Todo mundo já passou pela situação de estar com uma música na cabeça a qual não consegue lembrar.
A melodia nos segue o dia todo, a gente cantarola para as pessoas na esperança de que alguém reconheça o som e nos ajude a lembrar. E muitas vezes a gente acha que está arrasando, mas está cantando tudo errado. E está tudo bem!
Todo mundo já passou pela experiência de ter uma música presa na cabeça, e agora a ciência está evoluindo ao ponto de reproduzi-la a partir de suas ondas cerebrais – Foto: iStock/Divulgação/its TeensEm alguns casos, já existem ferramentas para isso. Se soubermos uma parte da letra, é só pesquisar no Google que achamos.
SeguirQuando é uma música que está tocando no rádio e queremos saber qual é, é só usar o Shazam ou outro aplicativo de reconhecimento. Porém, quando só sabemos a melodia, é uma tarefa árdua em que só a memória pode ajudar mesmo.
Quer dizer, talvez não por muito tempo. Em agosto deste ano foi divulgada uma pesquisa de um grupo de neurocientistas da Universidade da Califórnia na qual uma música foi reproduzida toda por leitura das ondas cerebrais pela primeira vez na história.
A canção escolhida foi o clássico “Another Brick in The Wall”, da banda britânica Pink Floyd — inclusive a música fala sobre educação e vale a pena conhecer.
O experimento foi feito com 29 pessoas que passaram por cirurgias no cérebro e tiveram sua atividade cerebral captada por eletrodos durante o procedimento.
Em todos estes, a canção do Pink Floyd estava tocando ao fundo, e o padrão das respostas cerebrais foi detectado e repassado a uma IA (Inteligência Artificial), que transformou os estímulos em sons.
A música, claro, não ficou uma reprodução perfeita, mas parece que, em breve, poderemos tocar com a mente e isso é muito Black Mirror.
Pesquisa para além da música
A mesma Inteligência Artificial que reproduz uma música a partir das suas ondas cerebrais pode também ser uma grande ferramenta para a medicina – Foto: iStock/Divulgação/its TeensO uso de Inteligência Artificial na música é uma realidade há algum tempo. Há vários sites (Mubert, Soundful, Boomy, entre outros) que já compõem com a utilização das IAs, algo que está dando o que falar na indústria musical.
Trilhas sonoras de uso livre, entre outros recursos, já são disponibilizadas e vendidas. Um tema que nos leva até a questões filosóficas sobre o que é arte, mas isso é papo para outro dia.
Na área da medicina, o objetivo dos cientistas dessa pesquisa, na verdade, é o uso médico para este tipo de recurso.
Ao, literalmente, ler o cérebro de alguém, a comunicação com pacientes que não conseguem falar passa a ser uma possibilidade. Isto pode auxiliar muito pessoas com deficiência ou hospitalizadas com, por exemplo, paralisia cerebral e ELA (esclerose lateral amiotrófica), entre outras doenças.
É um progresso enorme, mais um dos avanços possibilitados pelo uso de inteligências artificiais na medicina.
O mais comum é na leitura de dados. Quem conhece a realidade de hospitais, UPAs (unidades de pronto atendimento), postinhos e toda a rede do SUS (Sistema Único de Saúde) sabe que a área da saúde gera muitos dados e registros que, por sua vez, resultam em diversas pesquisas.
Com as IAs, a leitura destes dados em volume pode gerar descobertas gigantes para a medicina — como diagnósticos e interpretação de exames de imagens, monitoramento de sinais vitais e até prevenção de doenças de acordo com o perfil genético de cada pessoa.
Um exemplo disso é que, já em 2016, uma IA chamada Watson, da IBM (megaempresa de softwares), detectou um tipo raro de leucemia em um paciente japonês em apenas dez minutos.
Diversos questionamentos são feitos sobre as inteligências artificiais, e com razão, afinal de contas, elas são ferramentas e, como tal, podem ser usadas para diversos fins.
Porém, a possibilidade de coisas boas que as IAs podem gerar é fascinante! Abrimos o texto falando sobre algo que acontece no dia a dia, mas o fato é que a ciência e a tecnologia, neste caso, nos permitem conquistar muito mais do que descobrir uma música que queremos lembrar.