Um aluno de cinco anos autista recebeu um crachá em uma escola municipal de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, e chegou em casa com o acessório pendurado no pescoço.
Ocorre que no crachá havia sua foto e debaixo dizeres negativos como “não pode bater”, “não pode empurrar o colega”, além de um X em vermelho em cima. Quando o filho chegou em casa, a mãe perguntou do que se tratava. Ele respondeu que ganhou na escola, só ele.
Imagens mostram os bonequinhos. Em um deles, havia a foto do menino. – Foto: montagem a partir de fotos/Divulgação NDO caso foi trazido à tona pela vereadora Nina Santin Camello, de Jaraguá do Sul, em sessão da Câmara nesta quinta-feira (25). Ela classificou como uma humilhação dentro do ambiente escolar. Disse que recebeu a ligação da mãe em prantos e indignada relatando a situação.
Seguir“Esse caso chegou ao meu gabinete na semana passada. E nos deixou indignados. Uma exposição desnecessária e que traz apenas prejuízos ao desenvolvimento desta criança e ao convívio com os demais colegas. Foi uma humilhação o que essa criança passou. Não é o aluno que precisa se adaptar à escola, é a escola que precisa se adaptar ao aluno. Precisamos ter inclusão e acolhimento de verdade com essas crianças especiais. E não aceitar mais esse tipo de situação”, colocou Nina Santin Camello.
Foto: internet/Divulgação NDA mãe da criança também se manifestou pelas redes sociais, como mostra abaixo.
Foto: ReproduçãoVEJA MANIFESTAÇÃO DA VEREADORA:
Pronunciamento da vereadora Nina Santin Camello, na sessão desta quinta-feira, na Câmara de Vereadores – Vídeo: Internet/Divulgação ND
“Erramos e pedimos desculpas”
Ivana Dias, secretária de Educação, explica que o reforço com imagem é muito usado com crianças com fase de alfabetização, especialmente com autistas. Mas neste caso do menino, cujo crachá induz um contexto pejorativo, a secretária admite que a escola errou.
“Neste caso, erramos. Eu conversei pessoalmente com a professora e ela me disse que a ideia era apenas reforçar o entendimento entre as crianças. A professora é experiente e desenvolve um trabalho brilhante na escola. Fez isso com a melhor das intenções”, esclarece a secretária.
Ivana Dias explica ainda que fotos de crianças no processo de aprendizagem só podem e devem ser usadas em contextos positivos, jamais em situações negativas com esta.
“Isso não se repetirá. Já corrigimos a falha, conversamos com a família, que entendeu a situação. Damos o nosso melhor sempre, mas, às vezes, a gente erra e, por isso, peço desculpas à família. A rede municipal de ensino pede desculpas”, finalizou a secretária de Educação de Jaraguá do Sul .
O município de Jaraguá do Sul também encaminhou um documento abaixo que explica a metodologia das pistas visuais e sua importância no desenvolvimento dos alunos.