Um caso de homofobia e misoginia no departamento de pós-graduação de química da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) foi denunciado no último dia 28. De acordo com uma foto publicada no Twitter, os atos foram motivados pela presença de mulheres e LGBTQIA+ dentro do centro acadêmico.
“Os problemas atuais que estão acontecendo nesse laboratório são pq o laboratório está cheio de mulher e bichinhas quando só tinha homens isso não acontecia”, diz a imagem.
O comentário teria sido feito por um dos colegas de laboratório, que também é pesquisador.
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Quadro mostra imagem de comentário feito por colega de turma – Foto: Reprodução/@diogocherelli/NDO ato gerou revolta entre os cientistas. No Instagram, o PPGQ (Programa de pós-graduação em Química), publicou uma nota sobre os atos.
Uma pesquisadora, que pediu para não ser identificada, garante que comentários como este são comuns no local. Segundo ela, a ciência ainda é um lugar muito machista e hostil com as mulheres. Conta, inclusive, que algumas vezes seu orientador a teria diminuído pelo simples fato de ser mulher. Outra, garante que o caso não a surpreende e que espera que a Universidade faça algo a respeito.
Em nota, a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) disse que já instaurou um processo administrativo para apurar os fatos.
Confira na íntegra:
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) informa que tomou as medidas legalmente cabíveis para apurar um caso de misoginia e homofobia que teria ocorrido no Programa de Pós-Graduação em Química, no Campus Universitário Trindade, em Florianópolis, em 27 de fevereiro. Uma estudante denunciou uma frase que teria sido dita por um colega em que ele desrespeitaria mulheres e homossexuais.
A Ouvidoria da UFSC recebeu oficialmente a denúncia, abrindo processo administrativo. O Programa de Pós-Graduação em Química já tem uma comissão atuando na apuração dos fatos, conforme previsão regimental. Além disso, a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) da UFSC acompanha o caso através da Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Violência de Gênero (CDGEN), que vem prestando atendimento psicológico à vítima.
A Universidade reafirma seu compromisso com a construção de uma sociedade diversa e inclusiva, por isso repudia qualquer manifestação preconceituosa e buscará esclarecer os fatos, bem como responsabilizar os autores na forma da lei.
Outro caso na mesma Universidade
Em outubro pichações que incentivam estupro de crianças e morte de mulheres foram encontradas em um banheiro da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis. As frases foram fotografadas dias após a prisão de alunos suspeitos de integrarem célula neonazista.
Segundo nota do CCJ (Centro de Ciências Jurídicas), um processo interno foi aberto para descobrir a autoria dos crimes. A Polícia Civil também investiga o caso.
A UFSC informou que repudia toda e qualquer ação racista e que atente contra os direitos humanos e o patrimônio ético, científico e cultural da instituição.
Em nota feita com estudantes e alunos e publicada no Instagram, o Caxif escreveu que “denuncia e repudia as violências feitas”. E termina dizendo que o caso foi encaminhado para a direção do Centro de Ciências Jurídicas para que, em conjunto com a direção do Centro, medidas administrativas e judiciais cabíveis sejam tomadas para identificação do autor.