Eduardo Bolsonaro se manifesta sobre exoneração de professor em SC por ‘viadagem’

O deputado federal Eduardo Bolsonaro utilizou as redes sociais para elogiar a atitude da Prefeitura de Criciúma após exonerar um professor de artes por ter exibido o trabalho 'Etérea' em sala de aula

Redação ND Criciúma

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O deputado federal, Eduardo Bolsonaro se manifestou sobre a exoneração de um professor de artes após exibir o trabalho ‘Etérea’, do cantor Criolo, em sala de aula em Criciúma, no Sul de Santa Catarina.

O caso ganhou proporções nacionais após o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, explicar a exoneração do profissional dizendo que não aceitaria ‘viadagem’ em sala de aula.

Nas redes sociais, o filho do presidente Jair Bolsonaro elogiou a postura da Prefeitura de Criciúma no caso.

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“O município acertou em demitir o tal professor. Que de uma vez por todas aprendam a não tentar sexualizar as crianças em sala de aula”, escreveu o deputado ao compartilhar um vídeo da professora Paulo Marisa sobre o caso.

O professor de artes foi exonerado pela Secretaria de Educação de Criciúma após exibir o trabalho ‘Etérea’ do cantor Criolo para o 9º ano da Escola Pascoal Meller, no bairro Santa Augusta em Criciúma.

De acordo com o Siserp (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Criciúma e Região), ele teria pedido demissão após receber mensagens com ameaças e xingamentos.

O caso veio à tona através de um vídeo da advogada e coordenadora regional sul da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Júlia Zanatta. Posteriormente, a Prefeitura de Criciúma emitiu uma nota em que diz que a exoneração do professor ocorreu devido ao vídeo estar fora dos planos e diretrizes pedagógicas da Secretaria da Educação. Fato, também, contestado pelo Siserp.

Após a exoneração, o prefeito de Criciúma Clésio Salvaro gravou um vídeo em que diz não aceitar ‘viadagem’ em sala de aula.

“Esse professor expôs vídeo erotizado e nós não permitimos, não toleramos. Nas escolas do município enquanto eu estiver de plantão esse tipo de atitude não vai acontecer. Essa viadagem na sala de aula nós não concordamos”, diz o prefeito no vídeo.

O prefeito Clésio Salvaro, de Criciúma, reagiu à aula que exibiu cenas que ele considera eróticas. – Foto: NDMaisO prefeito Clésio Salvaro, de Criciúma, reagiu à aula que exibiu cenas que ele considera eróticas. – Foto: NDMais

Vídeo é retirado das redes sociais do prefeito

O vídeo em que o prefeito explica a exoneração e usa o termo ‘viadagem’ foi retirado das contas oficiais dele nas redes sociais. O vídeo foi publicado no Facebook e Instagram oficial de Clésio Salvaro.

De acordo com a Secretaria de Comunicação de Criciúma, o vídeo foi retirado pelas próprias plataformas, devido a não condizer com as diretrizes do Facebook. As publicações teriam sido enquadradas como ‘discurso de ódio’.

MP investiga o caso

Existem duas notícias de fato instauradas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC). Um na Procuradoria Geral de Justiça, que visa apurar se crimes, como o de homofobia, teriam sido cometidos por Clésio Salvaro no vídeo publicado nas redes sociais.

Caso tenha elementos suficientes a Procuradoria pode instaurar um Procedimento Investigatório Criminal (PIC).

Já na 5ª Promotoria de Justiça de Criciúma a notícia de fato visa  averiguar possível prejuízo à dignidade humana de caráter coletivo na exoneração do professor e se o procedimento foi o correto pela Prefeitura de Criciúma.

Protesto com mais de mil pessoas e artistas apoiam professor

Após a demissão do professor e o vídeo do prefeito Clésio Salvaro, uma parada LGBTQIA+ foi realizada no última sábado (28). O evento reuniu mais de mil pessoas no Parque da Prefeitura Altair Guidi, em Criciúma.

Foram arrecadados no evento cerca de meia tonelada de alimentos.  A manifestação contou com o apoio do cantor Criolo e do músico Caetano Veloso. Diversas entidades, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Associação de Arte Educadores de Santa Catarina, entre outros, soltaram notas apoiando o professor exonerado.

“Mais uma vez, desde seu lançamento, o clipe e o documentário da música Etérea [com a participação de representantes de coletivos LGBTQIA+ nacionais] abrem espaço para o debate na sociedade brasileira, após a lamentável demissão de um professor depois de exibir o projeto em sala”, escreveu Criolo nas redes sociais.

Professor não quer falar

Muito abalado com o ocorrido, o professor está recebendo auxílio psicológico e jurídico do Siserp. De acordo com o sindicato, o professor não pretende se manifestar sobre o ocorrido.