Em Joinville, projeto gratuito ensina aulas de violino para alunos da Rede Municipal

Desenvolvido na EM Professor João Bernardino da Silveira Junior, projeto “Meu primeiro violino” completa dez anos; conheça a trajetória

Renata Bomfim Joinville

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Alunos de uma escola da zona Sul de Joinville participam, há dez anos, de uma oportunidade ímpar criada pelo professor Pedro Romão Mickucz: o projeto “Meu primeiro violino”, desenvolvido para aproximar os alunos da música erudita.

Neste ano, a marca de uma década da iniciativa do professor de história e música foi comemorada com um concerto especial aberto à comunidade que relembrou toda a trajetória do grupo.

Professor Pedro Romão Mickucz é quem oferece as aulas de violino na EM Professor João Bernardino da Silveira Junior – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensProfessor Pedro Romão Mickucz é quem oferece as aulas de violino na EM Professor João Bernardino da Silveira Junior – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

Na Escola Municipal Professor João Bernardino da Silveira Junior, os alunos recebem o violino no início do ano letivo e levam para casa para continuar os estudos musicais.

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Ao todo, mais de 50 crianças tiveram contato exclusivamente com o instrumento de cordas neste período. “Eu vejo que essas crianças não teriam essas oportunidades se não tivesse o projeto de música”, diz Pedro.

Nesta primeira década do grupo, já saíram instrumentistas que tocam em orquestras, como é o caso de Keila de Carvalho, 18. Quando estava no Ensino Fundamental, a estudante ingressou no projeto após entregar uma atividade de sala de aula para o professor Pedro, que notou que o verso da folha era uma partitura musical. “Ele (professor) me perguntou se eu estudava música e me chamou para o projeto. E aí eu me encantei e aprendi a base de violino”, relembra.

Além do “Meu primeiro violino”, que faz parte do programa “Música na Escola”, da Secretaria de Educação, outras oportunidades musicais também são oferecidas na escola, como aulas de piano, flauta doce e coral, oferecidas por Michele Mohr Vicente.

A professora chegou à unidade em 2015, por meio do projeto de Extensão da Casa da Cultura, quando as aulas de violino já eram ofertadas na escola, e teve uma surpresa: Pedro havia sido seu aluno.

E a música é isso: uma verdadeira arte dos encontros – físicos ou emocionais. Além de aproximar pessoas, ela mexe com as emoções, conecta com o sentir e até com o processo de se descobrir.

“Eu gosto muito da música porque consigo me expressar tocando”, declara Francisco Mohr Vicente, aluno do oitavo ano e que há cinco faz aulas de violino na escola.

Nestes dez anos em que as aulas de violinos são ofertadas – e também outros projetos que se somam ao grupo de música da escola –, mais de 500 estudantes passaram pelas atividades oferecidas no contraturno escolar, tanto nas aulas com Pedro quanto com Michele.

“O projeto de música dentro da escola atinge as crianças de uma maneira diferente. Às vezes, em uma sala de aula de uma escola pública, tem cinco/seis alunos que tocam piano, violino, isso não é algo comum. Mas para eles é comum, está virando rotina você tocar um instrumento”, diz a professora.

Tão rotina que ao entrar na biblioteca da unidade, ao fundo, um piano divide o espaço com os livros e os armários com instrumentos musicais. As datas comemorativas e eventos na unidade não são os mesmos sem uma apresentação musical de fundo. A música está na identidade da escola. “Nesses dez anos, eu só tenho a sensação de dever cumprido”, agradece o professor Pedro.

Para marcar esta década tão importante do projeto “Meu primeiro violino”, mais de 70 alunos e ex-alunos se apresentaram no teatro do Senac para cerca de 300 pessoas, entre elas ex-diretoras da escola, autoridades, familiares e amigos.

No repertório, músicas que contaram a história do grupo embalaram a noite. “O bonito é que o projeto é do Pedro, a escrita, a idealização. Mas todo mundo que chega toma o projeto para si, e não existe uma disputa de quem aparece mais: o que é bonito é que é para eles. Esse é o propósito do projeto e ele cumpre”, finaliza a auxiliar de direção da escola, Juliana Silveira de Souza.

Preparação para o concerto de dez anos

No projeto, cada aluno recebe um violino para se desenvolver durante o ano e devolvê-lo ao final dos encontros – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensNo projeto, cada aluno recebe um violino para se desenvolver durante o ano e devolvê-lo ao final dos encontros – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

Nem quando começou o projeto “Meu primeiro violino”, lá em 2012, Pedro Romão Mickucz tinha ideia da dimensão que as aulas tomariam. Neste ano, ao completar dez anos de existência, o concerto marcou esta data comemorativa com apresentação única em um teatro da cidade.

Vestidos com a camiseta do programa, os estudantes subiram ao palco para a apresentação, regidos pelos professores Pedro e Michele, que também foi a responsável pelos arranjos dos instrumentos

Para promover a apresentação, a escola organizou vendas para arrecadar fundos e contou com o apoio da gestão, professores, alunos e toda a comunidade escolar, além da Secretaria Municipal de Educação.

Sem contraindicação

Parte do grupo de música que se apresentou no concerto de dez anos do projeto “Meu primeiro violino” – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its TeensParte do grupo de música que se apresentou no concerto de dez anos do projeto “Meu primeiro violino” – Foto: Leve Fotografia com Propósito/Divulgação/its Teens

Muito além de aprender a tocar um instrumento e desenvolver habilidades motoras, a música é um verdadeiro remédio sem contraindicação. O som das cordas, a melodia dos instrumentos de sopro e o ritmo da percussão desenvolvem áreas importantes do cérebro que ajudam na concentração, no raciocínio e até no desenvolvimento da memória.

Além disso, a música atua como poderoso calmante para o equilíbrio emocional – e esse é um dos motivos para a música ser tão importante na vida do professor Pedro. “A música me tirava de conflitos e crises existenciais e emocionais, e ela cura. Hoje, a música pra mim é a salvação de tudo.”

Não é à toa que as plataformas musicais já entenderam que as pessoas são movidas pela música e até criam playlists para cada tipo de necessidade: para praticar esporte, para estudar, para relaxar, para curtir com a galera, entre outras opções.

Estudos já mostram que, para cada fase da vida, a música tem um efeito poderoso no desenvolvimento do ser humano, como desenvolvimento da aprendizagem, conexão com o seu universo particular e até na cura de doenças, como Alzheimer e depressão.

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