SC atinge maior nível de inadimplência em um ano com mais de 158 mil endividados

Economista explica que dado é reflexo da confiança crescente de famílias para voltarem a consumir combinada com alta taxa de juro

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Gabriela Ferrarez Florianópolis

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Santa Catarina atingiu o maior nível de inadimplência em um ano, 79%, segundo dados de julho do CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A taxa representa mais de 158 mil pessoas endividadas no Estado.

SC atinge maior nível de inadimplência em um ano com mais de 158 mil endividados no EstadoTaxa de inadimplência sofreu uma escalada em um ano – Foto: Energepiccom/Pexels/Divulgação/ND

A PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) da CNC mostra que a inadimplência ficou estável julho de 2022 a dezembro de 2022, mas sofreu uma escalada de janeiro até julho de 2023. Em 12 meses, o Estado registrou um aumento de 25 mil endividados.

A pesquisa leva em consideração dívidas de cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnês, financiamento de carro, financiamento de casa e outras.

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Dos 158 mil endividados, cerca de 62 mil afirmaram ter contas em atraso e 26 mil dizem não ter condições de pagar as dívidas.

Inadimplência é reflexo de confiança e juros altos, diz economista

Segundo Ivoneti Ramos, professora de economia e finanças Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), a tendência é de alta e reflete a confiança crescente de famílias para voltarem a consumir em 2022 combinada com uma taxa de juro de em média 13,75% ao longo de 2023.

“Por um lado a leve recuperação econômica de 2022, com crescimento do PIB em torno de 2,9% que gerou confiança nas famílias para voltar a consumir. Por outro lado, as taxas de juros dos últimos meses foram em média 13,75% ao ano, e isso pesou muito para as famílias que precisam ainda recorrer ao sistema de crédito”.

Segundo a economista, a inadimplência também pode ser explicada em função dos ajustes necessários após a quebra de renda causada pela pandemia. Esse contexto, conforme Ramos, comprometeu a renda de famílias a longo prazo.

Fatores como a saúde mental e a reconfiguração do mercado de trabalho também podem ser indicadores que afetam a renda e as decisões de consumo dos catarinenses, explicou a professora.

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