Defesa de professora demitida de faculdade de Joinville se posiciona: ‘lamentável’

Maria Elisa Máximo era professora na Faculdade Ielusc há 15 anos e foi demitida após publicar um posicionamento político em uma rede social

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Redação ND Joinville

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Após uma manifestação feita por alunos, egressos e outros apoiadores e os boatos de uma suposta invasão a Igreja da Paz durante o protesto, a professora Maria Elisa Máximo se posicionou sobre a demissão da Faculdade Ielusc, em Joinville, no norte de Santa Catarina.

Manifestação realizada nesta terça-feira (18) foi contra a demissão da professora – Vídeo: Internet/Reprodução

Ela havia sido afastada da instituição no início do mês, após se posicionar contra o candidato à reeleição para presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma rede social. Já na terça-feira (18), foi demitida pela faculdade, motivo da manifestação que ocorreu nesta semana.

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Segundo a nota enviada pela defesa da professora, a postagem feita em rede social pessoal foi “maliciosamente repercutida, transformando-a em alvo de ataques à sua honra e ao ódio de grupos políticos extremistas”. Veja o posicionamento na íntegra:

“A Profa Dra Maria Elisa Máximo foi demitida na tarde de ontem da Faculdade IELUSC, Joinville/SC, após 2 semanas de afastamento para tratamento de saúde, desde que sua postagem em seu twitter pessoal foi maliciosamente repercutida, transformando-a em alvo de ataques à sua honra e ao ódio de grupos políticos extremistas, especialmente da Cidade de Joinville/SC.

Enquanto Advogadas de Defesa, informamos que estamos tomando todas as medidas judiciais cabíveis nas esferas necessárias, para que os Autores e Autoras destas perseguições sejam responsabilizados nos termos das legislações vigentes.

Sobre a rescisão do contrato de trabalho anunciada ontem, consideramos LAMENTÁVEL o posicionamento da Faculdade, que coloca fim a um trabalho seríssimo e comprometido de docência, pesquisa e extensão de mais de 15 anos, que prejudica não só a Professora, mas todos os demais Docentes e Discentes envolvidos nos projetos por ela Coordenados.

Por oportuno, agradecemos todos os apoios e manifestações despendidas à Maria Elisa Máximo, especialmente às suas Alunas, Alunes e Alunos, que tão logo souberam do fato, no contexto das Manifestações Nacionais dos Estudantes, realizaram um ATO PACÍFICO E ORDEIRO na Defesa da Democracia, do Ensino de qualidade, contra a Censura e em repúdio à Demissão injustificada da Professora”.

Assinam a nota as advogadas Daniela Felix, Luzia Cabreira e Andreia Indalêncio.

Suposta invasão de igreja repercutiu na internet

A manifestação contra a demissão da professora viralizou depois que publicações na internet informaram sobre uma invasão a Igreja da Paz, que fica no mesmo pátio onde está a Faculdade Ielusc. Contudo, a própria Paróquia da Paz desmentiu a informação.

Durante o protesto, os manifestantes estiveram no pátio e também entraram em um dos prédios da instituição. Contudo, não entraram na igreja que fica no mesmo local, onde era celebrado um culto que acabou interrompido. Os manifestantes também não tiveram acesso ao sino.

A Polícia Militar foi acionada e reforçou que “a manifestação existiu, mas sem agressões ou danos ao patrimônio”. Além disso, informou que não foi acionada pela faculdade e que acompanhou a dispersão dos manifestantes.

Na noite desta quarta-feira (19), pais e alunos da Faculdade Ielusc e do Colégio Bom Jesus fizeram uma manifestação a favor da instituição, que preferiu não se posicionar.

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