O prazer de ler as palavras, pronunciar o tom de cada sílaba e interpretar o texto é um privilégio para muitos.
Seja para ler um livro e as atualizações nas redes sociais ou verificar a localização na cidade, o ato de ler pode ser revolucionário, capaz de liberar a imaginação, o senso de pertencimento e o pensamento crítico.
Alunos do EJA Florianópolis em sala de aula – Foto: Arquivo SME/Divulgação/its TeensE a vontade de entender o mundo ao redor é um dos desejos de Valdívia Ferreira, 78, estudante da EJA (Educação de Jovens e Adultos) de Florianópolis.
SeguirOs estudos começaram nos últimos meses, mas a sede pelo conhecimento é antiga. “Na minha infância eu estudei até uns dez anos. Minha mãe era muito pobre, então a gente tinha muita dificuldade para os estudos.
Tínhamos que ficar em casa para cuidar dos filhos ou ajudar a fazer alguma coisa”, conta Diva, como é conhecida.
Se por muitos anos o sonho foi trabalhar na área da saúde, como enfermeira, pela facilidade em cuidar do outro, agora o foco está em dividir os momentos entre a educação, as amizades e os novos conhecimentos.
“Eu sei que não vou saber muita coisa importante que muitas pessoas sabem, porque não tenho mais capacidade, vou fazer 78 anos agora em agosto, então minha cabecinha já não é mais a que era antes, mas estou enfrentando a vida.”
Diva aproveita a aula para fazer novas amizades na EJA – Foto: Arquivo SME/Divulgação/its Teens“Eu saio, vou para passeio, para grupo de idosos, estou participando das turmas com minhas amigas, gosto muito de me comunicar com as pessoas, de ajudar. E gosto da vida, gosto de viver e gosto de todo mundo”, conta a estudante da EJA. Além do interesse pelo aprendizado, a persistência também é uma marca que ela faz questão de evidenciar.
“Eu vou aprender muita coisa que eu não sabia, e agora que a gente tem a oportunidade, eu vou à luta, eu vou até o fim. Enquanto existir professor e aula para nós, eu vou até o fim”, explica Valdívia.
Se por um tempo o impeditivo estava nas condições ou nas imposições do marido, que não concordava com a saída para o estudo ou trabalho, hoje a motivação para mudar são as pessoas que estão ao redor. “Eu amo muito a vida e pretendo viver muito, se Deus quiser”, fala a idosa.
Sobre o conhecimento em sala de aula, a evolução fica evidente com cada nova palavra que surge, provando que ainda há um mundo para descobrir. “Eu sabia ler bem pouca coisa, escrever bem pouca coisa, mas eu já estou conseguindo. Se você sabe ler, você sabe tudo”, completa Diva.
Mais do que o português ou a matemática, para ela o objetivo é desfrutar o futuro, levando a mensagem de que nunca é tarde para inovar e buscar os desafios. “Assim eu vou continuar minha vida, e tô levando para o mundo inteiro essa lição.”
EJA em Florianópolis
Turma do EJA possui alunos a partir dos 15 anos de idade – Foto: Arquivo SME/Divulgação/its TeensDiva é uma das estudantes que escolheram o novo polo da Capital, localizado na Rodovia João Paulo.
Com encontros de segunda a quinta-feira, das 18h às 22h, o espaço é destinado a quem busca a alfabetização, com vagas para aqueles que têm mais de 15 anos.
A inscrição na EJA pode ser feita em qualquer período do ano, independentemente do semestre — basta procurar um polo e demonstrar interesse em participar.
Atualmente, existem 25 unidades espalhadas pela cidade, com mais de 1400 alunos. Clique aqui e confira mais informações da EJA em Florianópolis.