A escola tem como missão formar não apenas artistas mas, também, cidadãos. – Foto: Escola do Teatro Bolshoi/DivulgaçãoA Escola do Teatro Bolshoi no Brasil existe há anos e é a única filial do Teatro Bolshoi da Rússia. Ao longo das últimas duas décadas, formou diversos profissionais da dança e, ao ressaltar seu compromisso social de conceder 100% de bolsas de estudo, além de benefícios para todos os alunos, também transformou a vida de muitas famílias.
A escola, que se tornou uma referência no Brasil e no mundo, tem como missão formar não apenas artistas mas, também, cidadãos. Seu propósito hoje é promover a inclusão social e faz isso por meio de diversos projetos sociais espalhados pelo país, contribuindo para uma política pública de qualidade para as pessoas que só precisam de uma oportunidade para transformar sua vida – como foi o caso do Geovan da Conceição, ex-aluno que mora em João Pessoa, Capital paraibana.
Em entrevista, o professor de dança clássica e dança contemporânea, conta como passar pelo Bolshoi foi importante para sua trajetória enquanto profissional e cidadão.
A chave do futuro
Geovan conta que tudo mudou a partir do momento em que pisou no Bolshoi e percebeu sua grandiosidade – tanto da estrutura, quanto dos profissionais que fazem parte da escola.O carinho que recebeu na infância, ao ingressar na instituição, e a disciplina que ela oferece e exige dos alunos, foram peças fundamentais para seu crescimento enquanto profissional e pessoa.
“- Bom, eu não posso falar do Bolshoi sem antes falar de onde vim. Sou um rapaz que veio da comunidade do Citex, em João Pessoa. Em 1990 a comunidade era muito pobre e violenta, então já dá para imaginar todo tipo de coisa que eu devo ter passado nessa fase inicial da minha vida, né? A partir desse momento eu fui a um abrigo. Morei por muitos anos nesse lugar e a minha vida mudou bastante, mas, de qualquer forma, ainda era um abrigo. Um dia eu tive a oportunidade de assistir ao espetáculo do Bolshoi e fiquei extremamente encantado. Em pouco tempo, pude fazer os testes para a escola” – lembra.
Geovan iniciou os estudos na Escola Bolshoi em 2004 e reitera que o lugar foi responsável por lhe dar uma profissão. O professor explica que quem ele é hoje, profissionalmente falando, veio do ensinamento aprendido na escola.
“ – Simplesmente ela deu a chave do meu futuro em minhas mãos. Então só por isso, já sou muito grato por tudo o que o Bolshoi fez por mim” – completa.
Aprendizados que vão além da dança
Geovan iniciou os estudos na Escola Bolshoi em 2004. – Foto: Escola do Teatro Bolshoi/DivulgaçãoJá faz 11 anos que Geovan saiu do Bolshoi e, desde que ingressou no mercado de trabalho, só viu a sua vida crescer. Hoje, o profissional consegue ver que esse crescimento vem da disciplina aprendida na escola – característica que aplica em outros pontos de sua vida. “- A qualidade do que eu faço, do que eu busco em meus trabalhos, também era aplicada dentro da escola e se reflete na minha vida, né. Hoje, mesmo estando há tanto tempo fora dela, busco fazer meu trabalho com muita excelência”.
O ex-aluno conta que isso também é muito notado pela cidade, pelos lugares onde trabalha. A excelência aprendida no Bolshoi reflete dentro e fora da instituição. Segundo ele, quando o aluno sai dela, continuará buscando por isso, pela excelência em tudo o que faz.
Além da disciplina, durante os oito anos que ficou no Bolshoi, Geovan também aprendeu sobre empatia, perseverança, proatividade, resiliência, respeito, responsabilidade e sensibilidade. Sensibilidade no sentido de enxergar o mundo, o outro e de como alguém pode se lançar como um artista.
“ – Eu serei sempre eternamente grato e, agora, acredito que seja minha vez de compartilhar isso com outras pessoas. E assim isso vai se reverberando, atingindo o próximo. A gente vê tantas coisas ruins no mundo, mas nós temos que buscar ser a diferença”.
Mais do que uma profissão
Já faz 11 anos que Geovan saiu do Bolshoi e, desde que ingressou no mercado de trabalho, só viu a sua vida crescer. – Foto: Escola do Teatro Bolshoi/DivulgaçãoQuando perguntado sobre o que aprendeu além da dança, Geovan conta que foi mais do que ter uma profissão, mais do que a técnica. Que a instituição é capaz de formar grandes cidadãos, e que isso realmente acontece.
“ – Cada um tem seu momento e esses momentos eles te atravessam de forma diferente, né? Para mim é surreal o que eu vivi dentro daquela escola. São valores, princípios que eu vou levar para o resto da minha vida, que eu vou tentar repassar da melhor forma possível”.
Geovan também lembrou de um momento importante na Escola: ele conta que era muito pequeno e lembra carinhosamente de um professor chamado Guto, que dava voltas no quarteirão com os alunos e cantava uma música, cuja letra dizia que para ser um bailarino era preciso aptidão, respeitar os companheiros e ser um grande cidadão.
“- Olha só, né… Uma coisa ali que ele cantou, naquela hora, algo que parecia ser tão simples, me atingiu de um modo muito positivo”.
Aprendizado que se retribui
Sobre como o profissional retribui e aplica a cidadania e responsabilidade social aprendidas no Bolshoi, Geovan conta que depois de deixar a instituição, só queria ser um grande exemplo de superação, que as pessoas pudessem se inspirar nele e ser uma referência, já que um novo futuro foi oferecido a ele, a partir do momento em que pisou na escola.
“- Eu acredito que já estou me tornando uma grande referência, pelo menos aqui na minha cidade. Estou escrevendo minha autobiografia, em que poderei compartilhar a minha história, perpetuá-la através das palavras, e contribuir com o aprendizado de muitas outras gerações”.
Geovan é apenas um, dos muitos alunos que passaram pelo Bolshoi e tiveram suas vidas transformadas a partir da dança e da cidadania. Caso você tenha se emocionado com a história do ex-aluno e queira saber mais sobre a Escola Bolshoi, seus projetos, ou até contribuir com ela por meio de doações, auxiliando no desenvolvimento de outras pessoas, acesse o site.