A variação do volume de vendas no comércio varejista comparando o período pré e pós-pandemia no Brasil registrou crescimento de 3,8%. Enquanto isso, em Santa Catarina, o crescimento foi de 16,5%.
Palestra de Renato Meirelles – Foto: Leo Munhoz/NDApresentando esse e outros dados através de Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, o Grupo ND ofereceu um café da manhã na quarta-feira (21) com informações animadoras para o varejo catarinense, em especial supermercados, mas também fez um alerta importante: como é um oásis de oportunidades, vai atrair cada vez mais investidores, aumentando a competição de marcas.
O evento, em Balneário Camboriú, ocorreu na manhã de ontem, no hotel Mercure Camboriú Internacional, e também abordou estudos sobre comportamento, cultura, consumo e opinião, com estatísticas que Meirelles acompanha desde 2001.
SeguirPresidente do Grupo ND, Marcello Corrêa Petrelli disse que a empresa tem por essência não só fazer o relacionamento comercial, mas também de ideias, inovação e informação.
Ele acredita que o varejo de alimentos catarinense é um dos maiores e mais preparados do Brasil, e que é fundamental fornecer ainda mais dados relevantes ao setor.
Marcello Petrelli, presidente do Grupo ND – Foto: Leo Munhoz/ND“O Renato Meirelles é a cabeça mais preparada do Brasil hoje em relação à pesquisa de comportamento de consumo, principalmente na área de varejo de alimentos. Trazer ele para conversar e apresentar o que há de mais atual em hábito de consumo é uma forma de contribuir para que o setor esteja ainda mais preparado e possa se desenvolver cada vez mais”, disse Petrelli.
Cenário animador e desafiador
Ao ND, antes da palestra, Renato Meirelles ressaltou que, em poucos Estados, encontra-se um consumidor tão exigente quanto o catarinense.
“Não quer pagar mais caro e não quer produto ruim e baratinho, que visita formatos diferentes de loja, ampliando seu repertório de consumo. Depois da pandemia, vivemos momentos de retomada na economia. As marcas e os varejistas que chegarem primeiro nesses consumidores, entendendo seu jeito de pensar e comprar, suas expectativas de consumo, serão os que melhor aproveitarão a retomada econômica que está por vir”, afirmou Meirelles.
Na visão dele, tecnologia será ainda mais importante pela possibilidade de receber uma oferta customizada, de acordo com o seu padrão de consumo, ter listas de compras automatizadas, ofertas específicas por comportamento de consumo, que ele considera ativos importantes no relacionamento entre marcas e clientes.
“Investir em tecnologia nunca foi tão importante para fidelizar um consumidor disputado por um número cada vez maior de marcas”, disse.
Gilberto Kleinubing, Renato Meirelles, Marcello Petrelli e Roberto Bertolin – Foto: Leo Munhoz/NDEm relação ao crescimento no consumo varejista catarinense, quase quatro vezes maior do que no restante do Brasil, Meirelles reforça que isso coloca esse consumidor em disputa e que o dado chama atenção das grandes marcas nacionais.
“Entender esse consumidor com olhar regional é fundamental para fazer o seu negócio crescer e proteger o mercado catarinense das grandes marcas de atacado e varejo que, a todo momento, tentam entrar no Estado”, frisou.
Meirelles reforça sua tese com mais dados. O consumidor catarinense tem uma média de renda muito maior do que no resto do Brasil. Foram mais de R$ 40 bilhões em produtos comprados dentro dos supermercados para o consumo do lar.
Na visão dele, um cliente tão importante quanto Santa Catarina será cada vez mais disputado.
“Se tem um Estado que todas as grandes redes nacionais não conseguem entrar de forma competitiva é Santa Catarina. Isso se dá por características regionais e pela competência de abertura de loja e conhecimento de jeito regionalizado de atendimento do Estado”, ressaltou Meirelles.
A importância do comportamento de compra dos consumidoresCom tantos dados positivos, para Meirelles, Santa Catarina começa a atrair ainda mais varejistas e atacadistas concorrentes, e com mais peso de investimento.
“Para se blindar da concorrência externa, nunca foi tão importante conhecer a fundo o comportamento de compra dos consumidores de supermercado. A importância do merchandising cresce substancialmente, da comunicação regional. Quanto mais localizada e próxima da realidade do consumidor, maior a chance dele acreditar”.
No país, os desafios são mais profundos. Em fevereiro de 2017, com menos de 40% do salário mínimo era possível comprar uma cesta básica. Em junho de 2020, início da pandemia, era preciso 47%. Hoje, é preciso 56% do salário mínimo para adquirir uma cesta básica.
“Estamos falando de um período de inflação de alimentos que ‘comeu’ a renda dos brasileiros, tirou a chance dos supérfluos, levou ao achatamento da participação das marcas líderes”, ressaltou o palestrante. Comentando recente pesquisa com consumidores, ele mencionou que a maior necessidade do consumidor hoje é reduzir compras desnecessárias.
Santa Catarina, um oásis de oportunidades
- Santa Catarina tem a menor proporção de população pertencente às classes D e E. Só perde em A e B para Distrito Federal.
- Em SC, 36% são classe A e B. A média nacional é 24%.
- Só 8% são classe D e E no Estado.
- SC tem a quarta maior renda média do trabalho do Brasil: R$ 3.156, contra R$ 2.719 do país.
- SC tem um dos melhores IDHs
- Menor taxa de desemprego
- Uma das rendas salariais médias mais altas do país
De olho nas mudanças
Diretor de marketing e comercial do Mundial Mix, que administra os Supermercados Imperatriz e Brasil Atacadista, Julio Cesar Lohn acredita que o varejo precisa se preparar e elogiou a iniciativa do Grupo ND.
Ele conta que, quando a empresa passou a apostar também nos atacarejos, acompanhou uma tendência do consumidor.
“Estamos no ramo de distribuição de alimentos e o supermercado é um dos meios. Tendo o consumidor no centro das decisões, ele viu que esse canal [lojas de atacado] era adequado para ele em algumas situações de consumo, como o abastecimento. O atacarejo veio para isso e entendemos que não poderíamos ficar de fora”, afirmou Lohn.
Head de novos negócios da Agricopel/Mime, Carlos Miguel Ziegler mostra que, além do atacado, também é possível crescer com mercados de bairro. O começo foi em Jaraguá do Sul, há três meses. Em duas semanas, loja nova em Joinville, depois outra, até chegar a 100 no Estado.
“Temos um número de itens para atender a reposição das famílias, uma oferta grande de produtos, serviços como padaria, açougue, tudo que um mercado convencional tem, mas com a proximidade geográfica e social, aquela coisa de chamar o cliente pelo nome”, registrou Ziegler.
Diretor regional do Grupo ND em Florianópolis, Roberto Bertolin ressaltou que os dados apresentados por Meirelles demonstram a necessidade de entender, cada vez mais, a cabeça do consumidor e o comportamento de consumo das pessoas.
Roberto, Bertolin, diretor regional do Grupo ND em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND“É fundamental para o varejo. Trazer uma pessoa como o Meirelles para um estudo em Santa Catarina e fornecer isso com os varejistas de alimentos catarinense é essencial. Ficamos muito satisfeitos pelo encontro”.