Em cada fase da vida, a maneira como interagimos uns com os outros e aprendemos vai mudando, adequando-se com o que é esperado. Na Educação Infantil, aprender com brincadeiras é sinônimo de autonomia, desenvolvimento e protagonismo.
Para aprender com brincadeiras, os amigos compartilham experiências dentro e fora da sala de aula – Foto: Ana Caroline ArjonasNo Núcleo de Educação Infantil Municipal (NEIM) Doralice Maria Dias, conhecido como NEIM do Futuro, o aprendizado é focado em intervenções nas áreas da música, artes, inglês, tecnologia, Libras e educação física, colocando as crianças como responsáveis pelo processo.
Com 290 alunos de quatro meses a seis anos, a unidade é a prova de que é possível aprender com brincadeiras. Isso porque o tempo é dividido entre as interações em sala de aula e a prática, com encontros que promovem a docência compartilhada e o foco em experiências que não estão pautadas no currículo, mas em eixos norteadores, alterados conforme o desenvolvimento da turma.
Seguir“A criança está no Ensino Infantil para se construir, para aumentar o repertório. Quando ela cresce e se permite participar de desafios, ser o principal ator do processo, ela ganha consciência e apropriação dela mesma”, explica a supervisora Anna Carla Luz Lisboa.
Oferecer um ambiente propício para a educação integral, com professores que unem aspectos pedagógicos e expertise, é o caminho para enriquecer o repertório – seja pelo conhecimento das novas tecnologias ou até mesmo a descoberta de movimentos e linguagens.
Para a diretora Eliane Brusco das Chagas, o NEIM trabalha no hoje a sociedade que a gente quer para o futuro. “Trazendo as áreas para um ambiente educativo, com brincadeiras, existe um significado para a criança. Aquilo é transformado em conhecimento e será carregado para onde ela for.”
Os reflexos já são percebidos entre os grupos. Para Gabriel Jaques dos Santos, 6, Emanuelle da Silva Soares, 6, e Mariah Costa dos Santos, 5, é difícil escolher a atividade preferida.
“O professor colocou uma música e deixou a gente escutar. Depois, ele parou e pegamos os instrumentos”, contam os alunos. O projeto de tecnologia também ganhou espaço no inconsciente.
“Fizemos a massinha elétrica com dois fios, um preto e um vermelho. Cortamos a massinha, fizemos uma minhoquinha e colocamos os fios”, relatam os amigos.
Aprender com brincadeiras: o processo além das quatro paredes
Mudança, inclusão e despertar são algumas das palavras que marcam a trajetória vivenciada além das paredes que, por muito tempo, foram e ainda são características do espaço educacional.
Entretanto, a organização do NEIM é diferente desde o início, que começa na disposição das crianças.
Isso porque as conversas são feitas em rodas e os professores acompanham os pequenos em todos os instantes – seja na hora do lanche ou no parquinho. A proximidade intensifica o processo de aprendizado, percebido nos momentos de convívio.
Um exemplo é quando os alunos começam a escolher a fruta no refeitório e pronunciam o nome dela em inglês ou quando decidem falar o nome das cores, durante a aula de educação física, em outra língua.
“Percebemos que as crianças se apropriam do conhecimento. Estava no refeitório e uma criança que estava longe tinha me chamado, mas eu não escutei. Ela percebeu que eu não ouvi e usou o recurso da libras para falar comigo”, conta o professor de tecnologia educacional Thiago Ribeiro Alves.
O espaço para aprender com brincadeiras e descobrir na prática é o empurrão que muitos precisam. “Pensamos na criança no aqui e no agora, tentando valorizar isso. Em artes, por exemplo, valorizo o processo criativo e não o produto final”, declara o educador Elivelton Alves de Souza.