Santa Catarina é uma grande importadora de milho devido ao alto consumo do grão na cadeia produtiva de carnes e leites – Foto: DivulgaçãoHá aproximadamente cinco anos a Cravil levou para o Vale do Itajaí uma nova possibilidade: implementar as culturas de inverno.
Com a chegada das temperaturas mais frias e o clima seco, muitos produtores passam a plantar gramíneas, oleaginosas ou leguminosas, por exemplo, para aumentar a fertilidade do solo para o restante do ano, incrementar a renda nessa época e reduzir as chances de pragas e plantas daninhas.
Inicialmente a aposta da cooperativa foi no trigo, que tinha boa possibilidade de se adaptar ao solo e ao clima da região. Diante disso, em 2018 foram escolhidas duas propriedades que começaram os trabalhos com o trigo e o triticale após as colheitas de verão. O desafio era chegar ao patamar ideal de qualidade.
Segundo Moacir Warmling, Gerente Operacional da Cravil, eles já sabiam que seria difícil chegar à qualidade do trigo específico para a panificação, já que o Vale do Itajaí tem, naturalmente, um inverno mais úmido. Porém, a experiência estava bem encaminhada e o teste teve início comprovando que seria raro chegar ao Trigo Tipo 1 anualmente.
“ – Com bom manejo e fazendo tudo certo, definimos que teríamos o Trigo Tipo 1 apenas uma vez a cada cinco anos, aproximadamente. Aí veio a dúvida: e o que fazer com esse trigo agora?” – revela Moacir.
Rapidamente a dúvida foi sanada e o trigo passou a ser usado na fabricação de ração animal. O gerente conta que a parte de nutrição foi avaliada e aprovada, abrindo-se uma porta para que a cultura de inverno se consolidasse.
Santa Catarina é uma grande importadora de milho devido ao alto consumo do grão na cadeia produtiva de carnes e leites. Atualmente, o agro catarinense consome mais de sete milhões de toneladas de milho por ano e grande parte é importado de outros estados ou países. Já com o uso do trigo na ração, o cenário pode mudar.
“- Essa é uma experiência nova, mas que deve movimentar a economia. Temos certeza que, com a junção de esforços do poder público, da pesquisa, do cooperativismo, das indústrias e do produtor rural, os cereais de inverno destinado a ração animal vêm para dar mais sustentabilidade à economia catarinense e, principalmente, dentro das pequenas propriedades rurais” – explica Harry Dorow, presidente da Cravil.
Vantagens das culturas de inverno
A rotação de culturas traz muitos benefícios que vão além da condição econômica. O próprio processo da colheita ajuda a preparar a terra para o plantio de verão, que geralmente é o de soja. Com o solo mais protegido, as ervas daninhas e doenças diminuem.
“- Com um ano de cultura percebemos os ganhos em diversas áreas, principalmente no solo. E além do mais, os cereais de inverno servem para a diversificação da propriedade” – comenta Paulo Bossi, produtor de Santa Terezinha.
Altair Silva, secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, em atividade em 2021, acredita que à medida em que Santa Catarina produz mais insumos, mais fortalece a economia e gera mais divisas e renda para o Estado.
“ – Nós inauguramos aqui na região da Cravil, em Ituporanga, a primeira colheita de Santa Catarina de cereais de inverno vocacionada para a fabricação de ração, um passo importante, para que o produtor possa fazer a rotação de cultura de maneira adequada, que possibilita manter o solo cultivado o ano inteiro, protegendo assim o meio ambiente e gerando mais renda. Portanto, um programa autossustentável e de grande viabilidade econômica, que começa a dar resultados positivos para a economia catarinense” – conclui.
Aumento da produção
A produção das culturas de inverno começou a ser mensurada com precisão a partir de 2020 pela Cravil. Nesse ano, foram recebidos 50 mil sacos de trigo e triticale. Já no ano de 2021, subiu para 250 mil sacos.
O Gerente Operacional da Cravil, Moacir Warmling, conta que o produtor passou a se sentir mais seguro e começou a perceber que poderia ter uma boa lucratividade.
Pela rusticidade do triticale, cereal obtido a partir do cruzamento do trigo com o centeio, no início do projeto de inverno dentro da Cooperativa, se imaginou a melhor adaptação na região de atuação, contudo, a partir das áreas experimentais, foi possível constatar variedades de trigo muito produtivas.
“- Sabia-se no início que o triticale era a opção mais resistente a doenças e pragas e pouco exigente quanto ao solo. Contudo, em área de pesquisa junto a Epagri, pudemos observar na prática mais de 30 variedades entre trigo, triticale e centeio, e o direcionamento, de certa forma, está voltado um pouco mais para o trigo neste momento” – explica Gentil Colla Junior, gerente de Inovação, Sementes e Tecnologia da Cravil.
Para saber mais sobre as ações sociais e ambientais que a Cravil promove para os cooperados, assim como os produtos que ela oferece, acesse o site: www.cravil.com.br.