A mesa do catarinense está cada dia mais vazia ou mais seletiva. É unânime: está difícil acompanhar o aumento dos preços dos produtos do setor alimentício nos supermercados. A reportagem do Balanço Geral Florianópolis falou com profissionais do setor para saber qual o motivo para essa mudança nos preços.
Está difícil acompanhar o aumento dos preços dos produtos do setor alimentício – Foto: Freepik/ReproduçãoSegundo o presidente da Acats (Associação Catarinense de Supermercados), Francisco Crestani, o valor pago pelo consumidor é o preço final do produto, mas há toda uma cadeia produtiva por trás e cada componente dela influencia no aumento. “Essa parte de insumos subiu muito. É frete, são os próprios combustíveis, energia elétrica. É uma série de coisas que andou subindo”, explicou Crestani.
O conjunto de fatores que encarecem os serviços vai muito além do percurso dos produtos até chegar na mesa das pessoas.
Conforme o economista e supervisor do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), José Álvaro de Lima Cardoso, “o sistema de distribuição desses produtos é muito oligopolizado, são poucas empresas que distribuem. Um outro fator importante é a desvalorização cambial, que faz com que os mercados externos se tornem muito mais atrativos. Isso estimula também o aumento especulativo do preço dos alimentos. Então, o preço dos alimentos, que é causa da inflação alta, acaba virando um efeito também”.
Na lista de alimentos que ficaram mais caros no acumulado dos últimos 12 meses estão óleo de soja (83%), feijão fradinho (48%), arroz (46%) e as carnes de músculo (46%) e paleta bovina (45%). Os dados são do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de junho deste ano.
O valor atual do salário mínimo brasileiro é de R$ 1.100. No entanto, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de julho deste ano, realizada pelo Dieese, indica que o valor ideal do salário mínimo nacional para abastecer uma família de quatro pessoas com itens básicos seria de R$ 5.518,79. Ou seja, cinco vezes maior do que o atual.
De acordo com o economista Cardoso, “a esmagadora maioria das categorias não estão tendo reajuste. O Dieese tem uma pesquisa do primeiro semestre deste ano que constata que 68% das categorias não consegue zerar a inflação do período na data base. Tu ter de um lado a inflação de alimentos e do outro a não reposição salarial representa uma perda de poder aquisitivo muito dramática”.
A educadora financeira Patrícia Lages deu dicas para diminuir a conta do supermercado: “Uma delas é preparar um menu para a semana toda e fazer uma lista só com os ingredientes que estão nesse menu. Levando essa lista para o supermercado, a pessoa só vai comprar aquilo que realmente ela vai usar. Outra dica bastante importante é pesquisar o preço e também dar oportunidade para outras marcas. Tem alguns produtos que podem ter até 50% de diferença entre uma marca e outra”.
Para Cardoso, com o país de hoje, quem ainda consegue comer tá no lucro. O problema social do desemprego e do subemprego também interferem.
“Grande parte da população passa fome. O cálculo é de 20 milhões de brasileiros. E tem uma parte ainda que tá em insegurança alimentar, é uma parcela muito significativa da população. Isso pode levar em um determinado momento a uma reação. Se o trabalhador não consegue nem se alimentar, qual é o sentido de ele ficar procurando emprego”, disse o economista.
Já para o setor de supermercados, o foco na exportação e nos estoques precisa ser revisto. “Enquanto nós não tivermos umas duas ou três supersafras, para nós termos a regularização dos estoques no país, nós não teremos baixa”, contou o presidente da Acats.
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