Setor de transportes de SC alerta sobre prejuízos com bloqueios na BR-376: ‘muito prejudicial’

BR-376, no trecho próximo à divisa entre SC e PR, tem sido bloqueada com frequência após grande deslizamento de encosta em 2022

Foto de Fernanda Silva

Fernanda Silva Joinville

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Desde o deslizamento que atingiu a BR-376 em novembro de 2022, causando duas mortes, o trecho próximo à divisa entre Paraná e Santa Catarina vem sendo bloqueado com frequência em períodos de fortes chuvas. E as inúmeras ocorrências de bloqueio já prejudicam a economia catarinense, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Estado.

Deslizamento na BR-376 deixou duas pessoas mortas em novembro de 2022 – Foto: Governo PR/Divulgação/NDDeslizamento na BR-376 deixou duas pessoas mortas em novembro de 2022 – Foto: Governo PR/Divulgação/ND

Para Jácomo Isotton Neto, empresário do setor de transportes e presidente do Consep (Conselho das Entidades Patronais) da Acij (Associação Empresarial de Joinville), os bloqueios prejudicam a economia local pois encarecem os custos logísticos, atrasam entregas e reduzem a competitividade das empresas locais em detrimento de outras.

Durante os bloqueios, a Arteris Litoral Sul, concessionária que administra o trecho, e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) indicam como rota alternativa a BR- 280 ou, ainda, a BR-470, em Navegantes, e a BR-116, que dobram o tempo de viagem e custos.

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“Nós sabemos que estas duas rotas alternativas dobram o tempo e o percurso, então seria só uma solução meramente paliativa. Na verdade, mesmo [as empresas] utilizando, acabam prejudicando a qualidade de serviço com seus clientes, prazos de entrega e também o custo. Isso é muito prejudicial”, comenta Jácomo.

Bloqueios prejudicam setor de transportes e economia local, segundo entidades – Foto: Mikael Melo/NDTVBloqueios prejudicam setor de transportes e economia local, segundo entidades – Foto: Mikael Melo/NDTV

Além dos problemas com as empresas, o representante da Acij também lembra dos trabalhadores que utilizam a BR-376 para se deslocar ao trabalho e até de quem usa a rota para lazer. O que, além de impactar as próprias pessoas, prejudica também o setor do turismo.

“[As pessoas] deixam de trafegar e usufruir, deixam de promover os setores econômicos e do turismo [da região] por causa dessas inseguranças e problemas de congestionamentos”, afirma.

“O Estado perde com isso. Sabemos a importância da nossa região, do Nordeste catarinense. Nós precisamos resolver a questão da BR-376 com precaução, engenharia e se precaver aos períodos de chuva, mas temos que encontrar soluções para não comprometer a questão econômica e não gerar insatisfação de todas as pessoas que vivem na região”, opina.

Diante do atual cenário, a Acij chegou a enviar um ofício à Arteris, ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) sobre o plano de ação para a BR-376.

Empresas de transporte são afetadas pelos bloqueios na BR-376

O Setracajo (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Joinville) também avalia de forma negativa os constantes bloqueios na BR-376, que impactam no setor.

“Os bloqueios alteram o tempo de viagem e os prazos de entrega comprometendo de forma expressiva os custos das operações. Normalmente, os embarcadores não absorvem esses custos, ficando a conta para o transportador”, diz Paulo Zendron, presidente da entidade.

Segundo ele, muitas empresas já estão buscando fornecedores fora da região para evitar o risco de desabastecimento em função dos bloqueios, o que tem consequências não apenas para o setor de transportes, mas também para a economia como um todo.

Zendron fala ainda sobre a dificuldade com as rotas alternativas. “Em nossa região, as rotas alternativas, como a Serra Dona Francisca, também são limitadas em função do volume de tráfego e tipos de veículos de carga, e também tem tido bloqueios constantes em função dos danos causados pelas chuvas e aumento de acidentes em função do aumento de fluxo”, destaca.

Rotas alternativas também são precárias, segundo o presidente do Setracajo – Foto: Raphael Augustus/ricTVRotas alternativas também são precárias, segundo o presidente do Setracajo – Foto: Raphael Augustus/ricTV

Quais são os planos para a BR-376

À reportagem do Portal ND+, a Arteris Litoral Sul informou que após os deslizamentos precisou tomar algumas medidas preventivas no trajeto da Serra do Mar. Entre estas medidas está o bloqueio feito preventivamente em razão, por exemplo, de altos índices de chuva acumulada, de modo a garantir a segurança de quem trafega pela rodovia.

Para resolver o problema, a concessionária realizou obras de contenção previstas para o talude do lm 668,8, onde ocorreu o deslizamento em novembro. Em dezembro, a Arteris concluiu a implantação de uma tela dinâmica, criando uma barreira de segurança que impede a movimentação de material sobre a pista em caso de deslizamentos. Essa condição possibilitou uma nova configuração da rodovia, que liberou mais faixas para o trânsito.

Os trabalhos da concessionária no local permanecem, informou a Arteris. A elaboração do projeto inclui investigações geotécnicas e implantação de drenos sub-horizontais, inclusive fora da faixa de domínio da concessionária, que embasam análises técnicas e estudos aprofundados para uma obra definitiva no local, levando em consideração, ainda, a execução concomitante com o tráfego existente no local. Após conclusão do projeto, o mesmo segue para análise e aprovação da ANTT.

Diversas obras de contenção estão sendo realizadas simultaneamente na Serra do Mar, segundo a Arteris, visto que alguns pontos de encostas foram afetados pelas chuvas atípicas do final de 2022. Somente neste segmento são quatro projetos em andamento no sentido Sul da pista.

Além do talude do km 668,8, também estão sendo realizados trabalhos no km 668,7, km 668,9 e km 669. Nesses três pontos estão sendo realizadas obras de contenção aplicando a solução de solo grampeado.

Já no sentido Norte, os trabalhos acontecem no km 668,6, no qual a concessionária executa obras de estabilização de maciço rochoso, com solo grampeado, concreto projetado e terramesh (muro). No local havia uma cortina de concreto que também teve sua estrutura afetada pelas chuvas e precisou de um novo projeto de contenção. A previsão de conclusão dessa obra é julho de 2023, com a liberação do acostamento e terceira faixa no local (sentido Norte).

A concessionária reforça que realiza o monitoramento constante do trecho concedido, especialmente os pontos na serra da BR-376, podendo tomar medidas preventivas como bloqueios temporários para garantir a segurança na via.

Já a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informou que, por meio de sua equipe de fiscalização, segue acompanhando as intervenções da Arteris Litoral Sul para solução permanente dos trechos afetados por deslizamento, em novembro do ano passado.