O 13º salário, direito assegurado a quem é empregado sob as regras da CLT, dá ao trabalhador mais fôlego para o fim do ano. Mas o que fazer com esse dinheiro? O educador financeiro do C6 Bank Liao Yu Chieh dá dicas de acordo com cada necessidade.
Real,dinheiro, moeda – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/NDNão há regras definidas nem fórmula mágica, mas sim uma análise da situação de cada pessoa e sua condição financeira.
Se a pessoa tem dívidas caras, como rotativo do cartão de crédito ou cheque especial, a melhor coisa a fazer com o 13º salário é quitar os débitos. Segundo o especialista, aproveitar o 13º para liquidar o valor total ou parcial da dívida evita que ela aumente exponencialmente.
SeguirPor outro lado, se não existe uma dívida cara — por exemplo, um crédito consignado ou um financiamento em longo prazo —, é interessante analisar se o débito custa mais do que os juros de renda fixa.
Se a resposta for positiva, o mais recomendável é quitar ou até amortizar essa dívida. Mas, caso seja negativa, o ideal é investir e aproveitar os juros altos na renda fixa. “Invista. Quando os juros caírem e forem inferiores ao custo da dívida, daí vale resgatar o investimento realizado para quitar o financiamento”, explica o educador financeiro.
Quando a pessoa não tem dívidas, o 13º salário pode ser uma boa oportunidade para começar a investir. A recomendação é priorizar a construção de uma reserva de emergência, focada em investimentos com liquidez diária. Aqueles que já têm uma reserva construída podem diversificar, conforme o perfil de risco.
A reserva de emergência, afirma Chieh, é um dinheiro que a pessoa mantém guardado para, em caso de alguma adversidade, conseguir manter os gastos primordiais em dia por algum tempo. “Se a pessoa não tem uma reserva de emergência e tem uma dívida barata, o ideal é que faça uma reserva”, opina ele.
Isso porque, caso não possua esse dinheiro guardado e algum imprevisto aconteça, muito provavelmente você será obrigado a tomar uma dívida cara. Para fazer uma boa reserva de emergência, ele explica uma regra interessante, que chama de “3, 6, 9” — ou seja, cada número corresponde a um múltiplo do gasto mensal da família.
Para os assalariados, o ideal são seis vezes o gasto mensal na reserva, que é o tempo em que a pessoa consegue se recolocar no mercado, em caso de perda de emprego, recuperação de uma doença, acidente etc.
Para quem tem estabilidade de emprego — por exemplo, funcionários públicos —, apenas três meses de gasto mensal guardados são o suficiente para suprir alguma emergência.Para os autônomos, profissionais liberais, freelancers, o ideal é multiplicar por nove, já que sofrer um problema físico e ficar um tempo sem trabalhar gera uma dificuldade muito grande.
Sobre como fazer uma boa reserva de emergência, o educador financeiro aconselha a sempre pensar em alta liquidez e baixo risco. “A dica é investir o valor em um CDB com liquidez diária e pagar as contas à vista com desconto em 2023. Para ajudar nesse planejamento, é interessante ver qual foi o montante gasto em 2022, corrigir o valor pela inflação e projetar o período de pagamento de acordo com a data de vencimento de cada um desses gastos”, diz Liao.
O dinheiro do 13º também costuma ser usado para fazer compras de fim de ano. Nesse caso, a sugestão é, se possível, não comprometer o valor total recebido, evitar compras por impulso e avaliar alternativas mais econômicas mas que tragam satisfação equivalente. Para isso, o educador financeiro sugere fazer algumas reflexões antes de sair comprando.
“Por exemplo, eu pretendia comprar uma camisa que custa R$ 50 para dar de presente. Considerando que eu conheço a pessoa, existe outra coisa que custe os mesmos R$ 50 e que traga mais satisfação a ela? Ou, então, como o dinheiro está curto, o que eu posso comprar de diferente que custe menos de R$ 50 mas que traga benefícios percebidos semelhantes ao da camisa? ”, explica o economista.
O educador financeiro conclui que contar com o 13º salário para cobrir gastos feitos anteriormente ou despesas cotidianas é um indicativo de que é necessário reorganizar o orçamento mensal. E esta época de virada de ano pode ser uma boa oportunidade para isso.