidade visual da empresa”.
Diovanna de Souza Alves, da Diovanna Acessórios – Foto: Divulgação/NDConheça as outras 3 vencedoras e seus empreendimentos:
Adrivania Santos (Florianópolis)
Nude Seu Tom
“Vou investir em marketing e contratação de pessoal”
Adrivania Santos, da Nude Seu Tom – Foto: Divulgação/NDJaqueline Conceição da Silva (Florianópolis)
Coletivo di Jejê
Jaqueline Conceição da Silva, do Coletivo di Jejê – Foto: Divulgação/NDMaria Simony de Oliveira (Blumenau)
Confraria Kazumba
“Quando participei do projeto estava prestes de desistir. Com as mentorias e a verba, a Confraria vai passar por mudança de estrutura e tomará novos rumos!”.