Ensino em libras e português coloca brasileira no Nobel da Educação

Professora Doani Emanuela Bertan está entre as dez finalistas do Global Teacher Prize, prêmio que valoriza práticas pedagógicas inovadoras

Karla Dunder, do R7 São Paulo

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A brasileira Doani Emanuela Bertan está entre as dez finalistas do Global Teacher Prize, prêmio que valoriza práticas pedagógicas inovadoras esse trabalho, Doani é uma das finalistas do Global Teacher Prize pelo ensino de Português e Libras.

Ela está entre os dez melhores entre 12 mil inscritos, de mais de 140 países. O resultado será divulgado no dia 3 de dezembro e o valor é de US$ 1 milhão.

Doani Emanuela é proferra bilíngue e concorre a prêmio – Foto: Arquivo PessoalDoani Emanuela é proferra bilíngue e concorre a prêmio – Foto: Arquivo Pessoal

De origem humilde, Doani Emanuela Bertan aprendeu com a mãe que a educação é capaz de mudar uma vida.

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“A educação transforma, costumava dizer minha mãe”, conta a professora que está entre os 10 finalistas do Global Teacher Prize, premiação considerada o Nobel da Educação mundial. Doani dá aulas de português e Libras (Língua Brasileira de Sinais) em Campinas.

“Minha mãe não teve muitas oportunidades na vida e sempre incentivou as filhas a estudar”, lembra. “Ela caminhava uma hora conosco até a biblioteca para que tivéssemos acesso aos livros.”

O gosto pela sala de aula surgiu nas brincadeiras de infância e o primeiro contato com a linguagem de sinais veio por meio de um panfleto distribuído nos faróis, e que ensinava o alfabeto em Libras. “Quando a Xuxa gravou o abecedário em Libras, fiquei muito feliz porque conseguia acompanhar a música.”

Surgiu a oportunidade de fazer um curso e conquistou amigos surdos. “Em 2002, conheci melhor o mundo surdo e nunca mais saí. Já na faculdade, decidi que seria uma professora bilíngue.”

Sem material especializado, Doani passou a desenvolver um trabalho próprio, até para dar mais autonomia para os seus alunos. “O material didático é feito para crianças que estão sendo alfabetizadas em português, mas uma criança surda tem como primeiro alfabeto a língua de sinais e depende da ajuda de um adulto para entender o conteúdo do material.”

Ela decidiu anotar as principais dificuldades e dúvidas. Resolveu estudar mais e passou a consultar estudantes e os seus familiares. Dessa iniciativa nasceu o canal do Youtube com aulas gravadas. Para facilitar, as vídeo aulas passaram a ser compartilhadas nas redes sociais, principalmente no Facebook, com atividades que podem ser impressas ou copiadas.

“Rapidamente as redes se transformaram em uma grande sala dos professores e o conteúdo passou a ser acessado por pessoas de mais de 10 países”, conta.

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