As aulas presenciais na rede municipal de ensino de Florianópolis só deverão retornar quando a taxa de contágio da Covid-19 atingir o nível moderado. Apesar de a Secretaria de Estado da Educação prever a volta do ensino presencial em Santa Catarina para o dia 13 de outubro, é pouco provável que isso ocorra. Pois a retomada depende da queda nas taxas de transmissão, que deverão estar em nível moderado até o final de setembro.
Nenhuma região do Estado apresenta esse panorama no momento. E até esta quarta-feira (9), a taxa de transmissão da doença em Florianópolis continuava em nível grave.
Rede municipal contempla creches e escolas que atendem alunos do 1º ao 9º ano – Foto: Mauricio Vieira/Arquivo/Secom/ND
Ao contrário do governo do Estado, a proposta da Secretaria municipal é realizar a retomada presencial das aulas normais sob protocolos sanitários, e não apenas o atendimento dos alunos em reforço escolar.
Restringir a retomada para o reforço cria um estigma para os alunos com maior dificuldade. “Para isso temos o portal educacional, a possibilidade de ir para a escola com horário agendado e usar o laboratório”, afirma Maurício Fernandes, secretário de Educação de Florianópolis.
Protocolos para o retorno
A retomada do ensino presencial em 2020 restrita aos alunos com maior dificuldade de aprendizagem estava prevista no plano da Secretaria Estadual de Educação para o dia 19 de outubro. O ensino à distância permaneceria em vigência.
Entre outras coisas, o plano estadual prevê a retomada escalonada das turmas: os primeiros alunos a retornar em regime de reforço seriam aqueles matriculados no terceiro ano do Ensino Médio. A cada semana retornariam os alunos das turmas abaixo desse nível (2º ano, 1º ano, 9º ano, e assim por diante).
Caso seguisse esse mesmo plano, o ensino presencial aos alunos de reforço na rede municipal começaria apenas em novembro, explica Fernandes. Isso porque a rede atende alunos do ensino fundamental, do 1º ao 9º ano, além das creches (ensino infantil).
Com o objetivo de viabilizar a volta às aulas, a Secretaria de Educação de Florianópolis organiza um protocolo com condições sanitárias consideradas seguras. “Queremos retornar as aulas em dias espaçados, distribuindo as turmas”, detalha o secretário.
Espaçamento das mesas, alimentação, meios de transporte, entre outras coisas, são levadas em conta. Uma primeira versão já foi formulada e será entregue para a avaliação de um comitê de retorno às aulas, composto por pais, professores e profissionais da Secretaria de Saúde. O protocolo é inspirado no plano de contingência Estadual.
Possibilidade de retorno é baixa
A norma repassada pelo Estado é que as escolas voltem a funcionar apenas se os índices de contágio da Covid-19 nas regiões estiverem no patamar “moderado”, conforme apontado pelos medidores da Secretaria de Saúde. Caso contrário, o prazo será prorrogado novamente.
Até esta quarta-feira (9), três regiões do Estado continuavam em risco gravíssimo de transmissão da Covid-19 e outras 13 classificadas como grave. Apenas uma região está em “risco potencial alto” e nenhuma com risco moderado.
Mapa de risco por região do Estado atualizado nesta quarta-feira (9) – Foto: Secretária de Saúde de SC/Divulgação/NDAssim a possibilidade para o retorno das aulas no Estado, mesmo que restrita ao reforço escolar, é baixa. Inclusive porque a data certa para a retomada deve ser confirmada com cerca de 15 dias de antecedência.
Prioridade é a saúde
Fernandes ressalta que a prioridade no momento é conter o contágio da Covid-19. “Não podemos colocar em risco toda uma política de saúde que tivemos nesse momento” afirma.
Para o secretário, o retorno tem que ser feito com cautela para não ser necessário repetir o exemplo da Alemanha. O país europeu decidiu reabrir as escolas no início de agosto, mas precisou voltar atrás. Houve um surto entre alunos e professores.
“Este não é um ano perdido, mas um ano de aprendizado. O retorno tem que ser com muita segurança e a [Secretaria de] Saúde vai nos indicar se é possível retornar ou não”, conclui.