Em Navegantes, livro viajante estimula a leitura entre pais e filhos

A leitura da obra “A história de Davi", que foi compartilhada fora da sala de aula, retratou a história da busca por tratamento para a Síndrome de Dravet

Ana Caroline Arjonas Navegantes

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Folhear as páginas de um livro e se envolver com a história exposta no texto é uma sensação que pode ser vivenciada de diversas formas. E foi por meio de uma narrativa que a agente de educação Juçara Teixeira começou a modificar a rotina das famílias na Escola Municipal Professora Rosa Maria Xavier de Araújo, em Navegantes.

A ação incentivou a leitura em família, colocando em discussão os temas do livro “A história de Davi”A ação incentivou a leitura em família, colocando em discussão os temas do livro “A história de Davi” – Foto: Juçara Teixeira/Divulgação/its Teens

Por lá, alunos e familiares foram incentivados a acompanhar o enredo da publicação “A história de Davi”, livro que retrata a trajetória de um menino com a Síndrome de Dravet e de pais que vão em busca do cuidado necessário para o filho.

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A ideia de incentivar a propagação da trama veio da percepção da profissional, que convive com estudantes autistas nos dois períodos, e das ações desenvolvidas por professoras, que trouxeram para a sala de aula os sentimentos. Assim nasceu a mala viajante.

“Começamos a mandar a maletinha com o livro. Ali tem um caderno para relatos, então a pessoa que lê vai relatar o que o livro trouxe de reflexão. Quando a pessoa lê, consegue fazer uma reflexão dela mesma. Vimos relatos de pais que não tinham visto por esse lado, porque você, enquanto tem o seu problema, acha que tem o maior problema do mundo, mas quando vê que tem outras pessoas com problemas maiores, você vê que o seu é mínimo”, explica Juçara.

Mais do que trabalhar a imaginação por meio da leitura, a experiência é uma forma de aproximar aquilo que é feito na escola e em casa, já que as famílias podem compartilhar a atividade.

“Já aconteceu isso, de uma mãe estar lendo, o filho de nove anos também querer ler, e eles lerem em parceria, trocando ideias. Quando eles fizeram o relato, foi de parceria entre mãe e filho”, diz a profissional, que é formada em gestão pública e atua há cinco anos na Rede Municipal com a Educação Especial — um caso de amor à primeira vista.

A ideia foi apresentada à comunidade no Dia da Família e, desde então, 12 pessoas já levaram a mala viajante para casa. “Está tomando uma proporção bem maior do que a gente esperava e eu fico feliz. São sementes que estamos plantando e tenho certeza que os frutos vão vir de alguma forma”, declara Juçara.

Muito além da leitura

A leitura está ultrapassando os limites da turma de Jussara, conquistando toda a escolaA leitura está ultrapassando os limites da turma de Jussara, conquistando toda a escola – Foto: Juçara Teixeira/Divulgação/its Teens

Além de colocar diante dos envolvidos uma história que evidencia a luta pela vida, a atividade também reforça o poder da leitura. “Te faz refletir, faz viajar, te leva à imaginação, faz com que você traga isso para o dia a dia, porque às vezes você pensa que tudo é tão difícil, tão longe, tão distante, mas aí você começa: ‘poxa, é possível’. Temos que crer e também dar o primeiro passo. Acho que a leitura te dá o primeiro passo, há vários sentimentos”, finaliza a educadora. Nos próximos meses o foco é manter o livro viajante, mas com outras publicações. Quer saber sobre a atividade? Clique aqui.

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