Em Joinville, alunos desenvolvem habilidades por meio da robótica educacional

Com interação, novas descobertas e amizades, a robótica educacional é um mecanismo para unir a teoria e a prática

Ana Caroline Arjonas e Renata Bomfim Joinville

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Participar de projetos no contraturno, como a robótica educacional, é uma experiência que agregar na formação de todo estudante, além de auxiliar no desenvolvimento. Na Escola Municipal Doutor Ruben Roberto Schmidlin, o projeto “Energy is live” (Energia é vida, em tradução) busca resolver uma necessidade do bairro: a invisibilidade noturna.

A robótica educacional contribui com o desenvolvimento, autonomia e raciocínio lógicoA robótica educacional contribui com o desenvolvimento, autonomia e raciocínio lógico – Foto: Leve Fotografias/ Divulgação/ND

A unidade é uma das 50 escolas da rede municipal de Joinville com os espaços makers, uma porta de entrada para que a criatividade, a inovação e a invenção ganhem vida por meio dos robôs e programações executadas.

A ideia do projeto ligado à energia foi o tema da temporada da First Lego League (FLL), uma competição de exploração científica que desafia estudantes a resolverem problemas do dia a dia.

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A equipe de robótica educacional da unidade estreou na competição com a ideia de criação de postes sustentáveis, feito com material reutilizável e bateria, placa solar e LED. “É uma questão de educação social, de ver a necessidade do outro e prestar esse serviço”, comenta Rejane Duarte, professora de quinto ano e técnica auxiliar da escola na FLL.

O campeonato ocorreu no mês de fevereiro, em Itajaí, e contou com a participação de diversas escolas municipais de Joinville.

Na equipe, cinco estudantes de diferentes níveis escolares se ajudam, numa união que permite a cada um explorar e desenvolver suas potencialidades. Novo na escola, Pedro Eichenberg, 11, chegou no sexto ano com conhecimento de programação que adquiriu em outra escola municipal da região onde estuda.

“No primeiro dia, eu já estava amigo de todo mundo, conseguia ajudar na programação, porque na outra equipe eu era o programador e já tinha mais experiência”, conta o pequeno, fascinado pelo mundo da tecnologia. “Eu, desde pequeno, já falava que queria construir robôs e programar.”

Ainda no ano passado, a primeira equipe de robótica educacional formada na escola marcou presença em primeiro lugar no pódio na categoria “arquitetura arduíno”, no 2º Campeonato Joinvilense de Robótica, organizado pela Secretaria Municipal de Educação.

“O mais interessante é que a vitória do primeiro grupo despertou nas outras turmas como eles podem participar. Eles nunca antes tinham visto o que era”, relembra Isabel Cristina Theisen Andersen, professora integradora de mídia e metodologias (PIMM) da unidade. “É uma brincadeira, mas eles estão desenvolvendo diversas habilidades.”

Para Camilla Siedschlag Axt, coordenadora de mídias e tecnologias educacionais, o interesse  dos estudantes pelos espaços makers se dá, principalmente, pelo incentivo da própria PIMM da escola. “Há também escolas em que, uma vez decidido abrir o clube de robótica educacional, deixam livre para que os alunos se inscrevam conforme interesse. Sempre costumamos dizer que nosso papel é oportunizar momentos de aprendizagem e abrir portas para nossos alunos.”

Por que fazer parte de um grupo de robótica educacional?

Mais do que aproveitar para fazer novas amizades e conhecer a galera da escola, o grupo de robótica educacional é uma oportunidade para pensar e solucionar problemas que atingem a comunidade — isso porque o planejamento vai além do entendimento sobre matemática, pensamento lógico e raciocínio.

Com encontros programados e tarefas compartilhadas, a troca é ideal para desvendar novos horizontes, sugerindo ideias e participando de disputas como a First Lego League (FLL), que movimentam equipes e a participação de várias escolas da Rede Municipal. A longo prazo, os benefícios incluem o desenvolvimento do pensamento crítico, iniciativas pautadas na resolução de conflitos e conhecimentos que podem ser diferenciais no mercado de trabalho, como a conexão com a tecnologia.

Para aqueles que são tímidos e querem conhecer novas pessoas, o espaço também é ideal para fazer amigos. A elaboração de pesquisas e a junção entre a teoria e a prática são pontos positivos. Criatividade, organização, autonomia e o desenvolvimento cognitivo são aprendizados que vêm de brinde.

A robótica em 2023

Se antes era difícil imaginar um mundo harmônico entre humanos e robôs, os tempos provam que essa amizade será cada vez mais presente. Há anos as produções do cinema contam como seria essa amizade, laço que está presente no roteiro de filmes como “Big Hero” e “Ron Bugado”.

Agora basta pensar nas tarefas de rotina para lembrar da interação com o digital: uma mensagem no WhatsApp pode ser respondida por um robô; o atendimento online pode ser com uma máquina; e uma simples pesquisa no Google depende de um mecanismo de verificação que não é feito por humanos.

Para os próximos meses, a ideia é que as inovações sejam vivenciadas em diversas áreas e segmentos, modificando o mercado de trabalho e a comunicação. No âmbito escolar, a robótica educacional ganha um novo incentivo por meio da Política Nacional de Educação Digital (Lei 14.533/2023).

O intuito é incentivar a computação, a programação e a robótica educacional por meio de atividades e projetos. E você, já entrou para o clube da sua unidade de ensino?

Criar um robô é um dos benefícios de quem entra em um grupo de robótica educacionalCriar um robô é um dos benefícios de quem entra em um grupo de robótica educacional – Foto: Leve Fotografias

Criando um robô em casa

Engana-se quem pensa que as grandes criações e robôs só podem ser feitos em laboratórios. A verdade é que você também pode testar os conhecimentos em casa, criando um protótipo ou uma solução para os problemas do dia a dia. O segredo? Observar o que está ao redor.

Para criar um robô em casa, o primeiro passo é escolher qual será o projeto. A próxima decisão é se você pretende comprar um kit de montagem ou se o desafio será ir até a loja e selecionar cada peça. Neste caso, existem alguns itens que não podem faltar e você pode contar com a ajuda de um adulto para esta criação. Confira a lista:

  • Microcontrolador
  • Servos de rotação contínua
  • Rodas
  • Rodízio
  • Placa de ensaio sem solda
  • Sensor de distância com cabo conector
  • Switch com botão e resistor de 10k
  • Barra de pinos
  • Caixa para pilhas com tomada de alimentação de 9V DC
  • Conjunto de cabos jumper ou cabo flat
  • Fita dupla face ou cola quente

Uma dica é começar a montagem pela parte inferior, conectando os itens que vão estar na base do robô, assim será possível iniciar o projeto. A escolha dos materiais (ou do kit) vai depender da ideia a ser executada e daquilo que você pensa em alcançar com o robô.

Para soluções mais duradouras e complexas, a lista deve ser maior, assim como o tempo de desenvolvimento — o que vale é aproveitar as horas vagas e testar o conhecimento!

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