Crianças criam brinquedos não estruturados com caixas de papelão em Navegantes

Com elementos que fazem parte do dia a dia, turma cria brinquedos não estruturados, dano asas à imaginação; saiba quais são as características desses itens

Ana Caroline Arjonas Navegantes

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Dar um novo destino para itens que fazem parte da rotina pode parecer um desafio. Na busca pela mudança, enxergar os objetos com olhar diferenciado é uma atividade que demanda tempo e criatividade. Mas você já pensou em criar brinquedos não estruturados? No CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Professor Robson Francisco Lopes, o questionamento fez parte da rotina da professora Ana Flavia Gava.

Transformar caixas de papelão em brinquedos é uma maneira de estimular a criatividadeTransformar caixas de papelão em brinquedos é uma maneira de estimular a criatividade – Foto: Matheus Nunes/Divulgação/its Teens

Diante das crianças do maternal, tudo começou com a participação no projeto “Caixas da Natureza”: a turma selecionou elementos que representassem a região da escola e enviaram para uma escola de São Paulo, recebendo pelos correios um envio feito pela mesma turma.

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O objetivo do projeto era exatamente esse: divulgar itens que são específicos de uma região e fazem parte da rotina dos pequenos.

“Quando recebemos (a caixa) foi um alvoroço porque aí vieram coisas diferentes. Além de usar os elementos, deu aquela ideia neles de que caixa é legal. Nessa brincadeira, cada caixinha que veio dentro da caixa eles começaram a brincar, e quando eles começaram a usar aquelas caixas, eu falei: ‘Opa, tem uma ideia de alguma coisa que atraiu a atenção deles’”, explica a educadora sobre a criação das atividades.

Embora a iniciativa tenha começado com o recebimento de uma caixa, a ação faz parte de algo que vem sendo trabalhado desde o início do ano: brinquedos não estruturados.

Aqui tudo pode ganhar vida, basta libertar a imaginação. Porém, antes de colocar a mão na massa, a turma conheceu a história do livro “O homem que amava caixas”, trama que retrata a relação de um menino com o pai e as diversas formas de amar.

Além da leitura, as crianças assistiram a alguns vídeos sobre a publicação. O passo seguinte foi começar a diversão, descobrindo o que cada um queria fazer.

“Deixei as caixas livres para ver como eles iam agir. Nesse momento, cada um pegou a sua, mas eles determinaram como iam fazer, não tinha uma regra estabelecida. Cada um pegou a sua caixa, daqui a pouco largava uma e brincavam juntos. Teve caixa que virou carrinho, um entrava, o outro empurrava, eles encheram de areia, uns colocaram flor, folha. Durante dois dias a gente deixou eles fluírem a criatividade com as caixas e depois retornamos à ideia”, explica Ana sobre o processo de reconhecimento e criação.

Foi na hora de decidir o que seria criado que cada um começou a trazer inspirações e comentar aquilo que seria legal construir. Com ideias que incluíam sereia, dinossauro, carro e casa, a turma foi descobrindo no processo o que era possível e aquilo que não seria viável recriar com as caixas.

Mais que a satisfação de ter uma ideia executada, aqui eles também aprenderam sobre coletividade, resolução de conflitos e como lidar com as frustrações, nos casos em que o resultado não foi como o esperado.

“O que eles querem é muito importante e eles aprendem que podem falar, que eles têm voz, desejo. Não existe mais essa coisa de ‘criança não tem querer’, pelo contrário, a criança tem que querer, e a gente está ali para tentar, quando possível, fazer com que eles realizem”, conta a professora, que costuma trazer para o convívio atividades e situações que trabalham o emocional.

Para quem está do outro lado, planejando, tudo começa com entender e aceitar o questionamento dos pequenos, afinal, é assim que surgem as ideias do que abordar e como ensinar.

“Além de buscarmos esses materiais, não tem nada pronto, eu não tenho o meu planejamento até o final do ano. Isso vai surgindo conforme o desejo deles, começo a criar o próximo, mas dentro daquilo que eles se interessaram como grupo”, explica Ana.

Na prática, a abordagem também vai ao encontro daquilo que a profissional enxerga na Educação Infantil, entendendo que essa fase da vida é uma oportunidade para a descoberta, para o que vai além das descrições e obrigações.

“Você desperta a vontade da criança de aprender. Eles têm que ter esse instinto detetive, porque têm que entender que a escola é o lugar que traz a novidade, não é um lugar que você aprende qualquer coisa. É para você aprender aquilo que você quer aprender, aquilo que você está buscando, um lugar prazeroso”, expõe a educadora.

Mais que a organização do pensamento ou raciocínio, são em atividades assim que os envolvidos começam a descobrir a importância do protagonismo, da criatividade, da curiosidade e até da autoestima.

“Desenvolve o cognitivo, porque eles aprendem muito e aprendem brincando; o motor, motricidade, imaginação. É um caminho amplo, eles se desenvolvem por inteiro, em todos os sentidos”, declara a diretora Patricia Salete Felicio, que salienta a importância de ter mais professores com coragem, dispostos ao desafio.

O que são brinquedos não estruturado?

Investir em brinquedos não estruturados pode ser uma ótima maneira de sair da mesmice com os pequenosBrinquedos não estruturados são aqueles não tradicionais, que não podem ser comprados em uma loja – Foto: Matheus Nunes/Divulgação/its Teens

Se você não conhece os brinquedos não estruturados, esse é o momento de compreender o conceito. O primeiro passo é compreender que cada objeto pode ter uma funcionalidade diferente, dependendo do momento, da vontade e da imaginação.

“Tudo é brinquedo não estruturado. Eles amam fazer comidinha, cantamos parabéns quase todo dia no parque, porque eles fazem bolo de areia, colocam um graveto em cima, colocam uma florzinha do lado e escolhem alguém para cantar parabéns”, finaliza a professora Ana Flavia, que acredita ser possível transformar tudo em brinquedo.

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