Seja pelas mudanças climáticas, seja pelo avanço da urbanização, onça-pintada, mico-leão dourado, anta, pica-pau-amarelo e lobo-guará são algumas das espécies em extinção, presentes em uma lista com 1.253 nomes, de acordo com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Mas como o conhecimento sobre o bioma brasileiro pode contribuir com a natureza?
A onça-pintada, encontrada no bioma da Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e Caatinga, foi um dos animais que as crianças estavam mais animadas para recriar – Foto: Leve Fotografia/Divulgação/its TeensNa Escola Municipal João Costa, em Joinville, os estudantes do sétimo ano discutiram o assunto nos encontros com o professor de ciências Charlin Manoel Raimundo.
Com aulas focadas no bioma brasileiro, eles colocaram a mão na massa, compreendendo o surgimento de cada animal ou o quase processo de extinção de alguns, criando réplicas em tamanhos reais e trazendo um universo novo para unidade.
Seguir“Surgiu a ideia de fazer maquetes enfatizando a parte visual, porque eles (animais) estavam presentes aqui em Joinville, mas com a ocupação urbana acabaram sumindo dessa região e subindo para a Serra”, explica o professor, que aproveitou a iniciativa para fazer uso de materiais recicláveis, mostrando que, muitas vezes, aquilo que vai para o lixo pode ganhar um novo destino, dependendo da criatividade.
Passando por todos os biomas, os estudantes tiveram a oportunidade de aprender sobre animais em risco de extinção – Foto: Leve Fotografia/Divulgação/its TeensE nas mãos da turma certa não faltaram itens. Arame, livros e cadernos velhos, restos de isopor, papel alumínio e tinta guache ganharam uma nova vida transformados em onça-pintada, jiboia, guará, lontra, arara-azul e até piranha. Além da participação nas ideias, Charlin também esteve presente durante o processo, ajudando nos desenhos e na hora de dar forma aos animais. “O foco principal era a parte da conscientização, da degradação do ambiente, dos biomas, da extinção de espécies que estão acontecendo em um contexto mundial.”
No período do contraturno e nas interações com a turma do sétimo ano, o ganho foi além da relação entre aluno e professor. “A parte prática somou muito para eles. Se eu perguntar sobre a onça, vão saber falar todas as características, porque fixou, foi um ganho grande na aprendizagem”, explica o profissional.
Para aqueles que participaram da construção e da finalização, foi possível compreender que a onça, por exemplo, é um dos maiores felinos do continente americano, como aprendeu Gustavo Molon, 13. “No começo não tínhamos noção do que íamos fazer. O professor deu umas ideias, começamos a base só com arame, colocamos o papelão e começamos a moldar com o papel”, conta o estudante.
No caso de João Vitor Plocharski Theodoro, 13, já existia um animal preferido no processo de confecção, antes mesmo de começar. “Achamos que seria mais legal fazer a onça, porque o Brasil é muito conhecido pela onça-pintada, principalmente”, menciona o aluno.
Perceber as causas da extinção, as reações dos animais e as consequências das mudanças causadas pelos seres humanos também foi um entendimento compartilhado entre o grupo. “É mais pelo fato delas estarem em boa parte do território brasileiro, porque como estão em risco de extinção, elas veem que acaba o alimento e não conseguem se reproduzir, e vão para outro lugar em busca de comida e de reprodução”, explica Vinícius Heidemann do Amaral, 13.
Além de desenvolver as habilidades manuais, o ensino agora tem um novo significado. “É bem melhor do que ficar só sentado escutando a explicação, porque vivemos ali, então muitas coisas que não sabíamos aprendemos fazendo”, relata a estudante Eduarda de Souza, 13, que já havia aprendido sobre os animais em extinção, mas não de forma aprofundada.
Os próximos passos já estão definidos e incluem uma atividade interdisciplinar com Geografia. O intuito será envolver os animais que fazem parte da cultura indígena, montando uma aldeia no pátio da unidade.
Outra ação é a ida dos grupos que participaram das produções em cada sala, apresentando os animais e falando sobre extinção — aqui o foco é promover o cuidado e a atenção com a fauna e a flora.
Você sabe o que é um bioma?
Compreender o funcionamento da natureza e de todos os animais que fazem parte das matas e mares pode ser um desafio. E você sabe o que é um bioma?
O nome é utilizado para caracterizar um conjunto de vida animal e vegetal, construindo um agrupamento com todas as vidas que estão no local.
E mapear a forma como os animais vivem e o impacto das ações humanas na sustentabilidade são passos essenciais para pensar em medidas capazes de diminuir a lista de extinção, trabalho que foi impulsionado por Charlin.
“Dentro dos biomas acabamos enfatizando a degradação do meio ambiente, falando sobre a extinção, biopirataria, tanto para plantas e fungos quanto para animais, e os que estão bem ameaçados”, salienta o educador.
Foi durante os encontros que os jovens aprenderam o significado de um novo termo: ações antrópicas — decisões tomadas por seres humanos e que podem afetar o equilíbrio e funcionamento de um ecossistema.
“Destruição do bioma, poluição das águas, desmatamento, quantidade de lixo, agricultura, que acaba tirando toda essa parte da vegetação natural que eles têm, afastando também os animais (presas), e eles não conseguem sobreviver nessa área”, explica o professor.