SC é destaque na produção de vinhos finos de altitude com bebidas premiadas no país e exterior

Pioneirismo da Villa Francioni abriu caminho para impulsionar a vitivinicultura e o enoturismo catarinense

Paulo Mueller Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

A construção parece um castelo em meio às montanhas de São Joaquim, em Santa Catarina. O prédio de quase 4.500 metros quadrados de área edificada foi idealizado por Manoel Dilor Freitas na década de 1990, em um projeto audacioso e pioneiro para a cidade. O fundador morreu antes de abrir a primeira garrafa de vinho produzida no empreendimento inaugurado em setembro de 2001.

A Villa Francioni abriu o caminho para a vitivinicultura na região, hoje consolidada pela qualidade das bebidas genuinamente catarinenses. Daniela Freitas, atual presidente do conselho da Villa Francioni e filha do precursor do negócio, lembra que a vinícola é um legado de um visionário cujo empreendedorismo estava no próprio DNA. “Fomos a primeira vinícola a se instalar na região e vamos completar 22 anos”, comenta.

Nesta safra, a Villa Francioni deve atingir a marca de 90 toneladas de uvas – Foto: Paulo Mueller/NDTVNesta safra, a Villa Francioni deve atingir a marca de 90 toneladas de uvas – Foto: Paulo Mueller/NDTV

O terroir da Villa Francioni está localizado a 1.260 metros acima do nível do mar e reúne as condições ideais para o cultivo de 12 castas de uva. Neste ano, a colheita atrasou em razão do clima dos últimos meses. Apesar da espera mais prolongada, esta deve ser uma safra rica em qualidade.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“A região aqui sofreu com as geadas na primavera. Isto fez com que reduzisse um pouco a produtividade de algumas variedades, mas com o início do outono se aproximando com dias quentes e noites frias, além da diminuição do volume de chuvas, se espera uma excelente qualidade”, aponta Nei Geraldo Rasera, enólogo da vinícola.

Nesta safra, a Villa Francioni deve atingir a marca de 90 toneladas de uvas. Os olhos de quem visita a Villa Francioni mal dão conta de alcançar no campo visual toda a imensidão do cultivo espalhado pela propriedade. Oito funcionários cuidam o ano inteiro das parreiras em um processo extremamente delicado e artesanal.

O trabalho é braçal sem o uso de máquinas para garantir o mínimo de perdas na hora da colheita. “Um grande vinho se inicia com uma grande uva. Então os cuidados que se têm no cultivo e manejo do vinhedo é muito importante porque refletirá no vinho que teremos lá na frente”, detalha Rasera.

Obra de arte em forma de bebida

A vinícola tem cinco andares com capacidade para produzir 300 mil garrafas de vinho por ano. Atualmente, a produção chega a 150 mil unidades. A estrutura física foi projetada com base no fluxo gravitacional, em que os desníveis da construção possibilitam a menor interferência mecânica no processo de fabricação dos vinhos de altitude e espumantes.

vinícolas da Serra têm receptivos abertos o ano inteiro para atender turistas – Foto: Paulo Mueller/NDTVvinícolas da Serra têm receptivos abertos o ano inteiro para atender turistas – Foto: Paulo Mueller/NDTV

Um laboratório instalado nas dependências do prédio conta com uma equipe especializada para acompanhar o desenvolvimento da fruta, a chegada da uva para o processo de separação, além do engarrafamento totalmente automatizado sem qualquer tipo de contato humano.

O ciclo completo proposto pela empresa transforma o resultado em uma verdadeira obra de arte com características únicas e reconhecidas pelo mercado nacional e internacional. “Temos 17 rótulos diferentes no nosso portfólio e recebemos premiações anualmente. Dois anos atrás recebemos a Decanter World Wine Awards, premiação que reconhece a nossa qualidade”, comemora Daniela Freitas.

Um lugar misterioso

A quatro metros abaixo do nível do solo fica a cave da Villa Francioni. A intensidade da iluminação é controlada para evitar a interferência da luz no amadurecimento do vinho. O clima é natural, com temperatura em torno de 12ºC. No local estão 300 barricas de carvalho francês. O custo de cada uma é em média de R$ 10 mil e a vida útil de até cinco anos.

Cada barrica armazena até 250 litros da bebida conservada no local entre 10 meses e três anos – Foto: Paulo Mueller/NDTVCada barrica armazena até 250 litros da bebida conservada no local entre 10 meses e três anos – Foto: Paulo Mueller/NDTV

Depois deste período é preciso trocar o barril para garantir a qualidade da produção. A barrica antiga é vendida pela vinícola para pessoas que usam, por exemplo, como peças decorativas. A média de preço do barril usado é de R$ 1.700.

Cada barrica armazena até 250 litros da bebida conservada no local entre 10 meses e três anos. O tempo varia conforme as características pretendidas, como nível de acidez e teor alcoólico. No período da vindima os turistas podem descer na cave, acompanhados por um guia. Conforme o roteiro escolhido é possível até degustar o vinho direto da fonte.

Colheita das uvas

As vinícolas da Serra têm receptivos abertos o ano inteiro para atender turistas vindos de todos os cantos do país em busca do chamado turismo de experiência. O visitante tem a oportunidade de conhecer mais de perto a produção dos vinhos da região serrana especialmente durante o período de abertura da colheita de uvas.

A Villa Francioni é uma das participantes da 9ª edição da Vindima de Altitude de Santa Catarina. Até o dia 26 de março é possível agendar passeios guiados em roteiros diferenciados em meio ao vinhedo e à charmosa edificação onde são produzidos os vinhos finos de altitude reconhecidos internacionalmente pela qualidade.

Marcus William da Silva Teixeira, empresário carioca, aproveitou a estadia na Serra catarinense para conhecer o empreendimento e até provar a bebida ao lado das parreiras carregadas com cachos de uva. “Realmente é uma experiência maravilhosa. Hoje temos no país os melhores vinhos”, reconhece o turista.

Os funcionários acompanham os visitantes que chegam repletos de curiosidades. “Uma das perguntas mais frequentes dos turistas é como as uvas vêm se adaptando à região por ser um clima frio, diferente”, comenta Sidney Ribeiro, um dos guias da Villa Francioni. A vinícola impressionou a enfermeira Roberta Luiza Salum, turista de Florianópolis. “A experiência de ver a parreira cheia e provar a uva é única”, destaca.

João Freitas, filho do fundador da Villa Francioni, seguiu a mesma paixão do pai pelos vinhos. Em 2013, concretizou a abertura da vinícola Thera, em Bom Retiro. O nome é uma homenagem à Therezinha Borges de Freitas, mãe de João, e carinhosamente chamada de Thera por Manoel Dilor de Freitas. “Nós somos uma vinícola jovem, mas já tínhamos a experiência e o caminho trilhado pela Villa Francioni”, comenta. O empreendimento também integra a programação da vindima.

O enoturismo tem contribuído para o desenvolvimento do setor. Em São Joaquim, a cadeia produtiva de vinhos finos de altitude e espumantes ocupa a terceira posição na economia da cidade. “Estamos muito felizes porque temos a pecuária, a fruticultura, o enoturismo e a vitivinicultura entrando como um pilar forte no desenvolvimento turístico econômico de São Joaquim e da região”, reforça o prefeito de São Joaquim,  Giovani Nunes.

Serviço

O que: 9ª Vindima de Altitude de Santa Catarina

Quando: até 26 de março

Onde: vinícolas participantes

Quanto: preço varia conforme o roteiro e a vinícola

Informações: www.vinhosdealtitude.com.br