A interdição da Estadual Júlio da Costa Neves, em Florianópolis, também afastou os alunos do mundo da leitura. Assim como a instituição, na qual os alunos não pisam há quase dois anos, a biblioteca também está fechada.
Pensando nisso o professor Marcos Oliveira, que ensina língua portuguesa na Júlio da Costa Neves, promoveu nesta sexta-feira (12) uma “biblioteca ambulante”. Com a doação de amigos, livros do acervo próprio e outros comprados no Sebo da Ivete, ele distribuiu livros aos estudantes.
Adesão surpreendeu professor: mais de 200 alunos levaram livros – Foto: Marcos Oliveira/Arquivo PessoalOs trabalhos começaram durante a manhã e se estenderam até o final da tarde. Foram 300 livros reunidos pelo professor: número semelhante ao de alunos que ensina. Um livro poderia ser levado por cada estudante, a fim de permitir que todos ganhassem um. Ele montou uma barraca em frente a escola com as obras dispostas em uma mesa.
Seguir“A partir do momento que lancei a ideia eles ficaram bem empolgados. Foi uma experiência sem palavras. Não acreditava que viriam tanto”, conta Marcos. No fim do dia sobraram apenas cerca de 30 livros. As obras eram de diversos tipos de literatura.
“No plano de ensino está previsto que eles retirem livros a cada quinze dias e depois façamos uma aula de leitura. Mas as aulas não estavam acontecendo e me dei conta que muitos alunos não têm livros em casa”, conta o professor.
A instituição está fechada desde o início da pandemia devido a problemas que se agravaram nos últimos meses. A estrutura da escola está solapando, com a abertura de crateras e rachaduras. O governo de Santa Catarina aguarda a conclusão da perícia da estrutura para saber se é possível reformá-la.
Prejuízo na leitura
Foi inviável manter as atividades corriqueiras de leitura na escola com o ensino a distância. Além da falta do livro, há a o empecilho do acesso ao meio virtual. Alguns alunos acompanham o ensino por meio de atividades impressas, enquanto outros assistem a aula online.
“Temos em média 30 alunos em cada turma. A turma com mais participação conta com 12 alunos. Não posso cobrar muito conteúdo online para quem não têm acesso”, explica o professor. “O brasileiro não tem muito o hábito de leitura. Se não ficamos em cima, deixam de lado”, lamenta.