A Educação Especial é o movimento da inclusão das diferenças no atendimento escolar que vem aprimorando técnicas e profissionais ao longo de anos. É uma luta constante tanto de profissionais da educação quanto dos pais por políticas públicas que estejam vinculadas aos planos de educação nacional, estaduais e municipais.
A cooperação entre professores de sala de aula e do Atendimento Educacional Especializado de Navegantes auxiliam na identificação de alunos que precisam de acompanhamento – Foto: Eliandro Polidoro/its TeensA cidade de Navegantes tem atuado e desenvolvido atividades e fortalecido o núcleo de educação especial com o Atendimento Educacional Especializado (AEE) para poder chegar a mais crianças que necessitam de atendimento e reconhecer com mais propriedade esse segmento educacional.
As dificuldades e desafios ainda são inúmeros, mas os professores da Rede Municipal de Navegantes, tanto titulares de componentes curriculares quanto do AEE, trabalham em cooperação para a identificação de casos de crianças que necessitam de reforços e acompanhamento para letramento e alfabetização, retomando etapas que acabaram sendo puladas na jornada de cada criança.
SeguirTodo esse esforço se reflete no final com a percepção da melhora no rendimento escolar, da interação com os colegas, o convívio social e as atitudes também desempenhadas em casa com a família.
Aprendizagem por meio da estimulação precoce
Professora Marisa de Freitas de Souza – Foto: Eliandro Polidoro/its TeensA professora Marisa de Freitas de Souza, que trabalha na Escola Municipal Professora Maria Hostim da Costa, está há um ano e meio como professora do AEE. Ela é mãe atípica, ou seja, também possui um filho atípico e foi a partir dessa história que ela decidiu atuar e contribuir com a educação.
De acordo com Marisa, a aprendizagem pode ocorrer por meio da estimulação precoce, que é uma série de adaptações para destravar as habilidades que acabaram pulando as etapas do ensino. “Desenvolvemos, por exemplo, a função motora através de colheitas de plantas na terra, garantindo um repertório funcional para a alfabetização”, esclarece.
A criança precisa ativar pré-requisitos para a alfabetização e para habilidades gerais, como é o caso da motora, e a professora Marisa explica:
“Antes do aprendizado vem uma atuação funcional de uma habilidade a ser aprendida. É o caso do manuseio com a caneta. Antes de a criança segurar a caneta, ela precisa trabalhar o movimento que a caneta nos proporciona a estimular, escrever, pintar, todas essas funções. E nós fazemos isso através do brincar, colher plantas na terra, brincar com coisas miúdas que fazem com que a criança adquira a funcionalidade da pinça, em uma função motora, por exemplo.”
Segundo Marisa, o diálogo é imprescindível e fundamental em todo o processo. “Através do diálogo a gente percebe e diagnostica o que a criança está sentindo aquele dia, se ela está bem, dormiu bem, se alimentou, e a partir do que se entende da criança naquele momento é construída aquela aula. Então não são planejadas apenas uma aula para a criança, são até seis aulas de atuação planejadas com intencionalidade para que aquela criança possa se adaptar.”
A necessidade do AEE nos anos finais
Professora Eliziane Zvir – Foto: Eliandro Polidoro/its TeensLicenciada em História e Pedagogia, a professora Eliziane Zvir trabalha na Escola Municipal Professora Neusa Maria Rebello Vieira. Ela destaca que a principal ação em 2022 foi conseguir atrair alunos dos anos finais do Ensino Fundamental para o Atendimento Educacional Especializado.
“Me senti muito feliz em trazer alunos do sétimo e nono ano para o AEE, trabalhando administração financeira, alimentação saudável, como elaborar marmitas para a semana, trabalhei as universidades aqui da região, consegui trabalhar com eles o que fazer depois que sair do Ensino Médio. No AEE tem muita possibilidade para conversar e consegui mostrar para eles que há possibilidades depois que sair da escola. Não é porque eles são atípicos que eles não têm essa chance”, diz Eliziane.
Uma das maiores realizações para a professora foi conquistar esse público, trabalhando inteligência emocional, hierarquia em empresas. “É de escorrer lágrimas quando a gente compara quando o aluno chega para você e quando olha o percurso e toda evolução. Você vai trabalhando com eles e, de repente, o AEE começa a se tornar a coisa mais legal da escola”, comemora.
Para Eliziane, o ensinamento não deve ser passado, mas construído. Se existe um tema que os alunos gostam, o professor deve estudar para poder desenvolver com eles. E ela ainda confirma que o conceito é absorvido pelo aluno quando ele altera a atitude, quando ele muda aquele jeito, compreendendo a necessidade de determinadas ações.
AEE incentiva pensar no futuro
Para as crianças, o espaço do AEE é muito significativo e confirma o impacto percebido pelos professores, pois a atitude realmente é convertida externamente.
A aluna Vitória Magalhães Bazo está estudando no 8º ano e para ela o AEE é um espaço muito importante. “Aqui eu consigo aprender mais coisas, estamos vendo sobre a importância das frutas e verduras. Já vimos sobre os cursos, universidades, teatros e possibilidades que a gente tem na cidade de Navegantes”, relembra.
As atividades praticadas no AEE ajudam as crianças a desenvolverem ações, mudarem as atitudes e se relacionarem melhor em sociedade. “Nas horas vagas, gosto de ver os meus vídeos no celular, escutar música, ficar estudando. Estou fazendo umas pesquisas para fazer cursos de teatro, aula de música na frente em Navegantes, porque eu quero trabalhar como palhacinha”, projeta Vitória.