Simpatia, qualidade e disposição: ambulante há 20 anos revela como faz sucesso na praia

Sorriso no rosto é um dos trunfos de Maria Albertina Pereira Rodrigues, que há 20 anos percorre a praia de Canasvieiras, em Florianópolis, no comércio ambulante

Nícolas Horácio Florianópolis

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Na praia de Canasvieiras, Norte da Ilha, a simpatia de Maria Albertina Pereira Rodrigues é um atrativo para o carrinho onde, ao lado do marido, prepara drinques variados.

Maria, vendedora ambulante em CanasvieirasMaria tem 20 anos de experiência como ambulante em Canasvieiras – Foto: Leo Munhoz/ND

“Gosto de tratar bem as pessoas. Como eu gostaria de ser tratada em qualquer lugar. Isso é o que me encanta. Gosto de tratar todo mundo de igual para igual”, diz a comerciante, natural de Alegrete, no Rio Grande do Sul.

Aos 55 anos de idade, sendo 20 deles dedicados ao trabalho na areia, Maria avalia que, nos últimos anos, as pessoas passaram a ter “mais respeito, mais educação”.

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Sobre o faturamento como ambulante, disse que não é sua preocupação: “Eu acredito que, se a gente gosta de trabalhar e trabalha bem, não importa.”

O marido, Paulo Roberto de Almeida, 54 anos, pegou o barco andando. Ele está há oito anos na atividade e, antes disso, morava na Europa, e trabalhava numa agência de turismo. Paulo Roberto gosta de decorar drinques e sua especialidade é o servido no abacaxi.

O casal garante que só escolhe produtos de qualidade para comercializar no Piratas da Praia, o carrinho deles. “Assim como eu gosto de tomar água mineral em casa, vou trazer para o cliente água mineral, não vou trazer qualquer coisa”.

Segundo Maria, o público não reclama dos preços. “Para nós, por enquanto, não. Tem qualidade. Tudo que tem qualidade, que for bem feito, a pessoa não reclama. Tem para todos os bolsos”, defende a comerciante, apresentando o cardápio com preços que variam de R$ 15 a R$ 30.

A cabeleireira Patrícia Fernanda, 38 anos, também gaúcha, mas de Cruz Alta, está há cinco meses em Florianópolis. “Ouvi falar muito bem dela, gostei e virei cliente. Eu moro para lá e venho até aqui só para comprar com ela. Para mim, é a melhor. Sem falar na simpatia. Adoro a dona Maria”, conta Patrícia.

“Vamos aproveitar a temporada e trabalhar”

O dia a dia de Maria é de luta. “A gente trabalha pra caramba. Acordamos, eu e meu marido, às seis e meia por aí. Vamos à feira e ao mercado todo dia e, nem sempre, dá tempo de tomar café em casa. Vamos aproveitar a temporada e trabalhar”.

Ao chegar em casa, a dupla faz a limpeza do carrinho para começar tudo de novo no dia seguinte. “Nove horas a gente está aqui para ficar até às oito da noite. Às vezes, passa um pouquinho do horário, mas o importante é o atendimento sair bem”, ressalta a ambulante.

ambulantes de CanasvieirasMaria e Roberto têm rotina puxada juntos, mas preferem atendem com sorriso no rosto – Foto: Leo Munhoz/ND

Ela admite que o cansaço bate, mas só em casa. “Se você chegar aqui às nove da manhã, vai me encontrar rindo, se me encontrar à noite, também”.

Maria diz que quem conhece seus drinques e vai mais de um dia à praia acaba comprando de novo. Para manter a clientela interessada, ela capricha na criatividade.

“Ano passado, inventamos sensação de verão, beijo na boca e amor perfeito. Ano passado saía muito, esse ano nem se fala”. Sobre o movimento da atual temporada, Maria pensa como a maioria dos ambulantes em Canasvieiras:

“A gente está trabalhando, mas eu gostaria que tivesse melhor. Vieram poucos argentinos ainda. Espero que venham mais”. Questionada se algo a entristece, Maria Albertina é enfática: “Aqui, não!”

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