A Petrobras anunciou, na última terça-feira (16), a redução de preço da gasolina e diesel para as distribuidoras. Por conta disso, o ND+ visitou postos de Florianópolis para identificar como estava o valor praticado no início da tarde desta quarta (17), que é o primeiro dia.
Reportagem do ND+ visitou postos de combustíveis da região central de Florianópolis para checar o preço da gasolina- Foto: Arliss Amaro/NDTVPorém, por volta das 13h desta quarta (17), primeiro dia de vigência do novo valor, os condutores da capital encontravam o mesmo valor praticado nesta terça, ou seja, entre R$ 5,79 e R$ 5,90 na região central.
“O preço ainda não foi repassado para os postos de gasolina e por isso não houve a alteração. Acredito que a mudança deve acontecer a partir desta quinta-feira (18). Porém, não deve durar muito por conta da nova mudança no ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]“, explica Fabrício Barros, proprietário de um posto de combustível no bairro Carvoeira.
SeguirVale lembrar que a redução da Petrobras prevê uma queda de R$ 0,40 no litro. Dessa parte, o vice-presidente do Sindópolis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis), Joel Fernandes, aponta que o efeito deve gerar uma queda de R$ 0,27.
Conforme a pesquisa semanal da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que foi realizada entre o dia 7 de maio e o último sábado (13), o preço médio foi definido em R$ 5,87 em Florianópolis. Caso o repasse para o consumidor final seja de R$ 0,27, pode custar R$ 5,60 a partir desta quinta nos postos da Capital.
“Tentamos explicar para os clientes o nosso motivo. O posto ainda depende do fornecedor e que a distribuidora repasse. Alguns reclamam que existe um cartel ou algo assim, mas não é isso”, comenta Adilson Resende, que trabalha como frentista.
Vai e vem no preço da gasolina em SC
Além da espera do barateamento repassado pelas distribuidoras, o preço da gasolina deve passar por uma nova alteração em 15 dias. Isso ocorre em decorrência da implementação do ICMS uniforme, que também é chamado de sistema monofásico, a partir de 1º de maio neste combustível.
Com isso, o imposto estadual deve custar R$ 0,27 a mais em cada litro. Atualmente, é fixado em 17%, o que representa R$ 0,95 em tributo. A nova alteração deve elevar para R$ 1,22.
Em contato com a produção do ND Notícias, a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) informou que ainda avalia o impacto ao consumidor. Além disso, a pasta também alega que “não comenta sobre os preços de combustíveis, e que cabe ao órgão apenas aplicar e fiscalizar o pagamento de tributos sobre o insumo”.
Fim do PPI da gasolina
Além do reajuste, a Petrobras anunciou ainda o fim do PPI (Preço de Paridade Internacional), que leva em consideração a variação do valor do barril de petróleo no mercado internacional. A medida estava em vigor desde 2016, durante a gestão do ex-presidente Michel Temer.
Rio de Janeiro – Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio. (Fernando Frazão/Agência Brasil) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/NDA companhia aprovou, na última segunda-feira (15), uma nova estratégia comercial para a definição dos preços do diesel e gasolina. Dessa forma, a Petrobras deve levar em consideração o custo alternativo do ciente como prioridade e o valor marginal da companhia.
Os reajustes continuarão sendo realizados sem uma periodicidade definida e evitará repasses da volatilidade dos preços internacionais e do câmbio aos consumidores brasileiros, segundo a estatal informou por meio de nota.
em contato com o jornalista da NDTV, Arliss Amaro, o economista-chefe da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Pablo Bittencourt, explica que, na prática, a alteração deve resultar em mudanças menos voláteis.
“Está claro que a Petrobras deixou de utilizar o preço internacional do petróleo como referência principal para a subdeterminação. Assim, passaram a utilizar um conjunto de outras variáveis que estão relacionadas a demanda e oferta dentro do Brasil. Assim como também deixou-se claro que os repasses não serão periódicos. Com essas duas informações, existe a expectativa que terá uma baixa volatilidade para o próximo período”, explica.
Por outro lado, o economista Pablo Bittencout aponta que ainda é necessário um detalhamento por parte da Petrobras sobre quais fatores serão determinante para alterações.
“Ainda é difícil de fazer uma análise no longo prazo, pois o preço internacional do petróleo caiu e a moeda brasileira valorizou. Porém, se isso reverter, é difícil desvincular os valores internacionais e ai vamos ver como vai funcionar. Para o consumidor final, é necessário ver no médio e longo prazo como efetivamente funciona. O que é possível cravar é que será feito com menos volatilidade. Será possível manter por um período maior”, complementa.