Aluna da UFSC é a primeira surda nomeada imortal na Academia de Letras de Biguaçu

Amanda Arruda sempre sonhou em ser escritora. Atualmente ela cursa Direito e já publicou três livros

Redação ND Florianópolis

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A escritora e estudante do curso de Direito da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Amanda Arruda foi convidada para assumir uma cadeira na Academia de Letras de Biguaçu, na Grande Florianópolis. Ela se tornou a primeira surda nomeada imortal pela entidade.

Aos 21 anos, Amanda, que é escritora, romancista, poetisa e contista, tem três livros publicados. Ela ficou com a cadeira 31 da Academia.

Estudante da UFSC Amanda ArrudaAmanda tem três livros publicados e estuda direito na UFSC – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/ND

O primeiro foi A Heroína Que Virou Lenda (2017), romance sobre uma menina assassinada na Terceira Guerra Mundial após protestar em campo de batalha por um mundo com mais livros e menos guerras, e também as obras As Chantagens de Monalisa (2020) e O Badalar do Sino (2021).

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Amanda conta que havia se inscrito no edital lançado pela Academia de Letras de Biguaçu no fim do ano passado e que o resultado demorou alguns meses para sair.

“Eu estava no expediente do estágio e fui avisada pelo Whatsapp por meio de uma mensagem do vice-presidente da Academia. No momento da notícia, eu fiquei extremamente feliz e já fui contar para a minha mãe, meu pai, namorado, familiares próximos e afins”, lembra.

Sonho de trabalhar com a escrita

Ela conta que seu processo de alfabetização começou muito cedo e que sua mãe, que era dona de casa, tinha o costume de ler e contar histórias para ela ao longo do dia. “Eu já sabia que queria ser escritora desde de pequena”, relata.

Amanda acredita que a junção entre literatura e juventude é muito promissora.

“Creio que a juventude precisa muito da literatura, a fim de incentivar a sua própria criatividade, inventividade e pensamento crítico, assim como a literatura também precisa da juventude: vitalidade determinação, a vontade de fazer acontecer e trabalhar duro”, explica.

A autora ainda ressalta a importância da presença da comunidade surda e dos intérpretes de Libras.

“É necessário esse rompimento da barreira comunicativa para a inclusão dos surdos. É a primeira vez em 26 anos que os surdos poderão participar de um evento aberto da Academia após a derrubada da barreira linguística”, finaliza.

O evento de nomeação ocorre nesta segunda-feira (21). A cerimônia terá a presença de uma equipe de intérpretes de Libras e também marca o lançamento da Antologia 2022 da Academia de Letras e a posse de dois novos acadêmicos.