O cenário paradisíaco da praia do Santinho, em Florianópolis, serviu de palco para os agradecimentos do fim da safra da tainha. O barco encostado fora da água indica que os trabalhos em alto mar já encerraram. Hora de guardar as redes, mas não sem antes receber as bênçãos e agradecer por mais uma temporada.
Mais de 100 mil pescados já foram capturados na Capital. Acompanhamento pode ser feito em plataforma. – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDEm números, essa safra foi menor do que a do ano anterior. Mas isso nem de longe tira o brilho e o encanto dessa tradição, que está cada vez mais viva por aqui. Já que a temporada da tainha acabou, então é hora de fazer um balanço de como foi a safra.
De acordo com o ‘Tainhômetro’ da Prefeitura de Florianópolis, 144.727 tainhas foram capturadas desde o dia 1º de maio, início da temporada. No ranking das praias, a Lagoinha do Norte ficou em primeiro lugar, com 28.765 tainhas. Em segundo, a Barra da Lagoa com 23.587. Em terceiro, a praia Brava que conseguiu capturar 15.801 tainhas. Os maiores lanços receberam medalha e prêmio.
“Foi uma pesca de qualidade e isso aqui simboliza a união do pescador, a boa pesca feita, uma safra com saúde, com harmonia. E é isso que a gente quer”, disse o patrão do Rancho Saragaço da Barra da Lagoa, que registrou o maior lanço, Laurentino Benedito Neves.
Em segundo lugar na categoria de maior lanço ficou o Rancho do Nildo, na praia Brava. Segundo o dono, Nildo Vilmar dos Santos, o rancho foi “bem sucedido com o segundo maior lanço do município. A comunidade acompanha, ajuda, puxa a rede, automaticamente leva o seu peixe também. Ajuda a renda familiar direta ou indiretamente. Ou seja, é uma satisfação enorme”.
O último domingo (31) marcou oficialmente o encerramento de mais uma safra da tainha. Segundo os próprios pescadores, mesmo não tendo sido das melhores em quantidade, agradecer é um gesto que não pode faltar. E claro, uma oportunidade de já começar a torcida animada para que a safra do ano que vem seja ainda melhor.
Para o prefeito da Capital, Topázio Neto, “a comunidade de pesca de Florianópolis pode continuar apostando e tendo certeza no apoio da prefeitura municipal à isso, que é uma grande tradição da cidade, a pesca artesanal. Em especial, a da tainha, que todo ano gera riqueza, gera emprego, gera movimento cultural na cidade”.
Alguns dos motivos que fizeram a safra não ser tão boa foram as mudanças no clima que afetaram a costa brasileira. “O ano passado foram 217 mil tainhas capturadas. Esse ano, 140 mil tainhas capturadas. Aquele ciclone extratropical em meados de maio prejudicou muito o peixe encostar aqui no litoral. Mas ano que vem estamos esperançosos para ultrapassar as 217 mil, quem sabe somando as duas a ter uma belíssima safra da tainha”, explicou o superintendente de Pesca, Maricultura e Agricultura de Florianópolis, Adriano Weickert.
A safra encerra mas não sem antes reconhecer quem apoia e valoriza a pesca artesanal. O apresentador da NDTV Raphael Polito foi homenageado com o título ‘Amigo do Pescador’, pelo incentivo à atividade que é um dos símbolos do litoral catarinense.
“Eu me senti muito honrado. Eu respeito demais esses homens que todos os dias encaram o mar. Encarar o mar é uma das maiores e mais incríveis lições da vida, porque é um exercício constante de resiliência. É a capacidade que esses homens mostram para a gente que é possível recomeçar. Porque nem todas as vezes que eles entram e encaram as adversidades eles têm a certeza de que vão trazer o peixe, e trazem”, contou Polito.
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