Em Navegantes, crianças exploram a criatividade fazendo releituras de obras de arte

Para incentivar a descoberta de novas possibilidades e a proximidade com diversos materiais, crianças produzem versões próprias de obras de arte

Ana Caroline Arjonas Navegantes

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Observar obras de arte e os traços de artistas conhecidos é uma experiência que pode ser vivenciada de diversas formas. No CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil ) Professora Silvete Couto de Miranda, os pequenos do berçário, maternal e jardim receberam um desafio passado pela supervisora Regiane Junges: recriar uma obra de arte conhecida de profissionais nacionais ou internacionais.

O objetivo da atividade era fazer com que as crianças explorassem a criatividade, colocando o próprio toque nas obras de arteO objetivo da atividade era fazer com que as crianças explorassem a criatividade, colocando o próprio toque nas obras de arte – Foto: CMEI Professora Rosana de Fátima Gaya Barreto/Divulgação/its Teens

O primeiro passo foi compartilhado entre a responsável e as professoras, que participaram do processo de escolha dos nomes — Ivan Cruz, Romero Britto, Tarsila do Amaral, Aracy de Andrade, Vincent Van Gogh, Leonardo da Vinci, Daniel Pickler e Nivaldo Kloppel — os dois últimos são artistas locais.

Com a lista em mãos, foi a hora dos pequenos escolherem os nomes e obras de arte que queriam retratar, compreendendo que o importante, naquele momento, era expor a compreensão de cada um.

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“Sou contra cópia, digamos assim. Vejo na releitura uma inspiração para as crianças, e a ideia partiu do princípio de que a arte na Educação Infantil tem uma contribuição muito importante para o desenvolvimento das competências e habilidades, faz com que saibam interpretar, imaginar, criar e possam usar essa criatividade nas produções delas também”, conta Regiane, responsável pela ideia, que já trabalha com os mais novos há mais de 20 anos.

Entre observar a referência e produzir a interpretação, as crianças tiveram a oportunidade de conhecer novos materiais e texturas, processo que também foi levado em consideração durante o processo criativo.

Uma das obras de arte recriadas foi "Amendoeira em Flor" de Vincent van GoghUma das obras de arte foi “Amendoeira em Flor” de Vincent van Gogh – Foto: CMEI Professora Rosana de Fátima Gaya Barreto/Divulgação/its Teens

“É interessante como as crianças são criativas, cada um com sua identidade. Eles escolheram, se inspiraram naquela obra e a professora também usou várias texturas, como o sal, a massa de modelar e os elementos da natureza”, destaca a supervisora, que também fala dos testes que foram feitos para que cada um pudesse compreender qual seria a melhor escolha para as produções. Para dialogar com os bebês, a apresentação teve uma abordagem condizente com a idade. Sendo assim, as produções ficaram penduradas, facilitando o acesso e a interação.

“Criança é uma esponjinha, absorve tudo. O que queremos com isso? Que eles saiam além das paredes da escola, que saiam no mundo da imaginação e da inspiração, que existe o mundo das artes, o mundo que é real e o que você usa a imaginação, que você usa a concentração”, explica a profissional.

Os trabalhos finalizados foram expostos em um evento para toda a família, oportunidade para ver aquilo que é produzido dentro da unidade. Mais que a interação, essa é a chance dos responsáveis e professores observarem o que é feito pelos pequenos e a singularidade de cada um.

“O desenho, às vezes apenas um risco, tem uma importância muito grande, e isso precisa ser valorizado, que não é o perfeitinho, a cópia fiel”, opina Regiane, que comenta o valor da expressão para os menores. “A autonomia, coordenação motora, porque usaram diversas texturas para produzir, exploraram diferentes materiais, conheceram melhor quem é o artista e a sua obra, para que eles também pudessem ter o conhecimento de mundo.”