Já dizia o filósofo chinês Confúcio: “Trabalhe com o que você ama e nunca mais precisará trabalhar na vida”. Sendo assim, o amor e, principalmente, a curiosidade pela química fazem Andreza Michel, de 26 anos, ser feliz na profissão que escolheu. A moradora de Florianópolis é bacharel em Química e também produz conteúdos em vídeo explicando a ciência por trás de coisas do dia a dia.
O amor genuíno pela área nasceu quando Andreza tinha 14 anos, ainda cursando o ensino médio. Ela soube que o IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) oferecia o Curso de Técnico em Química. Então, não perdeu tempo e se inscreveu.
Cientista química Andreza Michel – Foto: Andreza Michel/Arquivo Pessoal/Reprodução/NDEm 2016, ela passou no vestibular em química na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Desde o primeiro dia queria estudar para entender como as coisas funcionam, não pensando só em uma vida profissional.
Seguir“Sinto falta de ficar até as 22h estudando na BU (biblioteca universitária), sempre gostei de me aprofundar nas matérias e sempre fui muito focada”, relembra.
Ela explica que é muito importante aproveitar tudo que a universidade oferece. Andreza foi monitora de química quatro vezes, participou três vezes do Laboratório de Química da UFSC e fez trabalho voluntário em uma empresa júnior da universidade, a “Reação Júnior“.
Conhecer outros ares
Com o sonho de realizar um intercâmbio, Andreza economizou o dinheiro que ganhava para conseguir realizar essa vontade. Ela estava com muita pressa para se formar, mas como a vontade era muita, decidiu desacelerar o curso para tentar conseguir o intercâmbio.
Para estudar em outras universidades fora do Brasil existem poucas possibilidades para graduação. Porém, após muitas pesquisas, ela descobriu que poderia trabalhar nos Estados Unidos, enquanto fazia o intercâmbio.
“Vi que essa oportunidade iria expandir meus conhecimentos gerais de vida e, além disso, ajudaria com o idioma. Então, vi quanto custava e era muito caro.”
Com isso, ela encontrou um estágio em uma escola de programação para crianças, no Santa Mônica. No entanto, Andreza não sabia “exatamente nada” sobre a área. “Mesmo não sabendo nada de programação, o dono me chamou para fazer um teste e me ensinou como programar”, afirmou.
Com esse estágio de 30h semanais, ela conseguiu realizar o tão sonhado intercâmbio no final de 2019 e conta que foi uma das melhores experiências da sua vida. “Após o intercâmbio, eu almejo um mestrado fora ou doutorado. A vida dirá”.
A pandemia e o nascimento de novos projetos
A reta final do curso de Química, em 2020, ficou marcada pelo isolamento provocado pela pandemia da Covid-19. Nesse tempo, Andreza ficou muito chateada, pois não conseguia estudar a fundo as disciplinas práticas e não conseguia aproveitar os espaços de estudos da universidade, então começou a tentar ocupar o tempo livre que possuía.
“Meu namorado começou a me ajudar com a tecnologia da edição de vídeos. Então, na pandemia comecei a tentar essa área de divulgação científica na área da química.”
Ela ainda diz que esse projeto no YouTube surgiu como uma forma de despertar o imaginário dos outros e também porque estava sozinha e triste por não ter um espaço de partilha de conhecimento.
“No início eu falava sozinha, ninguém via meus vídeos. Mas agora, consegui reunir uma comunidade que só cresce com o passar dos dias”, disse. Andreza conta com um total de 1,65 mil inscritos no seu canal do YouTube e 77 mil seguidores no Instagram.
Mérito pela dedicação e apoio familiar
Na pandemia, em 2021, Andreza se formou com mérito acadêmico, reconhecimento para quem tira as melhores notas. Ela conta que buscava incessantemente entender como as coisas funcionavam.
“Sempre fui de perguntar o porquê de tais coisas para os professores. Poderiam até me achar chata, mas eu não ligava, estava muito focada em aprender”, relembrou.
Muitas famílias desaprovam o curso que os filhos escolhem, mas com Andreza isso não aconteceu. “Minha família sempre mandou eu fazer o que gosto. Esse negócio de falar: ‘Ah, você vai fazer medicina’, nunca existiu dentro de casa”, conta.
Ela ainda complementa que pode não ter nascido em berço de ouro, mas foi essencial para sua formação ter um local onde morar e o apoio de sua família.
Ensinar bem é o que me inspira
Andreza possui muitas inspirações no mundo da divulgação científica, muitos criadores de conteúdo que despertam a imaginação e a curiosidade dos interessados pelo mundo da biologia e química.
“São pessoas que ensinam bem e essa vontade de educar da forma correta é o que me inspira. Como o canal ‘Nerdologia’, que relaciona a ciência e o mundo Geek, na pandemia eles estavam muito presentes falando várias coisas sobre a Covid-19”, conta.
Com o fim da pandemia e da graduação, Andreza passou por uma transição na carreira. Hoje, é criadora de conteúdo para o seu canal, Uma cientista por aí, e trabalha como editora de vídeos desde 2020.
“É algo que faço desde 2020, porque não tinha muita chance de emprego. Então, faço edição de vídeo para clientes, acho que é um diferencial nas produções que eu crio para o meu canal.”
Atualmente, Andreza está focada em seu projeto de divulgação científica, porém pensa em realizar um mestrado no próximo ano ou até iniciar outra graduação.
“Este ano quero fortalecer a divulgação científica. O canal está crescendo e as pessoas estão muito interessadas em conhecer mais a explicação de como algo funciona”, explica.
Andreza finaliza sua fala com uma frase incentivando as pessoas a entrarem neste meio científico e procurarem mais explicações: “quando estamos ao lado da ciência conseguimos combater fake news, pois temos argumentos para não cair em falácias.”