Recente missão da ACAFE reuniu reitores e representantes das 14 instituições associadas para estreitar laços e fomentar parcerias com instituições no Japão – Foto: Assessoria de Comunicação Acafe/DivulgaçãoEm mais de cinco décadas de atuação, as universidades comunitárias e o Sistema Acafe instituíram um modelo de integração e desenvolvimento regional que hoje é referência nacional e também internacional.
Ao centrarem suas atenções na relação próxima com suas comunidades e na construção de um ecossistema educacional de forte impacto local, essas instituições também se abriram para além dos limites, divisas e fronteiras. Seja por meio da graduação em dupla titulação ou nas diversas frentes de pesquisas internacionais ofertadas pelo sistema Acafe, hoje os catarinenses ganham o mundo.
A internacionalização é um eixo consolidado na cultura das universidades comunitárias em Santa Catarina. Processo esse que se desenvolveu nas últimas duas décadas de forma sistêmica dentro da Acafe. “Com o advento da globalização, os países entenderam que precisavam se conectar e as instituições passaram a ter relações mais próximas. É quando surge o eixo da internacionalização na educação superior”, conta a Presidente da Acafe, Luciane Bisognin Ceretta.
Em Santa Catarina, a internacionalização chegou às universidades comunitárias individualmente, com cada instituição implementando o seu programa. Não tardou para que surgisse, no âmbito da Acafe, a Câmara de Internacionalização, que desde 2016 promove a conexão entre setores e serviços das universidades com instituições de outros países por meio de ações conjuntas e estratégicas.
Atualmente, essas instituições participam de 222 acordos com diversos países de todos os continentes. “O nosso objetivo é reunir as expertises e experiências que esses países têm e trazê-las para a nossa realidade, de modo que seja possível investir no desenvolvimento das nossas cidades, dos nossos territórios a partir das grandes experiências inovadoras que trazemos de outros lugares”, define Ceretta.
Grupo de alunos catarinenses do mestrado em administração na dupla titulação com a Universidade de Alicante, na Espanha – Foto: Arquivo pessoal/DivulgaçãoO que as comunitárias fazem é aproveitar as potencialidades do Estado para abrir portas e firmar parcerias internacionais para desenvolver ainda mais as suas regiões e buscar soluções para as suas comunidades.
Fatores como a capilaridade do Sistema Acafe no Estado, grande número de estudantes matriculados no ensino superior (Santa Catarina responde pelo segundo maior número de matrículas no país), o desenvolvimento socioeconômico catarinense e a variedade de áreas de conhecimento são determinantes para o sucesso da internacionalização destas universidades.
Experiências ricas que retornam em novas soluções e serviços para a comunidade
Trata-se de um processo que tem retorno por diversas vias. Seja no compartilhamento de conhecimento em pesquisas e soluções inovadoras para atender demandas locais, na formação de docentes (mais de 70% dos professores da Acafe possuem mestrado, doutorado ou pós-doutorado), ou cursos de dupla titulação e no aperfeiçoamento e oferta de novos serviços comunitários.
Os acordos internacionais hoje atendem uma gama de áreas do conhecimento, mais notadamente as Ciências Jurídicas, Saúde, Educação, Gestão, Engenharias e Inovação. Boa parte dessas parcerias são firmadas com instituições da Europa e América Latina. “São experiências riquíssimas, porque a partir dessas conexões implantamos aqui programas e serviços para atender as demandas da nossa sociedade, como na área ambiental e em políticas de economia solidária. Isso vem sendo aplicado nos nossos programas de extensão junto às nossas comunidades”, explica a presidente da Acafe.
Joinville no mapa mundial da pesquisa em AVC
A pesquisa é uma importante frente de atuação internacional do sistema ACAFE, como é o caso da UNIVILLE, de Joinville, referência mundial nos estudos sobre a predisposição genética a AVCs – Foto: Assessoria de Comunicação Univille/DivulgaçãoConexões que colocaram a Univille (Universidade da Região de Joinville) no mapa mundial dos estudos sobre a incidência de AVCs (Acidentes Vasculares Circulatórios) na América Latina. A universidade, a partir do seu Bio Banco, contribui fornecendo material genético de pacientes de Joinville e também pela atuação da pesquisadora e professora Leslie Ecker Ferreira e seu doutorado “sanduíche” (em parte cursado em uma instituição de outro país).
A pesquisa identificou escalas da predisposição genética ao AVC. Ou seja, quem tem esse tipo de mutação genética tem grandes chances de desenvolver a doença, mesmo que não apresente os principais fatores de risco, como hipertensão, obesidade, uso de fumo e sedentarismo.
O resultado da pesquisa foi publicado na revista Nature, uma das mais conceituadas pela comunidade científica mundial. A partir das informações da população de Joinville, é possível impactar na forma de tratar e prevenir uma doença que afeta uma em cada quatro pessoas no planeta.
Novas possibilidades com a dupla titulação
Uma das primeiras instituições da Acafe a implementar o processo de internacionalização, a UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí) conta hoje com 117 acordos de cooperação com instituições de 25 países, entre eles Espanha, Itália, Portugal, Estados Unidos, Peru, Argentina e Colômbia.
Acordos que propiciam o intercâmbio de boas práticas e conectam estudantes, pesquisadores, professores e profissionais com o mundo. “Temos hoje um processo de internacionalização muito forte nas instituições do Sistema Acafe por meio de convênios e projetos em colaboração e, principalmente, projetos de dupla formação”, explica o reitor Valdir Cechinel Filho.
Segundo a presidente da Acafe, Luciane Ceretta, a chegada da dupla titulação nas universidades comunitárias catarinenses, embora recente, já produz resultados consideráveis.
Basicamente, o sistema garante a equivalência das matrizes curriculares entre cursos ofertados no Brasil com os das universidades de outros países. Ao final, o aluno se titula para ambas as instituições e pode exercer a profissão nos respectivos países. “É um ganho significativo, pois a mobilidade desse sistema permite ao estudante transitar em diferentes lugares e cenários e com isso contribuir por meio das experiências que ele leva e traz. Com a dupla titulação ganham todos: os estudantes, as instituições e a sociedade”, finaliza Luciane Ceretta.