Dólar fecha em alta nesta sexta (30/5): ‘nova guerra comercial’ e pressão sobre IOF no radar

Moeda norte-americana sobe 0,96% refletindo tensão internacional e incertezas internas, mesmo com queda no desemprego no Brasil

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Deny Campos Florianópolis

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Valor do dólar fecha em alta nesta sexta-feira (30)Valor do dólar fecha em alta nesta sexta-feira (30), com possível novo conflito comercial entre EUA e China – Foto: Deny Campos/Arte/ND

O valor do dólar fechou o dia em alta nesta sexta-feira (30), conforme o Banco Central do Brasil. Pela manhã, a moeda norte-americana estava custando R$ 5,89. Na quinta-feira (29), o fechamento ficou em R$ 5,66.

A moeda americana encerrou o pregão desta sexta-feira com valorização significativa, superando novamente a barreira psicológica de R$5,70. O movimento acompanhou a forte valorização do dólar nos mercados internacionais, impulsionado pela escalada das tensões comerciais entre EUA e China.

O dólar comercial fechou o dia com alta de 0,96%, cotado a R$5,7205. No acumulado semanal, a moeda norte-americana registrou valorização de 1,30%, enquanto no mês o avanço chegou a 0,78%. No mercado futuro, o contrato para julho (que assumiu a posição de maior liquidez nesta sexta) encerrou com ganhos de 0,83%, negociado a R$5,7530 às 17h05.

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Confira a cotação atualizada do valor do dólar hoje

Dólar comercial

  • Compra: R$ 5,720
  • Venda: R$ 5,720

Dólar turismo

  • Compra: R$ 5,678
  • Venda: R$ 5,858

O que fez o dólar subir?

O valor do dólar subiu apesar da decisão judicial que bloqueou as tarifas comerciais de Trump, pois o mercado antecipou que a Casa Branca recorrerá da medida, mantendo as incertezas sobre a política comercial dos EUA. A sessão também foi marcada pela disputa entre agentes financeiros pela formação da taxa Ptax mensal.

A Corte de Comércio Internacional invalidou as tarifas com base em que o Congresso, e não o presidente, tem autoridade exclusiva sobre comércio exterior, mas o governo já sinalizou que buscará alternativas legais. Apesar da queda inicial do índice dólar (-0,75%), a perspectiva de novos conflitos comerciais pressionou o câmbio.

O fraco desempenho da economia americana (contração de 0,2% no 1º trimestre) e as acusações de Trump contra a China por suposto descumprimento de acordos aumentaram a aversão a risco. Internamente, a indefinição sobre o aumento do IOF no Brasil, com possibilidade de derrubada no Congresso, também pesou no câmbio.

Apesar dos dados positivos no Brasil (desemprego em 6,6% e alta de 3,2% na renda), o valor do dólar fechou em alta devido ao cenário externo volátil. O mercado precificou que o BC manterá os juros em 14,75%, mas a combinação de incertezas globais e fiscais domésticas sustentou a valorização da moeda americana frente ao real.