Dinheiro do Uniedu desviado por faculdade de Chapecó supera R$ 100 mil

Investigação da Polícia Civil revelou que a instituição recebia o recurso do governo estadual, mas não repassava aos estudantes, que continuavam pagando as mensalidades

Foto de Willian Ricardo

Willian Ricardo Chapecó

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Deve passar de R$ 100 mil o total de recursos de bolsas de estudo desviados por uma faculdade em Chapecó/SC, que está sendo investigada pela Polícia Civil há três meses, após a denúncia feita por alunos ao Ministério Público de Santa Catarina. Quatro pessoas são suspeitas dos crimes, entre elas, o dono da instituição.

Dinheiro do Uniedu desviado por faculdade de Chapecó supera R$ 100 mil – Foto: Polícia Civil/NDDinheiro do Uniedu desviado por faculdade de Chapecó supera R$ 100 mil – Foto: Polícia Civil/ND

Os estudantes carentes foram contemplados com a bolsa de pesquisa pelo Uniedu, o programa bolsas universitárias da Secretaria de Estado da Educação, mas a verba não foi repassada pela faculdade para os estudantes, que continuaram pagando as mensalidades.

“Desta forma, a faculdade recebeu duas vezes, tanto da bolsa de pesquisa quanto dos alunos. Esses valores nunca foram devolvidos”, afirmou o delegado da Polícia Civil, Eder Matte, que já identificou 10 estudantes vítimas do esquema criminoso.

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Essa investigação iniciou quando estudantes contemplados pelas bolsas de pesquisa perceberam no sistema do programa que o valor era superior ao da mensalidade, em alguns casos, a quantia passava de 150%. Os alunos desconfiaram da situação quando realizaram login para a assinatura dos recibos, que era feita pela internet.

Ação foi deflagrada nesta terça-feiraAção foi deflagrada nesta terça-feira

“Quando estudantes questionaram a direção da faculdade sobre tal assunto, foram orientados que deveriam simplesmente assinar os recibos mesmo com valores maiores aos da mensalidade, o que seria considerado bolsa integral. Os alunos acabaram fazendo dessa forma por um grande período”, ressaltou Matte.

Ainda há relatos de estudantes de que funcionários ligaram para eles pedindo a senha e o login do sistema Uniedu, para assinar os recibos das bolsas de pesquisa, o qual é feito pela internet, sem que os alunos soubessem. Até mesmo ex-alunos foram receberam contato. A fraude era feita pelos próprios funcionários, apontou a investigação.

Segundo a Polícia Civil, somente nos três últimos anos, o desvio chega próximo de R$ 100.000,00, entretanto, esses números podem ser ainda maiores. O órgão pede que novas vítimas procurem a polícia.

“Vários alunos nos procuraram e denunciaram essa situação, alguns deixaram de receber na faixa de R$ 5 mil no ano. Tinha estudantes que o valor da bolsa era superior a R$ 400 por meses”, salienta.

Operação “Bolsa Limpa”

Os agentes da Polícia Civil cumpriram quatro mandados de busca e apreensão, nesta terça-feira (11), sendo um deles na própria faculdade, o outro na casa do dono da instituição e os demais nas residências de funcionários.

Ação da polícia durante operação Bolsa Limpa – Vídeo: Polícia Civil/Divulgação/ND

Durante as buscas foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores, além de R$ 36 mil em dinheiro na casa do empresário.

Nenhum dos suspeitos estava preso até a última atualização dessa reportagem. Os quatro investigados têm de 20 a 30 anos e não possuem antecedentes criminais.

Segundo o delegado, os suspeitos serão responsabilizados pelos crimes de peculato, apropriação indébita, associação criminosa e falsidade ideológica.

“A investigação segue, por existirem várias vítimas e elementos para trazermos. Vários crimes estão sendo apurados”, completou Matte.

A faculdade

A faculdade alvo de investigação fica localizada no bairro Efapi, em Chapecó. A instituição está no mercado desde 2010 e atua com graduação, pós-graduação e extensão, por meio do sistema híbrido e presencial.

Policiais apreenderam dinheiro durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão – Vídeo: Polícia Civil/Divulgação/ND

“Proporcionamos uma educação de qualidade em diversas áreas do conhecimento com dedicação e comprometimento, formandos cidadãos que contribuam para o desenvolvimento da nossa sociedade”, diz a descrição da instituição no Google.

O ND+ procurou a faculdade para se manifestar sobre o ocorrido, mas até a publicação da reportagem, não obteve resposta.

A Secretaria de Estado da Educação informou ao ND+ que não tem conhecimento do caso.

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