Impasse em greve da educação atinge quase 90% de creches e escolas em Florianópolis

Sem acordo com a Prefeitura, 86,5% das creches e 94,5% das escolas básicas municipais são afetadas pela paralisação que já dura um mês e meio

Lorenzo Dornelles Florianópolis

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Servidores da rede municipal da educação de Florianópolis, que estão em greve desde o fim do mês de março, realizaram um ato de protesto na região central da Capital na tarde desta terça-feira (11). Eles exigiam a abertura de negociação com o prefeito Gean Loureiro (DEM).

Em resposta, a Prefeitura de Florianópolis informou que só irá para a mesa de negociação caso a greve pare.

Professores em greve fazem protesto em FlorianópolisAto de protesto dos professores de Florianópolis foi realizado na tarde desta terça (11) – Foto: Reprodução/Sintrasem

O impasse afeta a vida de quem precisa deixar os filhos nas creches e escolas municipais para trabalhar.

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Na Capital, há um total de 89 NEIMs (Núcleos de Educação Infantil), dos quais 75 estão em greve parcial, dois em greve geral, e 10 não aderiram, de acordo com a lista levantada pela Secretaria Municipal da Educação. Isso representa 86,5% das unidades que são afetadas parcial ou totalmente pela paralisação.

Já no caso das Escolas Básicas Municipais, do total de 37 unidades educativas, 31 delas estão em greve parcial, e quatro em greve geral, ou 94,5%. Apenas duas escolas não aderiram à greve. A lista pode ser acessada neste link.

De acordo com o Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis), houve uma assembleia do comando da greve às 9h, seguida pela manifestação que ocorreu na Praça Tancredo Neves, a partir das 14h.

No ato, os manifestantes destacaram a comprovada legalidade da greve, e pediram por mais vacinas, testagem em massa e condições sanitárias.

Em nota, o Sintrasem se posicionou a respeito das exigências e fez duras críticas à gestão municipal:

“Gean Loureiro, o secretário de educação, Maurício Pereira, e todo o secretariado desrespeitam os trabalhadores, a sociedade, o Ministério Público e a cidade de Florianópolis. Haverá luta.

Na verdade já há, e ela só aumenta na mesma medida do deboche e do descaso com as nossas vidas e as da comunidade escolar como um todo. Nenhum passo atrás! Retomemos, cada vez mais, as ruas, sempre com segurança e distanciamento!

Querem nos entregar à loteria da morte, e não será sem enfrentamento! Hoje faremos mais um grande ato nas ruas do centro exigindo abertura de mesa de negociação, chega de desrespeito e negligência, Gean!”

Confira o vídeo do protesto:

GRANDE ATO DOS TRABALHADORES, DAS FAMÍLIAS E DOS CONSELHOS ESCOLARES DIZ: "NEGOCIA, GEAN!"#Sintrasem #Essencialéavida

Posted by Sintrasem Florianópolis on Tuesday, May 11, 2021

Prefeitura diz que só abre negociação se greve parar

A reportagem do ND+ entrou em contato com o gabinete do prefeito Gean Loureiro sobre as exigências do Sintrasem.

Em resposta, a Prefeitura informou que está discutindo o tema na Justiça, e ressaltou que só vai abrir mesa de negociação com o sindicato se a categoria voltar a atender as crianças de Florianópolis.

Entenda a greve dos professores

Os servidores da educação pública da rede municipal de Florianópolis estão em greve desde o dia 25 de março, quando se recusaram a retomar as aulas presenciais, por conta dos riscos de contaminação pela Covid-19.

No dia 29 de abril, o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) considerou legal a greve dos professores em Florianópolis, por maioria de votos.

No mesmo dia, a Prefeitura de Florianópolis informou que iria recorrer da decisão, e justificou que “a exigência do sindicato para retomar o serviço é a vacinação dos profissionais, o que implicaria na retirada de doses para os idosos que são do atual grupo prioritário”.

Além disso, considerou o movimento como “ilegal e vai contra o Plano Nacional de Imunização”. A Prefeitura também lamentou que “há escolas sem sequer darem aulas online, deixando as crianças sem qualquer tipo de ensino”.

A última atualização sobre o tema, de acordo com o TJSC, é de um embargo de declaração interposto pelo município na última sexta-feira (7). Os embargos têm a finalidade específica de esclarecer contradição ou omissão ocorrida em decisão proferida por juiz ou órgão colegiado.

Em tese, não servem, por exemplo, para reverter a essência daquilo que foi julgado, mas sim esclarecer eventuais dúvidas.

O embargo aguarda decisão em gabinete do TJSC desde esta segunda-feira (10), no entanto, não há prazo para a decisão.