VÍDEO: presidente da SCPar admite prejuízo milionário com privatização de portos

Presidente da SCPar Holding, Ricardo Moritz, admite que o Estado de SC será onerado em R$ 44 milhões anuais

Redação ND Joinville

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Um novo capítulo em torno da privatização dos portos de Santa Catarina, anunciada pelo governo do Estado em fevereiro deste ano.

Após o anúncio da privatização, houve reações por parte das Prefeituras, Câmaras de Vereadores, sindicatos e entidades comerciais de Imbituba, no Sul do Estado, e São Francisco do Sul, no Norte catarinense.

porto de são francisco do sul Atualmente, o porto de São Francisco do Sul conta com 185 estatutários, 68 celetistas/Cidasc e 673 trabalhadores avulsos (TPAs) no quadro de funcionários. – Foto: Divulgação/Secom/ND

A SCPar Holding, que administra as subsidiárias SCPar Porto de São Francisco do Sul e SCPar Porto de Imbituba, promoveu, então, reuniões virtuais com cada um dos portos para debater a privatização, tirar dúvidas dos funcionários e ouvir opiniões.

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Em meados de fevereiro deste ano, umas dessas videoconferências ocorreu com os funcionários do Porto de Imbituba.

Durante a reunião, um servidor do Porto de Imbituba, que faz parte do Conselho de Administração, levantou a preocupação do que pode vir a acontecer, por exemplo, com o Porto de São Francisco cujos empregos são cedidos pela Secretaria de Infraestrutura do Estado, alocados e pagos hoje pelo Porto. Com a privatização, estes funcionários voltariam para o caixa do Estado, ou seja, vão onerar os cofres públicos de SC.

Atualmente, o porto de São Francisco do Sul conta com 185 estatutários, 68 celetistas/Cidasc e 673 trabalhadores avulsos (TPAs) no quadro de funcionários. 

ND+ teve acesso, com exclusividade, ao trecho da videoconferência em que o presidente da SCPar Holding, Ricardo Moritz, responde ao funcionário e admite que o Estado de SC será onerado em R$ 44 milhões anuais se houver a privatização.

“Eu concordo com o que estás falando. A conta foi apresentada. No caso do Porto de São Francisco, a conta se aproxima dos R$ 44 milhões/ano. O tesouro vai ter de absorver. O secretário de Fazenda estava na reunião. Ele viu a conta também. Havia diversos secretários do Estado observando o que estava acontecendo. Mas houve a decisão”, falou o presidente da SCPar Holding.

ricardo moritzRicardo Moritz, atual presidente da SCPar Holding. – Foto: Divulgação ND

O funcionário comentou, ainda, que o Porto de Imbituba, usou apenas R$ 50 mil de recursos estaduais e hoje tem em caixa R$ 38 milhões através de dividendos e R$ 98 milhões para fazer novos investimentos.

Veja o vídeo:

À época da reunião, o engenheiro Luís Antônio Braga Martins era o presidente do Porto de Imbituba e também participou da reunião. Diante do temor de funcionários, teria comentado que a decisão de privatização não era definitiva, que poderia ser revertida.

Curiosamente, dias depois, Luís Antônio Braga Martins foi exonerado do cargo. Fábio dos Santos Riera, que era diretor, foi indicado pela Marinha para assumir o lugar de Braga. Fábio é formado em Ciências Navais e tem MBA em Gestão Empresarial.

Durante a videoconferência, Ricardo Moritz estava acompanhado de Jamazi Alfredo Ziegler, superintendente de Portos.

Contrapontos:

A reportagem entrou em contato com a SCPar Holding para ouvir o posicionamento do presidente Ricardo Moritz sobre a reunião. Até o fechamento da reportagem, não havia recebido retorno.

*Um retorno foi encaminhado já no decorrer da noite a reportagem:

A SCPar esclarece que o movimento de desestatização de portos em Santa Catarina tem por objetivo a melhoria dos serviços, com aumento de investimentos na capacidade portuária e, consequentemente, na circulação de mercadorias. A participação da iniciativa privada nesta questão também resultará em um aumento da base tributária, que será revertido em avanços em áreas fundamentais, como Saúde, Educação e Segurança Pública. Também cabe ressaltar que, ao fim do processo de desestatização, os servidores públicos estaduais hoje cedidos ao Porto de São Francisco retornarão às suas pastas de origem, trabalhando em prol do desenvolvimento de Santa Catarina em diversas atividades.

ND+ também falou com a assessoria do governo do Estado. “A manifestação é do presidente da SCPar Holding, Ricardo Moritz”, respondeu.

Presidente e diretor do Porto de SFS são exonerados

Outra notícia relacionada aos portos é a recente exoneração do presidente da SCPar São Francisco do Sul, Fabiano Ramalho. Além dele, o diretor de Administração, Rafael Palmares, também foi demitido. Os motivos não foram esclarecidos até o momento.

A reportagem buscou informações sobre quem deve ser o novo presidente, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta matéria.