Atividade em escola de Joinville causa polêmica sobre suicídio

Lenda apresentada em avaliação de Língua Portuguesa preocupou os pais de alunos do sétimo ano em escola municipal de Joinville

Juliane Guerreiro* Joinville

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Uma prova de Língua Portuguesa causou polêmica em Joinville, no Norte de Santa Catarina. É que a avaliação dada aos estudantes do sétimo ano apresentava uma lenda que preocupou alguns pais sobre a abordagem relacionada a morte e o suicídio.

“A história de Iaçá” fala sobre a formação do arco-íris a partir da trajetória de uma índia que se apaixona por um deus, mas é impedida de viver com ele. Ela, então, tem a chance de vê-lo uma última vez, mas, para isso, precisa cortar o braço para formar um caminho de sangue que possibilite encontrá-la. Após o ato, no entanto, ela perde forças e morre.

Lenda causou polêmica em escola de Joinville – Foto: Arquivo pessoalLenda causou polêmica em escola de Joinville – Foto: Arquivo pessoal

A história chocou a filha de Lú Jacó, que tem 11 anos e estuda na Escola Municipal Elizabeth Von Dreifuss, no bairro Morro do Meio. “A minha filha não conseguiu ler a história”, diz a mãe, que também ficou chocada com o enredo.

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“Fiquei abismada. Quando cheguei na segunda parte do texto, fiquei muito impactada”. Para ela, a atividade preocupa ao tratar de um tema delicado como a morte e o suicídio justamente em um momento em que as crianças e os adolescentes já estão mais sensíveis por causa do isolamento social.

“A gente tem vivido tempos difíceis em que as pessoas estão socialmente afastadas e psicologicamente abaladas. Pegar um texto como esse é abrir um buraco e piorar a situação”, fala Lú.

Ela contou a situação à irmã, que é professora, e disse que o texto é usado nas escolas, mas que deveria ter sido abordado de outra forma. “Ela disse que abordaria numa roda, falaria da luta do bem contra o mal, abordando temas como os cortes e que o bem também vence”, diz.

Para Lú, é preocupante que crianças e adolescentes leiam esse tipo de texto sem o apoio dos pais.

Lenda fazia parte de uma avaliação de Língua Portuguesa – Foto: Marcelo Thomazelli/NDTVLenda fazia parte de uma avaliação de Língua Portuguesa – Foto: Marcelo Thomazelli/NDTV

Psicóloga fala sobre como tratar o suicídio na escola e em casa

A psicóloga Helena da Silva argumenta que é preciso cuidado e preparo ao abordar temas delicados como o suicídio. Aliás, até pouco tempo o Conselho Regional de Psicologia nem mesmo autorizava falar da questão por canais online.

“Ultimamente tem sido autorizado porque é a única forma de comunicação. O importante é perceber como isso está sendo feito e quem está fazendo, se a pessoa tem preparo para falar sobre isso, se tem condições de lidar ou encaminhar para um profissional competente”, explica a psicóloga.

Segundo ela, é preciso cuidado redobrado ao tratar do assunto online, sempre priorizando vídeo chamada ou ligação para que se possa observar o tom de voz da pessoa.

Em relação ao suicídio, a psicóloga explica que as pessoas dão sinais sobre a situação e que, no caso das crianças e adolescentes, os pais precisam estar atentos. “É necessário estar disponível para conversar e não julgar ou dizer que é errado ou feio. É preciso abrir para discussão, conversar sobre o tema, tratar com naturalidade e fazer o encaminhamento para um profissional caso a pessoa perceba um pedido de ajuda”, ressalta Helena.

Também deve-se ter atenção a outros sinais, como falta de apetite, perda de interesse nas coisas e mudanças na postura. “A pessoa fala de uma outra forma”, destaca.

Helena afirma que a pandemia é considerada uma questão de emergência e desastre. “Ela potencializa o estresse em todas as pessoas e, em algumas, gera angústia e ansiedade, podendo até ocasionar problemas mais graves”, complementa.

Posicionamento da prefeitura de Joinville

Em nota, a prefeitura de Joinville falou sobre o uso da lenda na atividade escolar. Confira:

Em relação ao ocorrido na Escola Municipal Professora Elizabeth Von Dreifuss, a Secretaria de Educação esclarece que tomou conhecimento da situação e que a mãe da aluna em questão esteve na unidade na última segunda-feira (26) questionando o texto utilizado na avaliação de língua portuguesa do 7º ano. Na ocasião, a mãe foi recebida pela professora, pela coordenadora e também pela direção da escola.

Durante a conversa, a equipe da unidade escolar explicou que o gênero textual lenda faz parte da grade curricular e foi trabalhado com uma série de materiais. Entre os textos está “A história de Iaça”, de autoria Suely Mendes Brazão, conhecida no meio da literatura por escrever e editar obras infantojuvenis e religiosas, amplamente utilizadas no meio escolar.

Ainda assim, sensibilizada com os argumentos da mãe, a professora se comprometeu a reavaliar o uso do texto em atividades. A conversa foi em tom amigável e refletiu uma situação comum no ambiente escolar, quando a família acompanha e se preocupa com a educação formal dos filhos.

A Secretaria de Educação complementa que, sempre algum responsável procura uma unidade escolar com dúvidas, queixas ou sugestões sobre alguma atividade, a situação é tratada no Núcleo de Orientação Pedagógica. O grupo discute o cotidiano das práticas de ensino e aprendizagem e repassa as orientações necessárias para os gestores escolares e professores.

*Com informações de Sabrina Aguiar, repórter da NDTV Joinville

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