“Custava dar folha para ele desenhar”, desabafa mãe de autista em Joinville

Menino autista de cinco anos teve uma crise após ser levado para fazer educação física em um CEI quando ele queria só desenhar

Redação Joinville

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Uma situação delicada que causou indignação a uma mãe. Soelem Tainara Campos, 27 anos, mãe de um menino de 5 anos autista usou as redes sociais e procurou a reportagem do Grupo ND para denunciar o Centro de Educação Infantil (CEI) Zé Carioca, que fica no bairro Itaum, em Joinville.

menino autistaMenino durante crise quando chegou em casa. – Foto: reprodução vídeo/Divulgação ND

A mãe conta que na última terça-feira, dia 3, chegou na escola para buscar o filho, por volta das 17h20, e ele estava na quadra esportiva, no último banco, bastante irritado e não havia nenhuma professora junto dele.

“Quando me viu, veio, me abraçou e chorou”, relata a mãe. Ao chegar em casa, o menino entrou em crise, como mostra um trecho do vídeo abaixo. “Chora, se bate, se machuca toda a vez que entra em crise”, complementa Soelem.

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Vídeo: Arquivo pessoal/Divulgação ND

Para a mãe, está claro que, na última terça-feira, o que desencadeou a crise foi o fato de o filho ter sido obrigado a fazer educação física quando não queria. “Ele só queria desenhar. Custava dar uma folha pra ele desenhar ou me ligar para buscá-lo”, fala, indignada a mãe.

Ainda de acordo com Soelem, foi a própria diretora da instituição que o pegou pela mão e o levou na quadra para praticar educação física.

Mas o fato é que, segundo a mãe, o filho não gosta de educação física e a disciplina é aplicada todas as terças e quartas-feiras.

“Não é a primeira vez que busco o meu filho no CEI e ele está recluso na educação física. As outras crianças todas estão perto da professora e ele não. Está sempre sozinho e fica irritado nesses dias”, desabafa Soelem, lembrando que o filho não fala.

A mãe contou que chegou a ir até a Secretaria Municipal de Educação expor a situação, falar da questão da educação física e do sentimento de “exclusão” do seu filho.

“Eles me orientaram conversar diretamente com a escola, tentar resolver a situação lá mesmo no CEI”, disse Soelem.

Porém, no CEI, a reunião até hoje não foi marcada.

Na mesma terça-feira do fato, inclusive, Soelem chegou na escola e ouviu da auxiliar de direção: “Mãe, ele anda nervoso. Precisamos marcar uma reunião para conversar sobre o seu filho. Ele está tomando a medicação?”, teria questionado a auxiliar de direção. Soelem respondeu que sim, que o filho está tomando regularmente a medicação.

Nas redes sociais, a mãe fez o desabafo e muita gente comentou.

“Hoje venho relatar a minha indignação! Pra quem não sabe o meu filho é autista e ele ama desenhar, e hoje no Cei ele só queria desenhar e não quis ir para a educação física, porém a diretora que foi levar ele, ele ficou super irritado e quando eu chego para buscar meu filho, ele está em um cantinho da quadra longe das professoras, meu filho no meio de uma crise e me deixaram lá sozinha com ele, ai quando eu desço ouço da auxiliar de direção do Cei que precisamos fazer uma reunião para falar do xxx e se ele está tomando as medicações. Aí eu te pergunto: cadê a inclusão?

Falam tanto de inclusão e eu não vejo isso não. As professoras parecem que têm medo dele, chegamos do Cei ele no meio de uma crise tão forte pra não se machucar coloquei ele na cama, olha é tão triste ver ele assim. Só quem é mãe de uma criança especial sabe o quanto isso dói na gente.?Custava dar uma folha pra ele desenhar ou me ligar para buscar ele?”

Contraponto:

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Educação, que apurou o caso e encaminhou nota oficial. A Secretaria destacou que momentos como a aula de Educação Física são importantes para promover a interação social e a inclusão. Veja nota na íntegra abaixo.

“A Secretaria de Educação de Joinville realizou um atendimento à mãe nesta semana e, após tomar conhecimento da queixa, apurou o caso junto ao Centro de Educação Infantil. A diretora acompanhava a aula de Educação Física e esclarece que estimulou o menino a participar das atividades, sem desconsiderar sua vontade.

A proposta da Educação Infantil é que as crianças possam vivenciar experiências que ampliem seus conhecimentos e habilidades, sem sistema de avaliação por nota e, portanto, sem obrigatoriedade de participação em todas as atividades. Porém, momentos como a aula de Educação Física são importantes para promover a interação social e a inclusão, estimulando o desenvolvimento motor das crianças, e, por isso, todas as crianças são incentivadas a participar.”

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