As agentes educativas da creche Pró-Infância Aquarela, de Saudades, no Oeste catarinense, Marli Neis da Silva e Aline Beazebetti retornaram nesta sexta-feira (14) à unidade escolar pela primeira vez depois da chacina que vitimou cinco pessoas. Segundo as educadoras, o sentimento é de estranheza, mas que é preciso superação.
Marli Neis da Silva e Aline Beazebetti retornaram à creche de Saudades na tarde desta sexta-feira (14) – Foto: Willian Ricardo/NDAline trabalha a tarde na creche e mora próximo da unidade escolar infantil. Quando ouviu gritos e pedido de socorro, não pensou duas vezes em ajudar.
Ela conta que conseguiu salvar o menino sobrevivente de 1 ano e 8 meses e levá-lo ao hospital. A criança recebeu alta hospitalar no dia 9 de maio, Dia das Mães. Ele sofreu ferimentos no rosto e teve o pulmão perfurado.
Seguir“Peguei o menino e levei para o hospital, mas eu não consegui entrar na creche porque não tive coragem. Talvez essa foi a melhor atitude porque hoje eu poderia não estar viva”, conta a agente educativa.
O Ministro da Educação, Milton Ribeiro, visitou a creche Pró-Infância Aquarela nesta sexta, na companhia do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), do prefeito de Saudades, Maciel Schneider e demais autoridades.
Além de trazer uma mensagem de solidariedade, o ministro, bastante emocionado, entregou uma bíblia para cada família vítima da chacina.
Colorido transforma a creche
Desde a última segunda-feira (10), a escola infantil passa por uma transformação. As aulas continuam remotamente e as crianças retornarão às atividades depois que tudo estiver pronto.
Marli lembra que conversou com as professoras que morreram um dia antes da chacina, conversas que aconteciam todos os dias praticamente, segundo ela. E que não esquecerá desses momentos, mas que agora o recomeço será de boas lembranças.
Local onde aconteceu a chacina será um espaço de lazer – Foto: Willian Ricardo/ND“Dá aquele aperto no coração voltar aqui depois de tudo o que aconteceu, mas essa transformação na escola vai melhorar, vai dar uma visão diferente, mas as lembranças vão ficar”, conta a educadora.
Aline acrescenta que “tem que tentar superar o medo e seguir. Esse colorido na creche vai ser muito importante para todos nós”.
A agente educativa lembra ainda que a cena que viu no dia do ataque volta à mente e que isso traz um pouco de insegurança. “Eu não quero mais ficar sozinha quando voltar às aulas”, finaliza.
A reforma conta com a ajuda dos moradores e clubes de serviços. Além das obras na sala, a creche passa por nova pintura e limpeza. A fachada da escola infantil também será transformada.