Talento e empreendedorismo: por que Florianópolis lidera ranking nacional de economia criativa

Florianópolis aparece em primeiro lugar em ranking de economia criativa produzido pelo IPDEC, com índice de 0,85 em uma escala que vai até 1

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Gabriela Ferrarez Florianópolis

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Florianópolis é a líder no Brasil no quesito economia criativa, apontou o IDPEC (Índice de Desenvolvimento Potencial da Economia Criativa). Em uma escala de 0 a 1, a Capital catarinense tem um índice de 0,85, promovido por fatores como talento, conexões, ambiente cultural e empreendedorismo.

Talento e empreendedorismo puxam Florianópolis para 1º lugar do Brasil em Economia CriativaModa reúne o maior número de estabelecimentos do setor – Foto: cottonbro studio/ Pexels/ Reprodução/ ND

A Capital liderou separadamente nas categorias levadas em consideração para mensurar o potencial do setor nas capitais brasileiras. Florianópolis marcou 0,9 na Dimensão Talento e 0,7 tanto na Dimensão Atratividade e Conexões quanto na Dimensão Ambiente Cultural e Empreendedorismo Criativo.

Além de Florianópolis, as cidades de Vitória, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba também figuraram no top 5 do ranking.

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O resultado superou cidades como São Paulo, que está localizado na região Sudeste, que lidera em número de empresas de economia criativa, com mais de 56 mil negócios no ramo.

  1. Florianópolis: 0,85
  2. Vitória: 0,71
  3. São Paulo: 0,68
  4. Rio de Janeiro: 0,65
  5. Curitiba: 0,61

Economia criativa vai gerar 1 milhão de empregos até 2030

A economia criativa irá gerar um milhão de novos empregos até 2030. Aumento este que elevará, em consequência, a atual participação de 3,11% do setor no PIB (Produto Interno Bruto).

As informações são do ONI (Observatório Nacional da Indústria), núcleo de inteligência e análise de dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria)

A economia criativa emprega hoje 7,4 milhões de trabalhadores no Brasil, segundo dados da PNAD contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), para o 4º trimestre de 2022. O volume pode subir para 8,4 milhões em 2030.

Para a Agência Brasil, o gerente-executivo do Observatório, Márcio Guerra, o crescimento é resultado de uma necessidade de inovação e criatividade em conteúdos digitais.

“Isso está associado a uma necessidade de sobrevivência e inovação na sociedade como um todo. Não só na indústria”, pontuou. “Essa cultura digital deve impulsionar essa demanda de forma significativa, nos próximos anos.”

Perfil de emprego e trabalhador da economia criativa

Guerra explicou que o aumento do número de empregos projetado para a economia criativa ocorrerá tanto no mercado formal, com carteira assinada, como no informal.

O levantamento do observatório mostra que os profissionais da economia criativa possuem, em média, 1,8 ano de estudo a mais que os demais e recebem salários 50% maiores do que os profissionais de outras áreas. O salário médio do profissional da economia criativa é R$ 4.018, enquanto dos demais setores fica em torno de R$ 2.691.

Os salários mais altos são encontrados na parte de produção cultural e de criatividade relacionada à tecnologia, incluindo produção de aplicativos, desenvolvimento de softwares (programas de computador), design, desenvolvedores de games (jogos).

No entanto, segundo o IDPEC, o fato de capitais do Sudeste e do Sul do Brasil ocuparem 7 das 8 primeiras posições na Dimensão Talento revela a enorme desigualdade regional no país, particularmente em relação à educação básica e superior.

Microempresas puxam crescimento da economia criativa

Dentre os estabelecimentos da economia criativa no Brasil, 111,2 mil estão concentrados em micro e pequenas empresas. As médias e grandes empresas juntas representam menos de 6 mil estabelecimentos.

Conforme o levantamento, há uma concentração elevada de empresas de economia criativa no Sudeste (56.222) e no Sul (31.643) do país.

Estabelecimentos da economia criativa por região

  • Sudeste: 56.222
  • Sul: 31.643
  • Nordeste: 16.880
  • Centro-oeste: 9.438
  • Norte: 2.939

Setores que devem liderar a criação de empregos

  • Publicidade e serviços empresariais
  • Desenvolvimento de softwares e serviços de TI
  • Arquitetura
  • Cinema, rádio e TV
  • Design

Ocupações com o maior potencial de emprego

  • Publicitário e afins
  • Trabalhadores das áreas da tecnologia da informação
  • Desenvolvedores
  • Trabalhadores da área da moda
  • Desenhistas, artesão e afins

O que é economia criativa

De acordo com o Sebrae, “economia criativa é um termo criado para nomear modelos de negócio ou gestão que se originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos com vistas à geração de trabalho e renda”.

“Diferentemente da economia tradicional, de manufatura, agricultura e comércio, a economia criativa, essencialmente, foca no potencial individual ou coletivo para produzir bens e serviços criativos. De acordo com as Nações Unidas, as atividades do setor estão baseadas no conhecimento e produzem bens tangíveis e intangíveis, intelectuais e artísticos, com conteúdo criativo e valor econômico”, explica o órgão.

Grande parte dessas atividades vem do setor de cultura, moda, design, música e artesanato. Outra parte é oriunda do setor de tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular. Também estão incluídas as atividades de televisão, rádio, cinema e fotografia, além da expansão dos diferentes usos da internet (desde as novas formas de comunicação até seu uso mercadológico), por exemplo, ponta o Sebrae.

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