Reforma tributária: prefeitos de SC discutem com ministro da Fazenda sobre gestão do ISS

Fernando Haddad participou de um dos debates feitos durante encontro da Frente Nacional dos Prefeitos

Danila Bernardes Brasília (DF)

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Prefeitos de várias cidades do país estão em Brasília para o encontro da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP). Na tarde desta segunda-feira (13), eles se reuniram com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir a reforma tributária. De Santa Catarina, Topázio Neto, prefeito de Florianópolis, Mário Hildebrandt, de Blumenau, e Adriano Silva, de Joinville, participaram do debate.

Ministro Fernando Haddad fala da proposta que governo defende para reforma tributária – Foto: Danila Bernardes/ND+Ministro Fernando Haddad fala da proposta que governo defende para reforma tributária – Foto: Danila Bernardes/ND+

Fernando Haddad, durante seu discurso, disse que busca justiça tributária e que pretende discutir a proposta. “Não vamos sossegar até descobrir a forma de uma proposta que contemple todos nós. Esse é nosso desafio”, disse o ministro.

Prefeitos querem manter poder de gestão sobre o ISS

Os prefeitos não estão de acordo com a proposta que o governo defende. Eles querem a manutenção da autonomia municipal na gestão do ISS.

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O assunto já foi pauta de encontros anteriores. Os prefeitos são a favor da aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de número 46, que tramita no Congresso Nacional, que mantém o ISS, imposto pago por empreendedores que trabalham com prestação de serviços.

A alíquota mínima é de 2% e a máxima de 5%, e cabe aos municípios definir os valores cobrados dentro dessa faixa.

O governo tem a intenção de juntar outras duas propostas, PEC 110 e PEC 45, e montar um texto com base no que já foi discutido. Porém, para os prefeitos, essas PECs tiram do município a capacidade arrecadatória e com isso perdem a capacidade de gestão.

Hildebrandt pede garantias para cofres municipais

O prefeito de Blumenau fez questionamentos ao ministro da Fazenda. Segundo Hildebrandt, a cidade perdeu R$ 100 milhões de arrecadação de ICMS e que foram impactados com mudanças da noite para o dia. “Nossas obrigações continuam as mesmas, ninguém me perguntou sobre mudanças de planejamento ou de onde tirar recursos”, afirmou o prefeito durante o painel.

O chefe do Executivo blumenauense continuou a fala perguntando sobre as garantias que a reforma pode trazer para o tema do ISS.

“Temos expectativa que não haja perda. Mas se acontecer, quem vai pagar a conta? Quem vai suprir por isso? Qual é a garantia que temos? Onde vamos ter segurança que não haverá perda? Vai estar na Constituição?”

Haddad disse que pretende continuar a discussão de forma exaustiva. Que o país precisa reduzir a carga tributária, simplificar e só assim vai atrair investidores.

“É preciso ousadia e responsabilidade”, afirmou o ministro aos prefeitos presentes, e deu a entender que essa discussão é pequena diante do que a reforma pode trazer. “Queremos uma reforma robusta que podemos usufruir por muitos e muitos anos”, afirmou.

Prefeitos discutem distribuição de recursos

Adriano Silva, de Joinville, defende que a PEC 46 diminui a burocracia e permite a autonomia dos municípios. “É no munícipio que os serviços acontecem”, disse.

Já Topázio Neto, de Florianópolis, explicou que a proposta do governo faz com que o ISS vá para um fundo nacional e redistribuídos para os municípios. “As cidades maiores, como nosso caso, são contra porque vai trazer perdas.”

A Frente Nacional dos Prefeitos é uma entidade que envolve as maiores cidades do país. Ganhou destaque durante a pandemia cobrando investimentos e se posicionando contra algumas decisões do governo federal. Está foi a 84ª Reunião Geral da FNP.