Conheça a filha de produtores de banana de SC que foi aprovada em medicina

Aluna de escola pública, Noemi Röder foi aprovada na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria)

Redação ND Joinville

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“A escola pública venceu”. Foi assim que a estudante Noemi Röder, de 18 anos, comemorou uma aprovação que é o sonho de milhares de jovens nos quatro cantos do Brasil. Agora, ela é, oficialmente, uma estudante de medicina e, para isso, precisou superar muitas dificuldades.

Aluna de escola pública, Noemi Röder foi aprovada na UFSM – Foto: Arquivo Pessoal/NDAluna de escola pública, Noemi Röder foi aprovada na UFSM – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Filha de produtores de banana em Garuva, no Norte de Santa Catarina, Noemi estudou em escola pública e, no terceiro ano do ensino médio, se deparou com a realidade de uma escola que não preparou os alunos para o vestibular e, a partir daí, precisou “se virar” para estudar à parte para o Enem.

“Eu não tinha muita noção, eu estava sem saber muito bem o que era, era meio abstrato, minha escola não aborda o vestibular e eu não tinha noção nenhuma. Procurava aulas no YouTube e assim estava indo até ver a propaganda de um cursinho em um dos vídeos. Eu nunca tinha ouvido falar em cursinho pré-vestibular, era uma realidade muito afastada da minha”, fala.

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Com os vídeos de aula e o cursinho recém-contratado, a rotina de estudos se intensificou. Mesmo sem saber direito qual curso escolheria, ela começou a estudar. E estudar muito. Com a chegada da pandemia e o trabalho suspenso por duas semanas, Noemi voltou para a casa dos pais, que moram no interior e dividiu estudos com a ajuda que dava a eles. “Eu acordava 1h30 antes de todo mundo para conseguir estudar mais, tomava café na escrivaninha para aproveitar o tempo. Aí o trabalho voltou, voltei para casa e continuei com o hábito de acordar 4h45 para estudar o máximo possível”, conta.

Se dividindo entre o trabalho na Secretaria de Saúde do município, as aulas do terceirão, os afazeres de casa e os estudos, a rotina era intensa. Depois de enviar a primeira redação para a plataforma do curso, a surpresa e decepção. Com notas altas na escola, o 440 na primeira redação enviada à plataforma foi um choque de realidade.

“Aquilo foi um nocaute. Eu sempre me considerei uma aluna muito inteligente, só tirava 9 e 10 na escola e quando comecei a estudar para o Enem ficava de boca aberta porque nunca tinha ouvido falar nada que os professores falavam nas aulas. Fiquei empolgada e triste ao mesmo tempo. Estudava de 9 a 10 horas durante a semana. No fim de semana de 15 a 16 horas. Quando não estava dormindo, estava estudando. Não era um fardo, começou a virar meu hobby”, fala.

E o hobby se transformou em aprovação em uma das universidades mais concorridas do país. Tradicional, a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) é a nova “casa” da estudante que vai sair de Garuva Acima para se dedicar ao curso de medicina. Mas não será agora. Depois de ver o resultado, no dia 30 de março, ela já começou a projetar, pesquisar e se preparar para o início das aulas, que serão on-line, neste primeiro momento.

As aulas começam no dia 18 de maio, mas a grade curricular já foi decorada pela estudante. “Me sinto muito feliz, na verdade estava meio descrente que eu tinha passado. Agora que a ficha está caindo aos poucos, foi muito repentino. Já vi a grade curricular 10 vezes, estou bem animada com tudo”, finaliza.

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