Profissão empreendedora e super-heroína

Na visão romântica criada sobre o empreendedorismo, onde as “empreendedoras de vitrine” possuem uma rotina instagramável, é um desafio administrar a autocobrança

Renata Pegoraro Florianópolis

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Na visão romântica criada sobre o empreendedorismo, onde as “empreendedoras de vitrine” possuem uma rotina instagramável e uma carteira milionária, é um desafio administrar a autocobrança ao se lançar no mercado.

Na visão romântica criada sobre o empreendedorismo, onde as “empreendedoras de vitrine” possuem uma rotina instagramável, é um desafio administrar a autocobrança – Foto: Reprodução/Pixabay/NDNa visão romântica criada sobre o empreendedorismo, onde as “empreendedoras de vitrine” possuem uma rotina instagramável, é um desafio administrar a autocobrança – Foto: Reprodução/Pixabay/ND

Além disso, sendo o Brasil o 7º país com o maior número de empreendedoras, percebemos que a realidade passa longe do demonstrado nas redes sociais. Pois, a maioria delas não possui instrução, condição financeira, psicológica, nem rede de apoio preparada para esse movimento.

Mas diante de tantos desafios, por que, anualmente, centenas de mulheres se tornam autônomas e abrem as suas próprias empresas?

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A resposta para essa pergunta está fora das telas. Por vezes, a dificuldade financeira, uma reestruturação familiar ou a insatisfação com o modelo de trabalho tradicional surgem, e aí, a luz no fim do túnel se chama: renda extra! Nesses casos, o empreendedorismo se torna a única saída.

Histórias assim se repetem todos os dias, onde o desejo por criar uma nova realidade se confunde à necessidade de sobrevivência. Entretanto, após tantas lutas, as nossas “super-heroínas” passam por novas dificuldades: a depressão, a ansiedade e o estresse crônico.

Em um estudo realizado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), 15% dos empreendedores iniciaram o uso de medicamentos (antidepressivos ou ansiolíticos) em 2021. Além disso, 50,7% dos empreendedores entrevistados no estudo relataram ter recebido diagnóstico de ansiedade em sua trajetória profissional.

Diante de tantos desafios, do caos instalado em nossas rotinas, é preciso ter compaixão! Desta vez, por nós mesmas. Além de perceber que o sucesso não é um objetivo a ser alcançado, mas que ele já está no nosso cotidiano.

Conquistamos o sucesso ao pagarmos as nossas contas em dia, ao escolhermos alimentos pela qualidade e não pelo preço, ao dormirmos mais uma noite (exaustas), mas sem a incerteza financeira no dia seguinte. Ao percebermos que também somos rede de apoio para outras empreendedoras, contratando seus serviços, indicando o trabalho dessas profissionais, dividindo o palco da vida!

O empreendedorismo real pode ser cruel, transformador ou apaixonante. Que você tenha sabedoria para dar a ele o poder certo.