De acordo com os dados da Climate Watch, cerca de 67% das emissões mundiais de gases de efeito estufa estão ligados ao uso de combustíveis fósseis e processos industriais. Os reflexos dessas atividades são sentidos nos fenômenos naturais e mudanças climáticas. Além disso, segundo o 6º relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a concentração de CO2 na atmosfera já é a mais alta dos últimos 2 milhões de anos.
Com a intenção de melhorar os dados e auxiliar na redução da emissão de gases, o estado tem implementado o projeto de Transição Energética Justa, que visa não só a geração e consumo de energia de baixo carbono, mas também gerenciar de maneira mais adequada a forma como utilizamos essas energias.
“Isso passa por uma transformação tecnológica que inclua novos processos que emitam menos gases como o dióxido de carbono e o metano. Descarbonizar não é acabar com os combustíveis fósseis, mas minimizar suas emissões de gases de efeito estufa”, explica o engenheiro de minas e presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral, Fernando Zancan.
O papel da engenharia na transição energética tem sido fundamental para que a mudança aconteça de maneira eficaz – Foto: DivulgaçãoA transição energética também se estende para o meio ambiente, na gestão de resíduos, eficiência energética, digitalização e outros meios necessários para atingir o objetivo de reduzir as emissões. De acordo com Zancan, “Com a mudança do modelo, esperamos também preservar os empregos e a economia das regiões afetadas pela alteração dos processos produtivos, incluindo a implantação de uma indústria de captura, utilização e armazenamento de CO2”.
Esse processo de transição está sendo realizado na região carbonífera do sul de Santa Catarina, em 15 municípios onde existem atividades de mineração, transporte ferroviário, geração termelétrica e uso de cinzas no cimento. O engenheiro Fernando explica que o objetivo é manter uma economia de 5 bilhões de reais por ano e 21 mil empregos qualificados aqui no estado.
A transição conta com um conselho que cuida de programas de diversificação e de reposicionamento econômico da região e da população que exerce funções na área de mineração de carvão e de geração de energia termelétrica a partir do carvão mineral.
O conselho atua no acompanhamento das ações judiciais relacionadas às questões ambientais existentes, e na identificação de fontes de recursos que poderão ser aplicados para recuperação ambiental da região. Fazem parte desse grupo, representantes do Governo Federal, do Governo de Santa Catarina, dos municípios da região carbonífera e associações de trabalhadores e da indústria carbonífera, além de dois representantes do Ministério de Minas e Energia (MME).
O papel da engenharia na transição energética tem sido fundamental para que a mudança aconteça de maneira eficaz. Em SC, neste projeto estão os profissionais da engenharia de minas que vêm desenvolvendo tecnologias para mudar o modelo de produção de alto carbono para baixo carbono.
O CREA-SC atua na fiscalização, orientação e valorização dos profissionais da engenharia. “O Conselho trabalha em diversas frentes, exaltando a responsabilidade técnica profissional e visando encontrar soluções sustentáveis para o crescimento e desenvolvimento do estado”, ressalta o presidente do CREA-SC, Eng. Civil e Seg. Trab. Kita Xavier.
Para Zancan, o apoio às atividades profissionais ligadas ao desenvolvimento é de extrema importância, visto que há uma extensa demanda no mundo para criação de tecnologias de baixo carbono.