Em Navegantes, professora utiliza a arte para abordar a Síndrome de Down

Com o objetivo de aproximar os estudantes do tema, professora trouxe exemplos reais de Síndrome de Down como projeto pedagógico

Ana Caroline Arjonas Navegantes

Receba as principais notícias no WhatsApp

Basta observar as produções do cinema para identificar os inúmeros momentos em que a arte recria a vida e vice-versa. Quando o assunto é a Síndrome de Down, existem algumas criações conhecidas, como os filmes “Cromossomo 21” e “Colegas”. Na Escola Municipal Professora Vilna Corrêa Pretti, os estudantes do nono ano já conhecem bem as barreiras e desafios que foram superados nas produções brasileiras.

Alunos e professores participaram da exposição de cartazes sobre Síndrome de DownAlunos e professores participaram da exposição de cartazes sobre Síndrome de Down – Foto: Alana Águida Berti

A iniciativa de abordar a Síndrome de Down por meio da arte foi da professora Alana Águida Berti, que aproveitou a disponibilidade do tema no planejamento anual.

Mais do que explicar na teoria, o objetivo era trazer para o cotidiano exemplos e situações que pudessem ser compreendidos pela turma. “Todos nós temos nossas limitações, nossas habilidades, nossos defeitos e nossas qualidades. Temos que buscar aprimorar”, conta a educadora.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O primeiro passo foi assistir aos filmes, observando as criações e a direção de dois autores brasileiros — outro ponto em comum das obras. A etapa seguinte foi criar um cartaz em grupo, expondo características e informações sobre a Síndrome de Down.

“Teve um que fez uma espécie de propaganda, de campanha publicitária; outro fez uma poesia; outro fez quatro cartolinas e acho que tinham quatro vidas reais que eles pesquisaram e montaram livros”, conta a professora.

Mais do que compreender os cenários e situações que podem surgir na vida de quem convive com a síndrome, a experiência também foi uma forma de impulsionar outras linguagens, desenvolvendo habilidades.

“A arte é como a espinha dorsal de todas as outras disciplinas, porque ela conversa com a matemática, com a história, com as ciências, com tudo. E as pessoas, por desconhecimento, acham que artes não é importante”, finaliza Alana.

Pelos olhos da arte

Quem pensa que criar uma ilustração, filme ou livro é algo simples, só depende da inspiração, está bem enganado. O processo vai além, começando em um dos itens mais importantes: a pesquisa. Mesmo que o responsável por dar vida e cor seja o autor, ele deve compreender a temática para produzir.

Durante a criação, é como se arte ganhasse vida, extrapolando a proximidade com o telespectador ou admirador. “Às vezes você olha um quadro e não entende, esses de rabisco de pintura que você não sabe o que é, mas o bom da arte é isso, o artista não faz arte para o público, faz para colocar para fora o que está perturbando ele, e para ele faz sentido”, conta a professora de artes.

Conhecendo a Síndrome de Down

Quando o assunto é a Síndrome de Down, existem alguns aspectos que devem ser avaliados. O primeiro é que o caso não deve ser caracterizado como doença, afinal, a única alteração que ocorre é a mudança no número de cromossomos, fator que contribui com possíveis limitações físicas e intelectuais.

No Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 300 mil pessoas convivem com a Síndrome de Down. Para marcar a causa, o dia 21 de março é conhecido como o Dia Internacional da Síndrome de Down.