Resultados das eleições podem mudar processos no Porto de Itajaí, diz superintendente

Fábio da Veiga conversou com a coluna e deu detalhes da fase atual do terminal, demonstrou confiança na operadora provisória e na manutenção da movimentação durante o processo de desestatização

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Fábio da Veiga tem 42 anos é graduado em direito, com especialização em Direito Empresarial e Negócios, nasceu em Itajaí e no primeiro mandato do prefeito Volnei Morastoni entre 2005 e 2008 já trabalhava no Porto de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina.

Agora, ele está no centro das discussões do processo de desestatização do Porto de Itajaí, afinal de contas é o superintendente de um dos terminais mais importantes do Brasil.

Fábio da Veiga conversou comigo no programa de rádio que apresento todas as manhãs na Rádio Clube FM e abriu o jogo sobre pontos importantes nesse momento vivido pelo porto.

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Em conversa com a rádio e com a coluna, Fábio detalhou situação do Porto de Itajaí – Foto: Almir Rodrigues/Divulgação/NDEm conversa com a rádio e com a coluna, Fábio detalhou situação do Porto de Itajaí – Foto: Almir Rodrigues/Divulgação/ND

Segundo ele, o processo de desestatização não começou agora, os estudos por parte do Governo Federal já começaram em 2019, Fábio lembra que tanto a superintendência, quanto a administração municipal concordam na participação da iniciativa privada na gestão portuária, mas com a manutenção da autoridade portuária ficando com o munícipio.

Em discordância clara com o Governo Federal que nunca escondeu o desejo de entregar todo o funcionamento da estrutura portuária pela modernização e competitividade do terminal.

A mobilização encabeçada pelo prefeito Volnei Morastoni (MDB) e por setores importantes de Itajaí acabou não surtindo efeito e Brasília manteve o processo da forma como desenhou.

“O Governo Federal não manteve a autoridade municipal e em junho deste ano nos informou que adiou em dois anos, o processo de desestatização”, disse.

Aí surgiu um novo problema, já que em 31 de dezembro de 2022 expira o contrato com a atual arrendatária, a APM Terminals assinado em 2001 ainda na gestão Jandir Bellini.

“Como a APM não atendeu as demandas, foi preciso lançar um processo simplificado para a gestão do porto durante 6 meses até que o Governo conclua o processo”, acrescentou.

Ele lembra que o contrato temporário pode ser renovado por até 2 anos.

Com o lançamento do processo simplificado e o anúncio da gaúcha CTIL Logística como vencedora,  segundo o superintendente surgiu a ‘celeuma’ de que a empresa não tem condições, nem histórico de manter a movimentação e linhas no Porto de Itajaí.

“Entendemos as preocupações do setor produtivo da cidade, da mão da obra, trazer linhas e contratos, não é algo que se faz do dia para noite, mas temos confiança de que o porto irá manter sua movimentação nesse período”, explica

Fábio em conversa com o colunista durante o “Jornal da Clube” – Foto: Almir Rodrigues/Divulgação/Fábio em conversa com o colunista durante o “Jornal da Clube” – Foto: Almir Rodrigues/Divulgação/

Quando perguntei sobre a qualificações e a expertise da empresa, Fábio citou que além de 100 anos de história, a CTIL comanda as operações do porto de Rio Grande no Rio Grande do Sul.

“Eles estiveram na cidade, conversaram com as associações do setor produtivo apresentando seu planejamento, acreditamos sim, que a empresa terá a capacidade operacional desejada. “

O superintendente do Porto de Itajaí reforça que os números e os recordes quebrados pelo Complexo Portuário são a prova de que sim, a operação se torna viável.

“No complexo, temos o segundo maior volume de cargas movimentadas no Brasil e um alto de nível de industrialização, o que é um chamariz para a atratividade dos nossos produtos”, acrescenta.

Sobre as futuras operações, Fábio detalhou que além das cargas conteinerizadas e de veículos, o porto pretende reforçar as operações com cargas gerais para movimentação de celulose e madeira.

Situação do Porto de Itajaí tem causado preocupação – Foto: Marcos Porto/SECOM Itajaí/Divulgação/NDSituação do Porto de Itajaí tem causado preocupação – Foto: Marcos Porto/SECOM Itajaí/Divulgação/ND

Para ele,  apesar dessas cargas não terem tanto valor agregado como os contêineres, são importantes para além da ocupação dos berços 3 e 4 e dos armazéns.

Itajaí consegue oferecer um leque maior de serviços aos clientes e diversificar sua operação e processos internos.

Agora, o porto de Itajaí aguarda que a Antaq assine o quanto antes com a CTIL para que a empresa possa iniciar suas atividades de forma provisória em janeiro e ao mesmo tempo que lance o edital de concessão definitivo.

(As gigantes APM Terminals do grupo Maersk e a MSC que entre outras empresas tem a Portonave em seu guarda-chuvas seriam duas interessadas em participar do processo).

Ainda na mesma entrevista, perguntei ao superintendente se os resultados das eleições presidenciais podem alterar os destinos do edital de desestatização do Porto de Itajaí.

Ele concordou e reforçou:

“Há discordâncias entre os planos de governo das duas candidaturas ao Planalto, mas seja qual for o resultado das urnas, precisamos seguir trabalhando para cumprir os prazos do que está em andamento”, finalizou.

Vale lembrar que o Governo Federal comandado por Jair Bolsonaro é entusiasta das concessões para a iniciativa privada, como bem mostrou o processo atual; enquanto um eventual governo Lula  poderia reduzir a participação privada e manter a presença pública, seja por município ou pela União.

Apesar do otimismo, algumas incertezas seguem rondando o porto mais importante de Santa Catarina.