Escola de Florianópolis oferece atendimento diferenciado para estudantes com altas habilidades

Escola Básica Municipal (EBM) Intendente Aricomedes da Silva desenvolve atividades para estudantes com altas habilidades/superdotação; o objetivo é estimular a inteligência e o desenvolvimento

Ana Caroline Arjonas Florianópolis

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Você tem um amigo curioso, criativo, que gosta de temas específicos, desempenha um papel de líder e parece estar sempre à frente das situações? Aquele que está envolvido em projetos e consegue entender as matérias em poucos minutos? Esses são alguns dos traços daqueles que possuem altas habilidades/superdotação.

Estudantes com altas habilidades/superdotação participam de oficina na escolaEstudantes com altas habilidades/superdotação participam de oficina na escola – Foto: Ana Caroline Arjonas

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial, na Perspectiva da Educação Inclusiva, lá de 2008, os estudantes com as altas habilidades/supertodação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e arte, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de interesse.

Entretanto, é importante saber que as características de cada um são diferentes, levando em consideração o incentivo e o ambiente em que estão inseridos.

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Na Escola Básica Municipal (EBM) Intendente Aricomedes da Silva, as professoras Sheila Torma Rodrigues e Roselise Romanini Menim contribuem com o processo de 36 estudantes, dos sete aos 14 anos.

Com atividades que estimulam as oito inteligências (lógico-matemática, linguística, musical, naturalista, corporal-cinestésica, espacial, interpessoal e intrapessoal), de acordo com a teoria do psicólogo Howard Gardner, o objetivo é acompanhar a evolução  de cada um.

Para começar esse processo, o início é a triagem, feita com os educadores e os pais. Após identificar aqueles que podem ter altas habilidades/superdotação, o passo seguinte é o convite para participar da oficina, com encontros semanais.

O foco é entender quais são os temas preferidos e os talentos que ainda precisam ser apurados.

Conforme a teoria do psicólogo Joseph Renzulli, existem três características na superdotação: a capacidade acima da média, o envolvimento com a tarefa e a criatividade – e as professoras vão em busca de cada uma delas.

“Quando conseguimos fazer que os três traços estejam desenvolvidos, é quando eles dão grandes contribuições, seja em nota alta ou em participação”, declara a especialista em altas habilidades Sheila Torma Rodrigues.

Se as competências são distintas, as motivações também são. Prova disso é Laila Schwingel Rocha,11, primeira a participar do projeto e que é movida pelos desafios.

“Gosto bastante das provas porque são métodos de estimular a minha mente”, conta a aluna, que tem interesse na programação e no design.

Entretanto, assim como qualquer pessoa, aqueles que têm altas habilidades/superdotação não precisam ser bons em tudo – e a cobrança excessiva pode influenciar negativamente no crescimento.

“Eles sabem que alguns vão ter desenvolvimento em determinadas áreas e que nem sempre vão ter prazer nas atividades. Isso é bom para eles entenderem os colegas na sala de aula”, destaca a professora.

Para Isabela Biazin dos Santos,12, que adora lógica, o desafio é estar em sociedade. “Por mais que uma das minhas dificuldades seja conviver, uma das minhas habilidades é conversar com as outras pessoas, especialmente com crianças”, comenta a estudante.

Nas oficinas, eles também aprendem a utilizar o conhecimento ao seu favor. Entretanto, é essencial ter em mente que a identificação deve ser feita por meio de diversas abordagens, verificando aspectos que vão além dos testes.

Observação e pesquisa

É fato que a observação é amiga do aprendizado, mas você já percebeu como a curiosidade e a atenção podem influenciar no desenvolvimento? Os participantes da oficina vivenciam esta relação na pele, com o projeto de pesquisa dos saguis.

Tudo começou com as visitas dos animais na árvore da unidade e a presença nas janelas da escola. Não demorou muito para que as dúvidas surgissem, questionando se era certo ou errado alimentar os bichos.

Mais do que responder a pergunta, o envolvimento com o assunto está guiando o trabalho para outros rumos, questionando como os animais silvestres podem impactar na saúde do ser humano.

Compreender a base da alimentação, as condições de vida na urbanização e os cuidados com os saguis são os tópicos que devem ser debatidos com toda a escola, a partir da apresentação que está sendo planejada pelo time.

 Olhares voltados à tecnologia

O raciocínio lógico e a tecnologia são as áreas de interesse de muitos que estão no projeto – há até quem diga que quer ser youtuber.

Para instigar a proximidade com a programação, os adolescentes serão inseridos no Projeto meu AplicAtivo, realizado pelo Comitê para Democratização da Informática de Santa Catarina (CPDI) e a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).

O objetivo é contribuir com o surgimento de novos talentos, instigando nos estudantes o desejo de criar o próprio app. Mais do que o resultado, o desafio é pensar e criar alternativas para resolver problemas futuros.